As realidades das injustiças à comunidade LGBTQIA+ não deveriam levar à desesperança, diz padre James Martin

Foto: Paulo Pinto | Fotos Públicas

Mais Lidos

  • “Meu pai espiritual, Santo Agostinho": o Papa Leão XIV, um ano depois. Artigo de Carlos Eduardo Sell

    LER MAIS
  • A mineração de terras raras tem o potencial de ampliar a perda da cobertura vegetal nas áreas mineradas, além de aumentar a poluição por metais tóxicos e elementos químicos radioativos que são encontrados associados às terras raras, afirma o pesquisador da UFRGS

    Exploração de terras raras no RS: projeto põe recursos naturais em risco e viabiliza catástrofes. Entrevista especial com Joel Henrique Ellwanger

    LER MAIS
  • Aumento dos diagnósticos psiquiátricos na infância, sustentado por fragilidades epistemológicas e pela lógica da detecção precoce, contribui para a medicalização da vida e a redefinição de experiências comuns como patologias

    A infância como problema. Patologização e psiquiatrização de crianças e adolescentes. Entrevista especial com Sandra Caponi

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Agosto 2021

 

As pessoas LGBTQIA+ e aliados conhecem bem as estatísticas que detalham as injustiças que essa comunidade enfrenta – altos níveis de suicídio, desabrigo, rejeição familiar, pobreza, para nomear algumas. Muitos católicos, no entanto, talvez não tenham noção destas realidades.

Para ajudar a informar melhor a Igreja, o jesuíta estadunidense James Martin compilou algumas estatísticas em um artigo para a revista America (publicado em português pelo IHU) que tocou em ambas questões e fora da Igreja. Alguns dados podem ser dolorosos. Em uma questão, 72% das pessoas LGBTQIA+ entrevistadas disseram que se sentiram desconfortáveis e/ou foram discriminadas em um espaço católico.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 06-08-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Para Martin, essas realidades tornam claro, em estatística, que somos chamados para a ação, não para desistir. Ele concluiu sua análise da pesquisa com essas palavras:

“Esses fatos podem chocar os católicos. Mas não devem nos esmagar ou nos levar à desesperança. Porque a desesperança não vem de Deus. Neste caso, como nós respondemos ao que nós sentimos quando escutamos essas terríveis estatísticas? Como sempre, olhando para o exemplo de Jesus – que sempre tomou o lado dos rejeitados, marginalizados, isolados, zombados, espancados ou abusados – pode nos ajudar a seguir em frente. Essas estatísticas devem nos fazer querer nos aproximar de nossos irmãos, irmãs e irmanes, com a mesma ‘proximidade, compaixão e ternura’, para usar as palavras do Papa Francisco, com que Deus se aproxima deles”.

O ministério do padre Martin com pessoas LGBTQIA+ tem sido manchete nos últimos meses com o lançamento de um novo documentário sobre isso, intitulado “Building a Bridge” (“Construindo uma ponte”, em tradução livre). Um crítico da The Daily Beast escreveu sobre suas emoções quanto à obra:

“Há um elemento inspirador e alegre no documentário Building a Bridge. Estranhamente, pode ser por isso que você não consegue sair dele sem se sentir um pouco abatido”.

“Como você ajusta os dois: o otimismo e o desejo de mudança com o cinismo da realidade da Igreja? Especialmente depois do decreto do Vaticano contra a homossexualidade em março, pode parecer impossível. Mas o que é fé, senão certeza – talvez até esperança – em face de tal impossibilidade?”, continuou.

Outras resenhas foram publicadas no The Washington Post, The Playlist e na America. A Rolling Stone apresentou uma entrevista com os cineastas Evan Mascagni e Shannon Post, que você pode ler neste link (em inglês). Para o National Catholic Reporter, Martin deu uma entrevista na qual explicou um pouco sobre como se envolveu com o trabalho:

“Antes de 2016, eu tinha escrito sobre pessoas LGBTQIA+ e defendido elas de vez em quando na revista America. Mas eu nunca tinha feito nada formalmente. Eu nunca fiz parte de um grupo de evangelismo ou pastoral LGBTQIA+”.

“A resposta morna de muitos líderes da Igreja após o massacre da boate Pulse me fez pensar que, mesmo na morte, essas pessoas são invisíveis para a igreja. E isso levou a uma palestra no New Ways Ministry, que levou a um livro, que levou a este ministério, que faço com muitas outras pessoas. Ele me convidou a ser um pouco mais público sobre a defesa da comunidade”.

No geral, o filme recebeu críticas positivas, embora alguns expressem ceticismo sobre o que é realmente possível mudar nas questões LGBTQIA+ na Igreja. Mas como o padre Martin comentou acima, a resposta não é desespero, mas esperança expressa no trabalho pastoral. Que a construção da ponte continue.

 

Leia mais