Clima, o Papa no Climate ambition summit: Vaticano com “emissões zero” até 2050

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14 Dezembro 2020

Mensagem de vídeo para o encontro virtual organizado pela ONU, França e Grã-Bretanha, cinco anos após o Acordo de Paris: “Promovemos a educação ecológica. É hora de mudar de rumo".

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por La Stampa, 12-12-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Vaticano reduzirá a zero as emissões de carbono até 2050. Com uma mensagem de vídeo, o Papa Francisco levou suas palavras à High Level Virtual Climate Ambition Summit, o mega encontro virtual organizado pelas Nações Unidas, Grã-Bretanha e França, em colaboração com Chile e Itália, cinco anos após a adoção do Acordo de Paris. Décimo sétimo a falar, no meio de líderes de nações e presidentes de organismos europeus, primeiros-ministros, representantes da sociedade civil ou CEOs de importantes empresas como a Apple, Francisco anuncia que o menor estado do mundo se empenhará pelos próximos trinta anos numa estratégia que visa a neutralidade climática, adequando-se aos padrões dos países mais avançados e, ao mesmo tempo, promovendo “uma educação para a ecologia integral” para os cerca de 70.000 alunos que frequentam escolas e universidades católicas nos cinco continentes.

No vídeo, o Pontífice destaca o aspecto humano dessa ação climática global que move os passos para a COP26 de Glasgow, em novembro de 2021. “A atual pandemia e as mudanças climáticas, que não são apenas de importância ambiental, mas também ética, social, econômica e política, têm um impacto particular nas vidas dos mais pobres e vulneráveis”, diz ele. “Por isso eles fazem um apelo à nossa responsabilidade de promover, com empenho coletivo e solidário, uma cultura do cuidado, que coloque a dignidade humana e o bem comum no centro”.

O Papa destaca a urgência, além de adotar "algumas medidas que não podem mais ser adiadas", também para uma redução a zero das emissões. É um objetivo, afirma, ao qual a Santa Sé se associa plenamente, em primeiro lugar, intensificando “os esforços de gestão ambiental, já em curso há alguns anos, que tornarão possível a utilização racional dos recursos naturais como a água e a energia, a eficiência energética, a mobilidade sustentável, o reflorestamento e a economia circular também na gestão de resíduos”.

Além disso, a Santa Sé, ressalta o Pontífice, "está empenhada em promover a educação para a ecologia integral", porque "as medidas políticas e técnicas devem estar ligadas a um processo educativo que favoreça um modelo cultural de desenvolvimento e de sustentabilidade centrado na fraternidade e na parceria entre o ser humano e o meio ambiente ». É nesta perspectiva que Jorge Mario Bergoglio recorda o Pacto Global pela Educação - que ele próprio inaugurou a 12 de setembro de 2019 - para "acompanhar" as 216 mil escolas frequentadas por mais de 60 milhões de alunos em todo o mundo e as 1.750 universidades católicas, com mais de 11 milhões de estudantes.

O pontífice argentino também apresentou aos líderes mundiais os resultados do "The Economy of Francesco", importante evento global (inicialmente agendado para Assis, depois realizado online) que, em novembro, reuniu as ideias e projetos de jovens economistas, empresários, especialistas em finanças e trabalho. Todos esses jovens de todos os continentes promoveram "novas maneiras para superar a pobreza energética, para colocar o cuidado para o bem comum no centro das políticas nacionais e internacionais e para promover a produção sustentável também em países de baixa renda, compartilhando tecnologias avançadas apropriadas".

É daqui que devemos recomeçar: dos jovens e das suas ideias inovadoras. “Chegou a hora de mudar de rumo”, disse o Papa Francisco. “Não vamos roubar às novas gerações a esperança de um futuro melhor”.

Uma nota da Santa Sé explica em detalhes como o Estado da Cidade do Vaticano perseguirá o objetivo da neutralidade climática até 2050. Fala-se de projetos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar as fontes de sua absorção através, por exemplo, de processos de reflorestamento. Para tanto, serão intensificados os esforços em prol do uso racional dos recursos naturais como água e energia, da requalificação do patrimônio tecnológico, da mobilidade sustentável, do reflorestamento e da gestão de resíduos.

Por muitos anos, o Estado pontifício se empenhou na promoção do desenvolvimento sustentável para a proteção da casa comum, antes mesmo do impulso definitivo que veio com o pontificado de Bergoglio e sua encíclica "Laudato si'". De fato, são mencionadas as políticas ambientais e energéticas para fortalecer o uso de fontes renováveis de energia através da construção de sistemas fotovoltaicos e de resfriamento solar, bem como para a requalificação das usinas térmicas e dos relativos sistemas de termorregulação.

Progresso importante, bem como aqueles alcançados pela otimização do uso dos recursos hídricos, pela redução do desperdício comum, pelo desenvolvimento de áreas arborizadas e pela promoção do consumo responsável (em 2019 foi extinta a venda de plástico descartável). Outros aspectos significativos são o início de um processo de substituição da frota automobilística por veículos elétricos ou híbridos e a valorização do conceito de recuperação e reutilização no campo da gestão dos resíduos (por exemplo, o incentivo à coleta seletiva de resíduos urbanos chegou a 65% em 2020 com o objetivo de atingir 75% até 2023).

Todos "exemplos claros de economia circular", que, no entanto, ressalta a Santa Sé, não são suficientes para atingir o objetivo de um "net-zero" e, sobretudo, para propagar a "cultura do cuidado". Devem, de fato, unir-se a um “processo educativo” que, sobretudo entre os jovens, promova “novos estilos de vida” e favoreça “um modelo cultural de desenvolvimento e de sustentabilidade centrado na fraternidade e na aliança entre ser humano e meio ambiente”.

 

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