As mudanças no uso da terra aumentam o risco de surtos de doenças zoonóticas

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07 Agosto 2020

A transformação global do ambiente natural para uso agrícola, pecuário e urbano alterou o equilíbrio das comunidades de animais selvagens. Um estudo liderado por várias instituições britânicas mostrou que as espécies que transportam doenças zoonóticas, conhecidas por infectar os seres humanos, beneficiam-se dessas mudanças no uso da terra.

A reportagem é de Eva Rodríguez, publicada por Público, 06-08-2020. A tradução é do Cepat.

"É difícil saber se o risco desse tipo de doença é maior agora do que no passado. No entanto, neste momento, existem muitos fatores que aumentam a probabilidade de que os surtos de doenças isoladas se convertam em epidemias importantes. Por exemplo, o mundo está muito mais conectado por estrada e por via aérea do que nunca, facilitando a propagação mais rápida de doenças para áreas mais densamente povoadas", disse ao Serviço de Informação e Notícias Científicas - SINC, Rory Gibb, coautor do estudo e cientista do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Meio Ambiente do University College London.

Para o estudo, os pesquisadores acessaram o PREDICTS, um banco de dados que reúne informações sobre espécies locais a partir de centenas de estudos sobre as comunidades ecológicas, ao longo de gradientes de perturbação da paisagem, da vegetação natural até os ecossistemas agrícolas e urbanos.

A equipe usou 6.801 localizações em todo o mundo para analisar como se transformam as populações e comunidades de espécies hospedeiras zoonóticas, em média, na medida em que as paisagens mudam da vegetação natural para os ecossistemas agrícolas, de pastos e urbanos.

“Descobrimos que, sob intensidades cada vez maiores do uso da terra por parte do ser humano, as comunidades ecológicas se deslocam até ficarem cada vez mais dominadas por espécies hospedeiras zoonóticas, particularmente em habitats secundários (recuperados), administrados (agrícolas e de plantações) e urbanos", ressalta Gibb.

O trabalho, publicado na revista Nature, pode servir de ajuda para prevenir futuros contágios por doenças originadas por hospedeiros de animais. "Existem algumas evidências de que novas zoonoses [patógenos novos e ainda não descobertos] estão surgindo em um ritmo cada vez maior e isso pode ser por causa do aumento das taxas de impactos causados pelo homem no meio ambiente e na biodiversidade", disse o coautor.

Mas, acrescenta: “essa tendência é difícil mensurar de maneira conclusiva. Sem dúvida, o uso de diagnósticos aprimorados e novas tecnologias genômicas nos ajudarão a avançar na detecção de novas doenças".

No entanto, essas respostas dependem do agrupamento de algumas espécies em particular: roedores, aves passeriformes e morcegos mostram uma divergência particularmente clara e forte entre as espécies hospedeiras e não hospedeiras, enquanto em carnívoros e primatas isso não se detecta, de acordo com o estudo.

Segurança alimentar

Os pesquisadores enfatizam que é possível que tenhamos que alterar a maneira como usamos a terra em todo o mundo, para reduzir o risco de futuros efeitos de contágio de doenças infecciosas.

A mudança global no uso da terra se caracteriza principalmente pela conversão de paisagens naturais para a agricultura, em particular para a produção de alimentos. "Nossas descobertas enfatizam a necessidade de gerenciar paisagens agrícolas para proteger a saúde da população local e, ao mesmo tempo, garantir sua segurança alimentar", aponta Kate Jones, coautora e pesquisadora do University College London (UCL).

Essas doenças zoonóticas, como o ebola, febre de Lassa e doença de Lyme, são causadas por patógenos que se espalham de animais para pessoas e têm um alto custo sanitário.

"A malária zoonótica, por exemplo, é transmitida entre primatas, mosquitos e pessoas nas margens das florestas no sudeste asiático. O vírus Nipah surgiu, pela primeira vez, em associação com interações entre gado e morcegos em paisagens agrícolas. Outra doença importante e generalizada é a doença de Lyme, cuja incidência é frequentemente maior em fragmentos de florestas modificadas e em recuperação, onde a comunidade ecológica é particularmente eficaz no transporte e transmissão da bactéria", afirma Gibb.

Os pesquisadores enfatizam que embora existam muitos outros fatores que influenciam os riscos de doenças, os resultados apontam para estratégias que podem ajudar a mitigar o risco de surtos de doenças infecciosas comparáveis com a covid-19.

"Na medida em que se prevê que as terras agrícolas e urbanas continuarão se expandindo nas próximas décadas, deveríamos reforçar a vigilância das doenças e a disposição naquelas áreas que estão experimentando uma grande quantidade de distúrbios da terra, já que é cada vez mais provável que tenham animais que podem abrigar patógenos nocivos", acrescenta Jones.

Por sua vez, David Redding, outro dos autores do UCL, destaca que o trabalho "fornece um contexto para refletir sobre mudanças mais sustentáveis, de modo que sejam levados em conta riscos potenciais, não apenas para a biodiversidade, mas também para saúde humana".

 

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