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06 Abril 2021

 

"Maria de Magdala ajuda-nos a celebrar a Páscoa da vida, aquela que nos permite passar das lágrimas amargas e iradas ao assombro de encontrar Jesus vivo! Ajuda-nos a saborear o sabor da vida longe dos sepulcros sufocantes da normalidade doentia que nos levou a viver o drama desta pandemia", escreve Roberto Oliva, padre italiano da diocese de San Marco Argentano – Scalea (Cosenza), em prece publicada por Settimana News, 04-04-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o texto. 

 

Cara Maria de Magdala,

hoje teu nome ressoará nas igrejas de todo o mundo. Talvez apressadamente, talvez superficialmente. Contamos contigo hoje em busca de esperança: desorientados e cansados como estamos em busca do Ausente por excelência.

A ti que seguiste Jesus até o escândalo da cruz quando todos fugiram, a ti que o amaste com coração de mulher, a ti que o anunciaste sem vergonha: apóstola dos apóstolos.

Em ti procuramos reconstruir os detalhes mais inéditos do encontro com Jesus: também a nós neste tempo sobrecarregado de fardos e interrogações - aquele que nos fez promessas de amor - agora parece ausente, desaparecido.

Assim como tu buscaste o Amado de teu coração, nestes dias difíceis de pandemia, esmolamos por esperança, contatos, afetos, ressurreição!

Voltamo-nos para ti, a primeira a "ousar o amanhecer" quando a escuridão desmoraliza e a luz mal se vislumbra.

Nós também - como tu com unguentos entre as mãos – temos dificuldade para acreditar que Jesus possa ressuscitar, temos dificuldade para acreditar na força da fraqueza, temos dificuldade para acreditar que o ausente está presente, vivo e próximo.

Ajuda-nos a ver quantas pedras Deus tira de nossos sepulcros, ajuda-nos a ver os sinais do bem e da revolução que surgem tímidos e silenciosos da nossa humanidade ferida e provada.

Como tu, Maria de Magdala, faze-nos virar a cabeça diante do sepulcro vazio, faze-nos voltar a nos assombrar com nossos túmulos vazios: vazios de desespero e raiva. Porque a vida está em outro lugar, ela não está ali!

Empurra as nossas pernas, aquece nossos corações, exercita as nossas mãos: a vida está em outro lugar, Jesus não está em um túmulo, a esperança não está enterrada!

Cara Maria de Magdala, dá-nos a loucura da vontade de correr, determinados e temerários, a vontade de correr própria daqueles que acreditam que Jesus “vive e nos quer vivos” sempre!

Não permitas que o encontro com o vazio das ruas, dos locais, das escolas e das praças nos feche numa tristeza resignada, mas se transforme em um desejo de voltar a procurar, de ir mais longe, de buscar sempre.

Ajuda-nos a acreditar que a esperança - como Jesus - deseja ser buscada, lida nos sinais que traça como um artista fabuloso.

Maria de Magdala ajuda-nos a celebrar a Páscoa da vida, aquela que nos permite passar das lágrimas amargas e iradas ao assombro de encontrar Jesus vivo! Ajuda-nos a saborear o sabor da vida longe dos sepulcros sufocantes da normalidade doentia que nos levou a viver o drama desta pandemia.

Ajuda-nos a acreditar que se pode começar de um fim e se pode nascer de uma morte!

Ajuda-nos a ousar a mudança que todos hoje desejamos: até de uma pandemia pode nascer uma mudança. Que a novidade do Ressuscitado nos livre da tentação mundana de voltar a ser como antes, perdendo a oportunidade que a história está nos doando. É verdade que "pior do que uma pandemia, existe apenas o drama de desperdiçá-la!".

Coloca em nossos corações o desejo de ressuscitar com Jesus: aquela ressurreição que se celebra quando nos permitimos ser libertados. Libertar do mal, libertar do pecado que desumaniza, libertar da maldade que nos desfigura, libertar do medo de sermos julgados "diferentes", libertar da corrupção que tira os direitos dos mais indefesos. Livres não como aqueles que pensam que podem fazer o que querem, mas livres por sermos responsáveis pela vida alheia.

Guardiões da fraqueza alheia com as armas que temos: neste momento são as máscaras, as vacinas, etc. Que a liberdade que tiveste ao deixar ir Jesus seja a nossa hoje ao aceitar a cruz das renúncias e dos numerosos sacrifícios para celebrar a vida das pessoas mais frágeis expostas ao vírus.

Maria de Magdala sugere-nos palavras de ressuscitados numa época em que é difícil acreditar: "tudo ficará bem" não apenas quando as coisas correm como nos apraz, mas também quando a vida toma o rumo inesperado do imprevisto, incômodo e decidido nos impele a procurar alhures. A vida não está em um túmulo. Feliz Páscoa da Ressurreição!

 

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