Uma revolução espiritual na Igreja. Por uma Igreja de múltiplas vozes, propõe D. Heiner Wilmer, bispo de Hildesheim, Alemanha

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08 Junho 2020

O jornal alemão Die Zeit publicou no dia 4 um artigo de Heiner Wilmer, bispo de Hildesheim e ex-superior geral dos religiosos dehonianos. Wilmer analisa não apenas com seus olhos, mas também com seu coração de homem de fé, os eventos recentes que marcaram a vida da humanidade e da Igreja: o Coronavírus, o escândalo dos abusos e as violências sexuais, a perda de confiança na instituição eclesial e seu distanciamento da realidade.

A reportagem é publicada por Settimana News, 04-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

São todas crises que, paradoxalmente, tocam o mundo e a Igreja; mostrando quase o inverso de um vínculo do qual não podem se dissolver. No entanto, esse vínculo pode se tornar destrutivo para ambas, quando se fossiliza em um mecanismo de acusação e justificativa, ataque e defesa. É tarefa da fé encontrar a saída desse círculo vicioso de ação-reação perfeitamente especulares entre si. Aproveitar "as crises como uma oportunidade para encontrar novamente o nosso caminho e poder estar aqui para os outros" (H. Wilmer).

Mas como? Em primeiro lugar, renunciando ao perfeccionismo eclesial, mas também àquele profissionalismo típico do catolicismo alemão, que se traduz em procedimentos tecnicamente "limpos" e irrepreensíveis, mas que na realidade são "uma prisão" para a fé concreta e seus ímpetos na história que vivemos: "O desafio para nossa Igreja é apoiar-se sim sobre as antigas fundações, mas estar realmente inserida nas ruas da nossa atualidade", onde homens e mulheres de todos os tipos, origens e culturas vivem suas vidas concretamente.

D. Wilmer retoma uma passagem de uma canção de Leonard Cohen como indicativa da Igreja que está por vir, como princípio de seu estilo que será: “Esqueça sua oferta perfeita. Em cada situação, tem uma rachadura. É assim que a luz pode passar”. Portanto, o que o catolicismo deve aspirar “não é a uma Igreja perfeita, mas uma comunidade de múltiplas vozes”.

E toda voz deve ser ouvida. Depois de fazer isso, o trabalho do bispo é também encontrar maneiras de fazer ecoar as vozes da fé de sua Igreja local naquela universal - vozes que podem ser desconfortáveis, que podem não agradar, mas que têm o direito de falar e de serem devidamente ouvidas. Cada uma dessas vozes é aquela rachadura de que Cohen canta - o que nos lembra "que a vida perfeita, mesmo a perfeita vida religiosa da fé, não existe". Toda vida, toda têm suas rachaduras - às vezes doem, é claro, mas a partir delas é que entra a luz, passa a generosa atenção de gestos inesperados de proximidade, pode passar a nossa vida frágil e fragmentada em direção a Deus. “Precisamos ter um olhar sensível para os corações feridos de hoje, para as rachaduras na vida dos outros, para as rupturas em nossas próprias existências”.

A Igreja é uma instituição e, portanto, as questões institucionais devem ser levadas a sério; mas, de acordo com D. Wilmer, não basta parar e se limitar a mexer na arquitetura institucional da Igreja. Devemos nos perguntar qual é o sentido disso, se ainda existe um; por que uma fé vivida se condensou lentamente naquela forma institucional? "Muito mais importante do que a questão de saber se a Igreja Católica deve ordenar padres homens casados e mulheres é perguntar-se que sentido o ministério ordenado tem hoje." A partir disso, é preciso começar a encontrar a resposta para a primeira; caso contrário, corremos o risco de colocar apenas remendos aqui e ali sem realmente renovar a Igreja.

E somente uma revolução espiritual pode salvar a Igreja de si mesma: “A revolução espiritual de que precisamos é esta: devemos nos tornar pessoas que estão à procura. Somente quando reconhecermos o quanto o mundo mudou, então ousaremos implementar uma transformação radical de nossa Igreja". É no mundo e do mundo que a Igreja aprende o realismo do Evangelho que lhe é confiado. Portanto, não apenas uma Igreja em saída, mas uma Igreja que, saindo do mito de sua própria perfeição, possa se descobrir cheia de rachaduras que deixam passar a luz do Evangelho que anuncia. Somente essa rachadura no aparato institucional pode permitir que a Igreja desfrute do calor do raio de luz trêmulo que também a deseja tocar.

 

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