Liberalismo e crise do capitalismo

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25 Novembro 2020

"A crise atual está nesse pressuposto absurdo de que a produção e acumulação de bens não possui qualquer regramento possível ou permitido", escreve José Afonso de Oliveira, sociólogo formado pela PUC Campinas e professor aposentado da UNIOESTE.

Eis o artigo.

As preocupações com o atual mundo globalizado vão desde pessoas simples até o papa Francisco que vem insistindo em mudanças que devem ser organizadas com as devidas urgências.

O liberalismo clássico de Adam Smith colocado na obra A Riqueza das Nações tem as suas origens na liberdade humana, proposta pelo movimento Iluminista. Se os homens são inteiramente livres, isso também implica na sua liberdade de produzir, gerar riqueza sendo assim a sustentação da sociedade burguesa.

Adam Smith vai falar de algo que foge à racionalidade alegando que existe uma mão invisível que conduz o mercado, este também uma realidade não palpável, visível se entendermos melhor.

Ocorre que Smith tem uma visão, talvez menos conhecida, de um grande conhecimento teológico, o que, na sua época, era entendido como algo natural, pois que a teologia abrangia uma série de conhecimentos que hoje, mais especializados, tem caminhos próprios.

Dany Robert Dufour em sua obra A Cidade Perversa vai mostrar à exaustão que essa posição de Smith possibilitou o que hoje estamos vivendo, uma grande libertinagem na produção e consumo de bens. Não há mais regras para isso, tudo literalmente é permitido e, mais do que isso, incentivado. É também decorrente dessa situação crítica que estamos vivendo Bruno Latour vai dizer, com a devida maestria, que as questões ambientais/climáticas estão no centro da crise do atual mundo globalizado.

Mas um outro pensador importante, Max Weber na sua obra A Etica Protestante e o Espirito do Capitalismo vai informar que a geração de lucro deve ser investida na produção de bens e não no consumo próprio originando a vida luxuosa, muito pelo contrário a vida deve ser frugal, verdadeiramente acética como existia no mundo monástico. Portanto podemos deduzir que a geração de bens e sua acumulação tem regras, limites que devem ser impostos evitando esses males que possam ser gerados.

A crise atual está nesse pressuposto absurdo de que a produção e acumulação de bens não possui qualquer regramento possível ou permitido.

Foi nas administrações de Thatcher e Reagan que esses limites, tênues foram completamente rompidos permitindo assim que tudo é possível no mundo da produção e geração das riquezas, favorecendo o processo de acumulação de bens que tende ao infinito.

Pensar o mundo atual que estamos vivendo exige discutir, repensar toda essa questão da liberdade de mercado, em vista de podermos eliminar as desigualdades sociais, a fome, o analfabetismo, as doenças endêmicas para que todos possamos viver mais plenamente e felizes.

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