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18 Fevereiro 2021

A Quarta-feira de Cinzas tem sido oportunidade para o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, organizada pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs – CONIC. Como tem acontecido em muitos locais no Brasil, a Arquidiocese de Manaus lançava a campanha na frente da Catedral Metropolitana. O tema deste ano, como lembrava o padre Geraldo Bendaham, é “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”, e o lema “Cristo é a nossa Paz, do que era dividido, fez uma unidade”.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

“O diálogo é muito importante, estarmos à escuta do outro, neste momento tão difícil, neste momento não só pandêmico, mas neste momento também de um vírus de violência, de agressão, de ideologias que não ajudam na construção”, afirmava Dom Leonardo Steiner, no início de sua intervenção diante dos presentes, sobretudo jornalistas. O Arcebispo de Manaus pedia que a Campanha da Fraternidade possa nos ajudar a nos unir e nos levar ao encontro de Jesus Cristo Crucificado, Ressuscitado.

Foto: enviada por Luis Miguel Modino.

Dom Leonardo destacava a importância da palavra, “que nos faz dialogar, que nos dá o dom da escuta”. Fazia isso no momento reservado ao pastor Marcos Antônio Rodrigues, da Comunidade Luterana em Manaus, ausente diante da suspeita de ter sido contagiado pela Covid-19. Ao comentar a passagem dos discípulos de Emaús, elo da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, o Arcebispo de Manaus afirmava que “enquanto caminhamos temos as diatribes da vida, as dificuldades”, mostrando que “como os discípulos de Emaús, nós vamos dialogando e vamos compreendendo essas dificuldades”.

Se faz necessário, “no diálogo mútuo, estar à escuta, em profundidade, para que nós possamos compreender o fundo das ideologias”, afirmava o arcebispo. Ele se questionava sobre o fundo que sustenta a violência, o por que do feminicídio ou do desprezo aos nossos irmãos negros. Dom Leonardo fazia um chamado a buscar o fundo e a partir da escuta que é diálogo, construir a fraternidade. Segundo ele, “sem escuta não existe palavra, a palavra continua agressiva, a palavra continua separativa, a palavra não é capaz de criar comunhão, familiaridade, fraternidade”.

O Arcebispo de Manaus afirmava que “onde existem ideologias, onde existem separações, não existe partilha, porque existe incapacidade de partilhar, porque no existe o amor”. Ele destacava que “a Palavra de Deus nos desarma, a Palavra de Deus, porque é conforto, porque é proximidade, é capaz de criar novas relações apesar de nossas diferenças”. Dom Leonardo fazia um chamado a viver a Campanha da Fraternidade como um tempo de conversão e transformação, que vai possibilitar “um tempo de fraternidade, um tempo de amor comprometido”.

Não podemos esquecer que a Campanha da Fraternidade acontece na Quaresma, “para nos convocar a esse espírito de conversão, de mudança”, segundo Dom José Albuquerque. Ele frisava a necessidade de “dialogar em todas as esferas da vida”, que nos leve ao respeito, ao reconhecimento e valor do outro, “a estar sempre em uma atitude de aprendizado”, afirmava o bispo auxiliar de Manaus. Ele espera que a campanha “nos ajude e nos ensine a refletir, a saber escutar mais, a saber valorizar aquilo que nos une”.

Na apresentação do Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, Francisco Lima afirmava a que “estamos em um tempo difícil, complicado, esse tempo de pandemia, que nos inquieta, que nos tira o sossego”. O Secretário Executivo do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, denunciava “quanta gente que conhecemos está morrendo por falta de atendimento, por falta de oxigênio, falta de leitos nos hospitais. Quanta gente sem o alimento necessário, sem emprego, sem nenhuma fonte de renda”. Por isso, ele definia este tempo como “um tempo que nos faz pensar e refletir: será que realmente estamos vivendo em paz?”.

Nessa perspectiva, Francisco Lima pedia que “este tempo quaresmal nos inquiete com uma paz que luta pela paz, a paz que sacode com a urgência do Reino, a paz que invade como vento do Espírito a rotina e o medo, a paz conquistada sem armas, a paz que se faz nossa, sem cercas, sem fronteiras”. Ele fazia um apelo ao compromisso “com o diálogo, com a solidariedade, como amor ao próximo”, e à conversão ao diálogo com o diferente e com esta ao nosso lado, que as vezes a gente exclui.

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