Passaporte vacinal e os “anti-vax”: quando até Cacciari e Agamben se equivocam

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28 Julho 2021

 

Os anti-vax não me assustam. O que me assusta é o vacinado que se preocupa com a democracia, o vacinado que discorre sobre a liberdade em perigo, quando se pede para se mostrar um certificado para entrar em um restaurante ou em um teatro.

O comentário é de Davide D’Alessandro, filósofo e ensaísta italiano, ex-professor de Hermenêutica Filosófica na Universidade de Urbino Carlo Bo. O artigo foi publicado em L’HuffingtonPost.it, 27-07-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

É possível ser Massimo Cacciari e Giorgio Agamben, dois dos mais importantes filósofos italianos, e dar uma mancada? Ah, claro que sim, principalmente quando se perde a dimensão do humano e, a fim de intervir em tudo, se fazem comparações apressadas e insustentáveis.

Como é possível expressar preocupação com a vida democrática e não com a vida? Talvez a vida não vem antes da democracia, não vem, talvez, antes de tudo?

Como é possível, para criticar o green pass [passaporte vacinal], trazer à baila a declaração de que: “Todo regime despótico sempre operou por meio de práticas de discriminação, talvez no início contidas e depois desenfreadas. Não por acaso, na China, eles declaram que querem continuar com os rastreamentos e os controles mesmo ao término da pandemia. E vale a pena lembrar o ‘passaporte interno’ que os cidadãos da União Soviética deviam mostrar às autoridades a cada deslocamento”?.

A China e a União Soviética? Coisa de maluco, exclamaria Cacciari, se ainda fosse Cacciari. Mas quem escreveu essas palavras com Agamben não foi Cacciari. Foi o intelectual que pretende surpreender com efeitos especiais, o outro Cacciari, dividido, que traz no seu coração a minoria da minoria, o temor de que a discriminação possa dividir os cidadãos da Série A dos da Série B, sem compreender que o campeonato de verdade, o campeonato da vida, está suspenso, à espera de saber se uma variante ou outra fará com que ele seja retomado ou extinto para sempre.

Os anti-vax não me assustam. O que me assusta é o vacinado que se preocupa com a democracia, o vacinado que discorre sobre a liberdade em perigo, quando se pede para se mostrar um certificado para entrar em um restaurante ou em um teatro. Tenho medo da inconsistência dos raciocínios daqueles que, depois de mais de 128.000 mortes [na Itália], ainda se perguntam o que será da nossa amada democracia.

Bastou que Draghi [primeiro-ministro italiano] falasse de morte para incomodar a China e a União Soviética. E se ele tivesse falado de obrigação vacinal (eventualidade que não pode ser ignorada), qual país eles incomodariam? Cacciari, entre tantas belas coisas, escreveu “O poder que freia”. Ora, é ele quem freia, junto com Agamben, enquanto a morte corre, sem dar a mínima para as dissertações e as preocupações dos filósofos que, por um instante, abandonam a filosofia, entram na política, prejudicando a filosofia e a política.

 

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