Sob Bolsonaro, programa de construção de cisternas sofre maior redução da história

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12 Março 2021

Em 2020, o maior programa de armazenamento de água do país instalou 8.310 equipamentos, contra 149 mil em 2014.

A reportagem é de Lucila Bezerra, publicada por Brasil de Fato, 11-03-2021.

Em 2020, o maior programa de armazenamento de água do país chegou ao pior patamar de investimento desde sua criação, há 17 anos, com a construção de apenas 8.310 cisternas.

Em 2014, esse número chegou a 149 mil, o que representa uma queda de 94% nos últimos seis anos, segundo dados compilados pelo portal UOL.

Confira na reportagem:

 

De acordo com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), há pelo menos 350 mil famílias que aguardam na fila de espera pelas cisternas e mais de 800 mil precisam do equipamento para a produção de alimentos e criação de animais, como explica a integrante da coordenação-executiva da entidade, Glória Batista.

“Nós estamos, cada vez mais, com o recurso público reduzido para a construção de cisternas e de tecnologias sociais de captação e de estocagem de água. O acesso à água não está resolvido. É preciso continuar lutando por água. Água é direito, é um patrimônio do povo, é um bem comum. A água tem que chegar até as pessoas”.

O Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) foi criado em 2003, no governo Lula. Desde então, foram entregues 1,5 milhões de cisternas, beneficiando cerca de 5 milhões de brasileiros.

O P1MC chegou a ser premiado pela ONU e se tornou uma referência internacional como projeto de democratização do acesso à água. Glória Batista ressalta que o programa é um marco histórico do Semiárido.

“O ano de 2003 foi um marco na história do Semiárido brasileiro. Antes, a água, que é um direito, sempre foi destinada às grandes propriedades, ao latifúndio. Era pra lá que iam os investimentos públicos".

O equipamento armazena água da chuva, utilizada para beber e cozinhar. As cisternas também geraram impactos positivos na produção agrícola e geração de renda da região.

A família da agricultora Carla Maria, de Bom Jardim, no agreste pernambucano, foi uma das beneficiadas pelo programa. "Através desse programa, muita coisa mudou. Nossa vida melhorou bastante".

Maria conta que, para além de usar a água captada para beber e cozinhar, a família a utiliza na produção de queijos. "A gente sempre fez queijo, então minha mãe tirava a água também para lavar os queijos”.

O montante previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para o ano foi de R$ 50,7 milhões, a destinação mais baixa desde a criação do programa. Para piorar, o orçamento empenhado não estava sendo executado, segundo levantamento da ASA.

Para a representante da entidade, o programa vive um momento crítico e a redução nos recursos impacta diretamente a população.

“A conjuntura política é muito ruim, e também vivemos uma crise sanitária. O governo, que deveria agir em favor da população, em defesa da sociedade, é um governo que exclui a maioria da sociedade. Isso traz consequências, como a pobreza".

Procurado pelo Brasil de Fato, o Ministério da Cidadania não retornou os pedidos de esclarecimento até o fechamento desta reportagem.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, 27 milhões de pessoas residem no Semiárido brasileiro e ainda sofrem com dificuldades de acesso à água.

 

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