Henri Bergson: uma mística para nosso tempo

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19 Agosto 2020

“‘A mecânica – escreve Bergson – exige uma mística’. O mundo contemporâneo sofre uma indigência espiritual que lhe impede de apreciar a força criadora da vida. A mística não é um privilégio das grandes almas. Há um místico escondido em cada ser humano”, escreve Rafael Narbona, escritor e crítico literário, em artigo publicado por El Cultural, 18-08-2020. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Henri Bergson dedicou sua vida a reivindicar o papel do espírito no desenvolvimento do ser. Frente aos que proclamavam a morte da metafísica, afirmando que era um saber tão caduco e estéril como a teologia, afirmou que os progressos da ciência só demonstravam seu sentido último na reflexão filosófica, um exercício de síntese que elabora uma perspectiva global, transcendendo o imediatismo e a dispersão do dado empírico. Bergson não empregou a linguagem especializada dos filósofos, mas uma prosa de enorme clareza e beleza que o fez ganhar o Nobel de Literatura de 1927. Longe de qualquer escolástica, seu estilo combateu a esclerose conceitual, sem renunciar ao rigor.

Sua intenção foi captar o movimento sinuoso da vida a partir dos últimos avanços da biologia. A vida não é simples matéria organizada por leis. Há um dinamismo interno que só se revela à intuição. A introspecção não é uma divagação subjetiva, mas um valioso caminho para a compreensão do ser como totalidade vivente e em perpétua transformação. Bergson não quis dar à luz um novo sistema filosófico, mas aumentar a inteligibilidade do real. Influenciado pelo evolucionismo de Spencer, questionou o positivismo e a filosofia kantiana, recorrendo a imagens poéticas, sempre mais fluidas que os conceitos. Sua beligerância sempre foi elegante. Nela, Merleau-Ponty apreciou uma “rebelde doçura”.

Bergson quis demonstrar que a autêntica vida está além dos símbolos, densos, estáticos e inflexíveis. A existência é duração, não um contínuo espaço-tempo. Só poderemos ser livres, se fizermos um esforço e conseguirmos viver conforme o ritmo da duração. Na duração está nosso eu profundo, que não se encontra sujeito aos determinismos que nos condicionam na vida diária. Os estados de consciência não se sucedem de forma linear e homogênea. São variáveis, heterogêneos, penetram-se e cada um expressa a totalidade da alma. A duração não é quantificável. Acreditamos que é possível medir o tempo porque o projetamos no espaço, como fez Zenão de Eleia com seus paradoxos. Somos duração, o que significa que somos um ser em progresso: mudança perpétua.

Em seu “Ensaio sobre os dados imediatos da consciência” (1889), Bergson destaca que o positivismo não é fiel aos fatos. Altera a realidade para que sua interpretação coincida com os instrumentos de medicação do saber empírico. O tempo da mecânica é um tempo especializado. Faz coincidir o movimento de um objeto em um espaço determinado com o movimento das agulhas do relógio em um quadrante. Esse procedimento iguala todos os instantes, como se fossem unidades que se sucedem mecanicamente, fragmentos homogêneos que desfilam em um passo uniforme. Desse modo, a consciência não percebe o tempo, a não ser como rememoração do passado e antecipação do futuro.

Só a consciência é capaz de ligar o já acontecido e o que está para acontecer. Essa vivência é o que Bergson chama de “duração”. Fora da duração, o passado e o futuro não existem. A unidade do ser desaparece. Desintegra-se em uma sucessão de instantes descontínuos. Na duração, cada instante possui uma significação diferente. Alguns desaparecem sem deixar rastros e outros perduram, incidindo no futuro. É o que acontece no remorso, em que o passado não deixa de condicionar o presente. Não é possível recuperar o tempo perdido, mas, sim, mantê-lo vivo. Em definitivo, o tempo é duração, vida irreversível que se renova a cada instante: “nosso passado nos acompanha e cresce continuamente, por meio do presente que recolhe ao longo do caminho”.

O tempo especializado é útil para a ciência. Permite elaborar teorias e realizar prognósticos, mas trata-se apenas de um modelo orientado a registrar regularidades e periodicidades. No caso do ser humano, não existem dois acontecimentos idênticos. A consciência abriga o rastro de seu próprio passado e uma previsão do futuro. Nosso eu é uma unidade em devir, com uma personalidade indivisível. Quando nossos atos são costumes adquiridos, atuamos de forma mecânica e não somos livres, mas quando procedem de nossa personalidade como conjunto, da vida enquanto duração, alcançamos a genuína liberdade, que não é simples voluntarismo, mas uma síntese de todo o vivido.

Quanto mais nos aprofundemos na duração, mais livres e imprevisíveis serão nossos atos. Bergson, com sua elegância e fino raciocínio, não é um pensador recluso na pura especulação, mas um homem atento a seu tempo e comprometido com sua transformação. “Meus livros sempre foram a expressão de um descontentamento, de um protesto. Poderia ter escrito muitos outros, mas escrevi apenas para protestar contra o que me parecia falso”.

Henri Bergson nasceu em Paris, em 1859. Segundo de sete irmãos, seu pai, Michael Bergson, era músico, compositor e pianista. Judeu de origem polonesa, percorreu a Europa, sobrevivendo com base em aulas e concertos. Sua mulher, Katherine Lewison, era procedente de Doncaster, Yorkshire [Inglaterra].

Em sua juventude, Bergson mostra indiferença à religião judaica, adotando uma perspectiva agnóstica, mas herdará de sua mãe a sensibilidade espiritual. Em sua maturidade, evocará sua figura com enorme ternura: “Minha mãe foi uma mulher de uma inteligência superior, uma alma religiosa no sentido mais elevado da palavra e cuja bondade, devoção e serenidade, cuja santidade, seria possível dizer, causaram admiração em todos os que a conheceram”.

Em 1870, os pais de Bergson se instalam em Londres e deixam Henri no Liceu Bonaparte, onde em seguida se manifesta sua inteligência excepcional. Destaca-se em todas as disciplinas, mas, sobretudo, desponta nas matemáticas. Em 1877, obtém um prêmio por resolver um problema de Pascal sobre círculos tangentes. Das matemáticas, extrairá o ideal de precisão que aplicará à metafísica, seguindo os passos de Descartes. Seu outro modelo será Pascal e seu “esprit de finesse”, uma fórmula que lhe possibilitará combinar rigor e sentimento, ciência e espiritualidade. Ainda que a filosofia que estuda no Liceu lhe pareça retórica e vazia, realiza estudos filosóficos na Escola Normal Superior, onde coincide com Durkheim e Jean Jaurés.

Sempre será lembrado por seus companheiros por sua cortesia e pudor. Extremamente discreto e com certa repulsão ao contato físico, sempre será cuidadoso com seu aspecto e com sua forma de se expressar. Segundo os testemunhos, suas frases pareciam teoremas com uma tonalidade lírica. Charles Du Bos nos deixou um eloquente retrato: “Não é, claro, desumano, mas, por assim dizer, um ahumano: pequeno, mago secreto, furtivo, que conversa com alguém como se quisesse se retirar muito depressa. Quando é obrigado a estender a mão, pode-se dizer que o contato impacta e perturba algo nele. Inclusive, com a impossibilidade de encontrar o seu olhar, esse olhar completamente voltado para o interior, que evita o confronto direto”.

Professor de ensino secundário por vários anos, publica “Matéria e memória”, em 1896, que obtém um grande êxito. Em 1900, ocupa a cátedra de filosofia do Colégio de França, onde será professor até 1924. Nesse mesmo ano, surge “O riso. Ensaio sobre o significado do cômico”. Bergson sustenta que “não existe nada cômico fora daquilo que é propriamente humano”. O riso não se dirige ao coração, mas à inteligência. Em 1907, surge “A evolução criadora”, sua obra mais sistemática e ambiciosa. Eleito membro da Academia Francesa e premiado com o Nobel, publica, em 1932, “As duas fontes da moral e da religião”.

Em seus últimos anos, Bergson se aproximou do catolicismo, pois estimava que era o complemento necessário ao judaísmo. No entanto, renunciou à possibilidade da conversão por solidariedade às vítimas das políticas antissemitas do Terceiro Reich. Em seu testamento, escreveu: “Quis permanecer entre aqueles que amanhã serão perseguidos”. Quando os nazistas ocuparam Paris, abstiveram-se de incomodar Bergson, uma velha celebridade gravemente doente. Nunca lhe enviaram a ordem de se inscrever no registro criado para controlar – e, mais tarde, deportar – a população judia. Longe de aproveitar a dispensa, o filósofo se apresentou pessoalmente no registro para ser fichado. Sua presença causou uma verdadeira comoção. Bergson morreu em 1941, sem saber que destino era aguardado para uma Europa subjugada pela bota nazista.

A filosofia de Bergson foi muito popular. Em suas aulas comparecia a alta sociedade. Algumas damas enviavam suas criadas para que reservassem um assento na aula, horas antes da aparição de Bergson. Quando, enfim, subia ao estrado, fazia-se um silêncio reverencial. Pequeno, elegante, sério, não costumava carregar notas, nem livros. Sentava-se atrás de uma mesa e começava a falar com as mãos entrelaçadas. Sua testa enorme, seus olhos claros sob as sobrancelhas grossas, os traços delicados do rosto, transmitiam uma enorme força espiritual.

J. Chevalier, seu biógrafo, conta-nos: “Sua palavra era serena, nobre e rítmica, assim como sua postura. Com uma extraordinária segurança e uma precisão surpreendente, possuía uma tonalidade cativante e musical, e um defeito de aspiração que lhe acrescentava um toque de atrevimento”. A filosofia de Bergson não foi uma simples moda. Fascinou a Marcel Proust e Antonio Machado e, em nossos dias, despertou os elogios de Adam Zagajewski.

Sua luta contra o positivismo não significou o desprezo à ciência ou o desinteresse pelo universo físico. Em “A evolução criadora”, Bergson adverte: “O grande erro das doutrinas espiritualistas foi crer que isolando a vida espiritual de todas as outras coisas, suspendendo-a tão alta como se fosse possível acima da terra, estaria a salvo de todo perigo ou menosprezo”. Esse procedimento apenas retirava inteligibilidade da vida espiritual, rebaixando-a quase à categoria de miragem. Fiel à realidade, Bergson explicou a vida como a interação entre a energia espiritual e a matéria. A matéria opõe obstáculos, freia e degrada, mas também cria as possibilidades que permitem engendrar novas formas.

Em Matéria e memória, Bergson se propõe a “captar com mais clareza a distinção entre corpo e espírito, penetrando mais intimamente no mecanismo de sua união”. O pensamento não é uma simples função do cérebro, a consciência não é um epifenômeno. O cérebro não explica o espírito e a consciência contém infinitamente mais coisas que o órgão responsável por centralizar a atividade do sistema nervoso. Bergson distingue entre memória, lembrança e percepção.

A memória faz com que seja possível que o nosso passado nos acompanhe em sua totalidade, a cada momento. Tudo o que vivemos está aí, inclinado sobre o presente e disposto a o absorver. No entanto, o dia a dia nos exige ser seletivos, escolhendo apenas as lembranças que nos são úteis para abordar os desafios do presente. A percepção se ocupa desse trabalho, o que explica que o cérebro só recolha uma pequena parte do processo de consciência.

A observação empírica não é capaz de captar a complexa atividade da consciência, sua memória espiritual, que é a verdadeira fonte de nossos atos mais significativos, os que expressam nossa maneira de ser e nossa visão de mundo. A percepção se ocupa do presente, do imediato, do instante; a memória, do passado, que sempre permanece aberto e fundido com a totalidade de nosso existir. A memória é espírito; a percepção, movimento. Bergson considera que o espírito supera a todo momento os limites do tempo, lançando-nos para o futuro. A essência da vida é o crescimento do espírito, mediante sua luta contra a resistência da matéria.

Em “A evolução criadora”, Bergson se opõe à interpretação do universo de Descartes, que divide o real em “res cogitans” e “res extensa”. A vida não é matéria e espírito, mas uma totalidade viva, duração, criatividade sem fim, “elã vital”, impulso livre e imprevisível. A vida não para de crescer, iluminando novas formas. Não é mera recombinação de um número limitado de elementos e possibilidades. A vida é “ação que de maneira contínua se cria e se enriquece”, ao passo que a matéria “é ação que se dissolve e se desgasta”, tal como atesta o segundo princípio da termodinâmica.

A matéria carece de criatividade. É impulso vital degradado, mera resistência. A vida é “força explosiva”, “uma granada que explode em fragmentos”. Cada fragmento é uma nova granada, que explode, por sua vez, multiplicando a diversidade da vida. Não é um processo uniforme, mas um leque com direções divergentes. A consciência abriu passagem na matéria até gerar o ser humano, onde prevalece a inteligência, mas sobrevive “uma auréola de instinto”. Nem o instinto, nem a inteligência nos mostram a realidade em toda a sua complexidade: “Há coisas que só a inteligência é capaz de buscar, mas jamais a encontrará por si só, somente poderiam ser descobertas pelo instinto, mas este nunca as buscará”.

Só a intuição, que é instinto iluminado pela inteligência, pode nos conduzir ao interior da vida. A intuição é “a visão do espírito a partir do espírito”. É compreensão imediata e, ao mesmo tempo, consciente. A intuição é o fundamento da metafísica. Eleva-nos acima da condição humana. Se seu voo é muito alto, pode nos levar até a experiência mística. A inteligência divide o devir em momentos sucessivos, levando aos paradoxos de Zenão de Eleia, que negam o movimento. A intuição nos submerge no rio da vida, revelando sua unidade indivisível. Graças a ela, compreendemos que a vida é “uma onda imensa que se propaga a partir de um centro”. No homem, o “elã vital” é criatividade e engendra a arte, a filosofia, a moral, a religião. No resto das espécies, estanca-se na repetição de condutas eficazes para a sobrevivência.

Em “As duas fontes da moral e da religião”, Bergson aponta que a maioria das normas morais procedem da pressão social. O indivíduo transita pelo caminho que outros traçaram. Assimila os valores estabelecidos e os interioriza, sem refletir sobre eles. É o caso das sociedades fechadas, onde o indivíduo é uma parte do todo e só reconhece obrigações para com a nação, a família ou o clã. Este processo se interrompe quando se produz uma ruptura com os valores dominantes. Uma ruptura que exige estender as obrigações ao conjunto da família humana. É o que sucedeu com os ensinamentos dos cristãos, os sábios da Grécia e os profetas de Israel. Graças a heróis morais como Jesus, Sócrates e Isaías, vislumbrou-se a possibilidade de uma sociedade aberta, que não contempla exclusões ou preferências por vínculos familiares, raciais ou religiosos.

A moral da sociedade fechada é conformista, impessoal e estática. Baseia-se no costume e o preconceito. Cria tabus e afoga a liberdade. A moral da sociedade aberta é inovadora, dinâmica e inconformista. Até agora, todas as sociedades foram fechadas, mas os grandes mestres morais nunca deixam de nos incitar para a utopia de uma sociedade aberta, capaz de acolher a todos. “Entre a nação – por maior que seja – e a humanidade, existe a mesma distância que entre o finito e o infinito, o fechado e o aberto”. A moralidade aberta nasce do amor e institui um horizonte irrenunciável.

Bergson aplica a mesma distinção à religião. Há uma religião estática, fechada, baseada em mitos e fábulas, cujo objetivo é preservar a coesão social e aplacar os medos individuais. Frente a esta religião elementar e “infraintelectual”, ergue-se a religião dinâmica ou mística, que “é uma tomada de contato, e portanto uma coincidência parcial com o esforço criador que manifesta a vida. Este esforço pertence a Deus, se é que não é o próprio Deus”. O amor do místico a Deus é o mesmo amor com o qual Deus conhece a si mesmo: “Deus é amor e objeto de amor, nisto consiste todo o misticismo”.

Bergson considera que o misticismo contemplativo – como o oriental e o neoplatônico – é inferior ao misticismo que implica uma intervenção no mundo. Os místicos cristãos (Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Teresa de Jesus, Catarina de Siena, Joana d’Arc) utilizam o êxtase para empreender esforços que transformaram sua época. Não eram guiados pelo pragmatismo, mas pelo amor à humanidade. Para Bergson, a intuição mística – presente em todas as civilizações e culturas – é a única que pode oferecer uma prova segura sobre a existência de Deus, pois nasce do contato com o “elã vital”.

A humanidade precisa com urgência dos místicos. Nosso crescente domínio da natureza mediante a técnica hipertrofiou a dimensão corporal, confundindo o espiritual. Por isso, precisamos de “um suplemento de alma”. “A mecânica – escreve Bergson – exige uma mística”. O mundo contemporâneo sofre uma indigência espiritual que lhe impede de apreciar a força criadora da vida. A mística não é um privilégio das grandes almas. Há um místico escondido em cada ser humano: “Se as palavras de um grande místico (...) encontram ressonância em nós, não será porque existe em cada um de nós um místico um pouco adormecido, que somente espera a ocasião para despertar desse sonho?”.

Bergson foi sepultado pela fenomenologia, o positivismo lógico, o existencialismo e o estruturalismo. Seu pensamento foi considerado vago, impreciso, poético. Deixou de ser um autor da moda para se tornar um filósofo prematuramente caduco. Esse juízo ainda não foi revertido, mas a ideia de duração pode nos ajudar a superar o estreito horizonte das sociedades fechadas e das religiões estáticas. Nossa responsabilidade moral não se esgota em nosso entorno. Somos parte da família humana e todas as suas vicissitudes nos concernem. Não podemos continuar subscrevendo o discurso mitológico das religiões fechadas, mas devemos nos abrir ao espiritual. O místico não é um feito fantástico, mas uma compreensão imediata da força criadora que explica a diversidade do ser. O ser humano não pode prescindir da vida espiritual. Bergson nos oferece uma alternativa que salva nossa racionalidade e expande o nosso espírito. Não deveríamos desperdiçá-la.

 

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