As reformas da igreja não resolvem a crise da fé. Drewermann, o crítico da igreja, completa 80 anos

Eugen Drewermann, em 2014. (Foto: Michael Bruns | Flickr CC)

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22 Junho 2020

O crítico da igreja Eugen Drewermann avalia ceticamente os esforços de reforma da Igreja Católica, bem como o percurso sinodal da Igreja na Alemanha. É claro que conversar com as pessoas é importante, "mas não resolve os problemas fundamentais da crise de fé que as pessoas enfrentam hoje no nosso mundo cultural ocidental", disse Drewermann, que completa 80 anos em 20 de junho, ao Evangelischen Pressedienst. (epd) em Paderborn.

A reportagem é publicada por Evangelischer Pressedienstin, 12-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na Alemanha, mais de 60% da população é da opinião que não há ressurreição ou esperança diante da morte, explicou o teólogo católico, autor de inúmeros livros. A visão de mundo ensinada pela Igreja não apresenta nenhuma resposta à dor e à morte, é a crítica de Drewermann: "A dor no mundo conduz ao ateísmo por desilusão".

A Igreja deve interpretar o mundo pela perspectiva das pessoas que sofrem social e psiquicamente, diz Drewermann. "Ali dentro temos que acompanhar Jesus, seguindo seu exemplo, quando ele impõe as mãos sobre os enfermos, leva conforto aos marginalizados, perdoa as culpas daqueles que se perderam", acredita o autor e psicoterapeuta. As pessoas só podem se tornar boas através da bondade. A psicanálise e a psicoterapia fizeram isso claramente e, a partir disso deve aprender a teologia na leitura da Bíblia.

Além disso, a Igreja deve engajar-se com muito mais força pela paz, liberdade e um estado justo, voltado para combater a exploração e o rearmamento. De fato, ele afirma, Jesus ensina que a paz não se constrói com armas e violência, mas com diálogo e compreensão mútuos. Os abusos na Igreja Católica, bem como as estruturas causadoras do mal, das quais ele havia tratado trinta anos atrás, em seu livro "Kleriker" ("Funcionários de Deus"), desde então "se desenvolveram em sentido ainda mais negativo", disse Drewermann. "As estruturas endureceram e, desta forma, toda estrutura acabou desabando".

Mas ele não está interessado em fazer uma crítica à Igreja, enfatizou o teólogo. "Estou interessado em libertar as pessoas das restrições internas e transmitir a mensagem de Jesus para que ela ajude no seu desenvolvimento pessoal, como acompanhamento na vida e para a compreensão mútua". Se isso é impedido na Igreja, causa enormes danos.

No início dos anos 1990, o arcebispo de Paderborn da época, Johannes Joachim Degenhardt, proibiu Drewermann de pregar e ensinar por causa de suas opiniões críticas em relação à Igreja. Desde então, Drewermann escreve livros, realiza conferências e desempenha atividades como terapeuta. Em 2005 ele saiu da Igreja Católica.

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