Não negar às pessoas uma bênção pedida com sinceridade. Entrevista com o cardeal Christoph Schönborn

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26 Março 2021

 

Em entrevista concedida à Kathpress e à mídia da Arquidiocese de Viena sobre a declaração da Congregação para Doutrina da Fé, o cardeal Christoph Schönborn afirmou: "Eu entendo que muitas pessoas tenham se sentido magoadas". “A bênção não é a recompensa pelo bom comportamento, mas um pedido de proteção, de ajuda do alto”. A Congregação para a Doutrina da Fé está preocupada "com a alta consideração pelo matrimônio sacramental".

O cardeal Schönborn comentou publicamente sobre a tão discutida declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, segundo a qual a Igreja Católica não teria o poder de abençoar as uniões do mesmo sexo. Na entrevista com a Kathpress e a mídia da arquidiocese de Viena ("Der Sonntag", "Radio klassik Stephansdom"), Schönborn declarou que "não estava feliz" com a declaração. Ele entende como muitas pessoas tenham se sentido magoadas por tal declaração. Pela opinião pública foi percebido apenas um “Não”, afirma o cardeal. “Isto é, um não à bênção; e isso é algo que fere profundamente muitas pessoas”. Por outro lado, foi completamente negligenciado o fato de que por trás do "Não" da declaração poderia ser encontrada também uma preocupação positiva com o matrimônio sacramental.

 

A entrevista é publicada por Kathpress, 24-03-2021. A tradução da versão italiana é de Luisa Rabolini.

 

A possibilidade de abençoar ou não casais do mesmo sexo cai na mesma categoria de questões relativas à possibilidade de abençoar divorciados novamente casados ou a convivência de pessoas não casadas. Segundo o cardeal, a resposta nesses casos é relativamente simples: “Se o pedido de bênção não é um espetáculo, isto é, não é uma espécie de coroação de um rito exterior, se o pedido de bênção for sincero, se for realmente o pedido de bênção de Deus pelo caminho que duas pessoas, independentemente da sua situação, procuram trilhar, então a bênção não lhes será negada”. Como sacerdote e como bispo, acredita que pode dizer: “Vocês não atingiram o máximo do ideal. Mas é importante que vivam o vosso caminho com base nas virtudes humanas, sem as quais não existe uma ‘boa convivência juntos’. E isso merece uma bênção”. Se a maneira certa de expressar isso possa ser uma cerimônia de bênção na igreja "é algo sobre o que é preciso refletir a fundo".

Schönborn afirmou que uma bênção não é uma recompensa por um bom comportamento, mas "um pedido de proteção, de ajuda do alto". Ele diz que muitas vezes as pessoas lhe pedem uma bênção. “Às vezes até acontece na rua que as pessoas me peçam uma bênção. Nesses casos, certamente não pergunto primeiro qual é sua condição e situação de vida, mas com prazer dou a bênção, porque essas pessoas evidentemente sentem que sem a bênção de Deus a vida está muito mais exposta ao perigo do que já está efetivamente”.

 

“Uma mãe não negaria a bênção”

O arcebispo de Viena parte de uma observação muito simples: “Muitas mães abençoam seus filhos. Minha mãe continua a fazer isso até hoje. Eu não saio da sua casa sem que ela me abençoe. Uma mãe não negaria a bênção, mesmo quando seu filho ou filha têm problemas de vida. Muito pelo contrário".

E continua: “Tradicionalmente se diz que a Igreja é 'Mater et magistra', mãe e mestra. Ela tem que ensinar, mas antes de tudo é mãe. E muitas pessoas que se sentem e vivem como homossexuais são particularmente sensíveis a isso: 'A Igreja é uma mãe para nós?' São sempre filhos de Deus e também desejam ver a Igreja como mãe. É por isso que esta declaração foi tão dolorosa para muitos, como se eles ouvissem e dissessem: 'Mãe, você não vai me abençoar? Mas eu também sou seu filho'”. Muitas pessoas tiveram a sensação de ter sido rejeitadas pela Igreja.

 

Valorização do matrimônio sacramental

Schönborn continuou afirmando que a Congregação para a Doutrina da Fé se preocupa "com a alta consideração pelo matrimônio sacramental, que hoje se tornou quase uma raridade".

Mas o matrimônio sacramental é “algo grande e sagrado, o vínculo de um homem e uma mulher. Um vínculo para a vida, prometido e acordado diante de Deus, e que depois pode levar a ter filhos que são percebidos como um dom de Deus”. Por esta razão, a preocupação justificada da Congregação para a Doutrina da Fé é "que com uma cerimônia de bênção não surja a impressão que esteja sendo realizado um matrimônio sacramental".

Mas aquele "sim" à família não deve se transformar em um "não" a todas as outras formas de vida, acredita Schönborn: "A Igreja há muito se acostumou - e foi um processo longo e doloroso - a não ser a única voz que tem algo a dizer sobre o modo de vida de um casal. Desde o século XIX, o Estado retomou a soberania, que pertencia à Igreja, sobre o casamento, e tornou-se natural para nós - até para a Igreja - que seja feito primeiro o casamento civil e depois o religioso (ndr. na Áustria)". No entanto, a maneira como o Estado entende o casamento - como um contrato - é fundamentalmente diferente da maneira de entender o matrimônio sacramental, reiterou o cardeal. E acrescentou: “Há tempo que vivemos levando em conta esta situação”.

 

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