“Basta de palavras, é hora de agir contra os abusos”, afirma Hans Zollner

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29 Setembro 2020

O Instituto de Teologia da Vida Religiosa encerra sua primeira edição do Curso de Proteção de Menores.

A reportagem é de Mateo González Alonso, publicada por Vida Nueva Digital, 26-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Embora tivesse de ter sido celebrado em maio, foi no último sábado, 26-09, que o Instituto de Teologia de Vida Religiosa, em coordenação com o Centro para Proteção de Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, concluiu sua primeira edição do Curso de Proteção de Menores com uma mesa-redonda e uma conferência. Uma iniciativa que ocorreu ao longo de dois anos e que se tornou uma referência na Espanha.

Credibilidade e compromisso

Em sua intervenção, Carlos Martínez Oliveras, coordenador do curso, apontou que com esta proposta “quisemos reafirmar nosso compromisso para auxiliar nas iniciativas eclesiais e contribuir com nosso humilde grão de areia para que jamais possam voltar a se repetir, se encobrir ou se perpetuar situações tão lacerantes”.

Uma proposta que se organizou em “16 temas desde os fatores de risco e proteção, a problemática do sexo na internet, o abuso intrafamiliar, os sinais para identificar os abusadores ou a atenção pastoral às vítimas e sobreviventes, assim como a suas famílias e comunidades de referência”, apontou.

“Os abusos a menores, e agora refiro-me ao âmbito intrafamiliar dentro das sociedades em geral, são um estigma social de dimensões preocupantes que é preciso lutar contra com todas as forças. Nesta batalha, a Igreja depois de ter atuado dentro, pode exercer um papel fundamental e prestar sua experiência renovada à sociedade. Assim, demonstrará sua credibilidade e seu compromisso”, acrescentou Oliveras.

Por outro lado, o cardeal Carlos Osoro, em sua intervenção destacou a importância de educar na verdade para caminhar pela estrada da liberdade para criar uma autêntica cultura de proteção dos menores – algo que, confessou, preocupa o papa Francisco. Na mesa de experiência do Instituto João Paulo II na Espanha, o Projeto Repara (da arquidiocese de Madri), a Associação Betânia para acolhida e acompanhamento e o Centro Humanizar dos Camilos.

Um amplo caminho percorrido

A conferência de encerramento foi proferida por Hans Zollner, para demarcar a colaboração entre as instituições organizadoras do curso. O diretor do Centro para Proteção de Menores recordou as intervenções de João Paulo II em 2002, depois das revelações dos casos da Igreja de Boston. A partir daí repassou o caminho feito pelas igrejas nestes 20 anos, destacando que “basta de palavras, é hora de atuar, é o que o povo nos exige”.

Zollner destacou que nestas décadas elaboraram-se documentos, normas, protocolos, atualizações, encontros com vítimas – contou como o papa Francisco durante a pandemia esteve em contato com muitas vítimas –, opções... sendo o último elemento destacado a cúpula com os presidentes das conferências episcopais e o vade-mécum elaborado posteriormente.

Neste sentido, na Igreja o horizonte se abriu com transparência para as autoridades civis e eclesiásticas, a outras formas de abusos que não são somente de natureza sexual e de abuso infantil, ampliando o foco aos adultos vulneráveis, o fato de afrontar os casos de encobrimento... algo que se reúne no motu próprio “Vos estis lux mundi”, de 7 de maio de 2019. A partir disso proliferaram os escritórios diocesanos, muitos deles coordenados por leigos especializados.

Atender às vítimas

Depois dos passos dados na legislação, documentos ou passos dados pelos pontífices e as dioceses, Zollner destacou alguns desafios de futuro como “a atenção às vítimas: para seu próprio bem, o da Igreja e o da sociedade” insistindo em “cuidar dos traumatizados espiritualmente”. Outros desafios são “assumir a própria responsabilidade, buscar aliados, estabelecer lugares seguros e a renovação espiritual”.

O jesuíta pediu “receber a realidade da vítima com abertura” na escuta de sua perspectiva e sua dor. Ainda que reconheça que “escutar com o coração não é fácil quando uma pessoa te grita e está justamente agressiva” pelo que sofreu. Porém, é importante porque “somente escutando a realidade desta experiência pode compreender algo mais do que viveu e destruiu a vida e a fé de uma pessoa” na Igreja. Para isso rejeitou atitudes de autodefesa, criando espaço para dar voz e presença às vítimas, que “é com quem está Jesus e seu coração”.

 “O que está em minhas mãos? O que posso fazer?”

Isso se aplicas nas vezes que a Igreja, ante às críticas, não assumiu sua própria responsabilidade minimizando o problema ou sem compreende-lo completamente. Para Zollner, “a confiança posta na Igreja pelas vítimas em seu momento implica uma responsabilidade maior”. Por isso, apelou para contribuir pela conversão, purificação, humildade ou paciência. Para esta mudança, convido a buscar aliados para a proteção e a prevenção. Também convidou a ajudar a experiência profissional de uma auditoria independente mais além dos círculos eclesiais – neste sentido, abriu caminhos como o percorrido pela arquidiocese de Madri.

Outro resto é a formação, prevenção e a criação de ambientes de proteção seguros (o chamado safeguarding). Para isso pediu mudanças na formação dos leigos, religiosos e sacerdotes neste sentido. “O que está nas minhas mãos? O que posso fazer?” são perguntas-chaves que convidaram a se fazer pessoalmente e como Igreja para assumir as próprias responsabilidades e desenvolver as competências pessoais.

Também pediram uma “reforma espiritual” que possa “gerir as próprias resistências, incomodidade ante questões sobre a sexualidade, a fé, a liderança da Igreja... ou o cansaço para a questão da proteção”. Convidando a desenvolver uma “eclesiologia da vulnerabilidade” que cria na reconciliação respeito à comunidade e como consequência a Igreja ganhará em credibilidade. Inclusive convidando Zollner a levar à própria oração a atual missão da Igreja frente às vítimas. E destacou que a maioria das vítimas ainda estão dentro da Igreja.

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