A comunidade de Bose à prova

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29 Mai 2020

O decreto, assinado pelo secretário de Estado, cardeal Parolin em 13 de maio e aprovado de forma específica pelo Papa Francisco, não deixa alternativa: o ir. Enzo Bianchi, dois outros monges e uma freira terão que abandonar Bose e se mudar para outro lugar. O texto foi lido e apresentado aos diretos interessadas em 26 de maio (e posteriormente à comunidade) pelo delegado pontifício, pe. Amedeo Cencini, acompanhado por D. J.R. Carballo, secretário do dicastério para religiosos, e por Mons. M. Arnolfo, arcebispo metropolitano de Vercelli.

Devido à notoriedade das personalidades envolvidas, as notícias explodiram na mídia, deixando um longo rastro de perguntas entre os muitos fiéis (e não) que conhecem o mosteiro e suas múltiplas atividades.

O comentário é de Lorenzo Prezzi, publicado por Settimana News, 28-05-2020.

Escrever sobre o pós-concílio na Itália não será possível sem cruzar em alguns pontos relevantes com o ir. Enzo Bianchi e a comunidade monástica que ele fundou em Bose (Biella), em 8 de dezembro de 1965. Da formação cristã para muitas gerações jovens à redescoberta do monasticismo, do cuidado litúrgico (a comunidade tem seu próprio ritmo e textos para a oração de salmo) à reflexão teológica (alimentada pela editora Qiqajon), do cultivo estético (música, arquitetura, arte sacra) ao anúncio dentro da cultura contemporânea, da prática do "duplo mosteiro" (homens e mulheres) ao diálogo com a inteligência laica, da fidelidade ao concílio (mesmo em tempos difíceis) à prática ecumênica (com protestantes, anglicanos e ortodoxos), da presença na mídia (confiada em particular ao Ir. Bianchi) à crítica social em nome da "diferença cristã": tudo isso será necessário levar em consideração para uma avaliação geral.

Exercício de autoridade

Limitando a atenção às disposições do Vaticano, deve-se fazer referência à visita canônica, motivada "por certos aspectos problemáticos relacionados ao exercício da autoridade, à gestão do governo e ao clima fraterno" na comunidade hoje liderada pelo monge Luciano Manicardi, após a renúncia de Bianchi em 2017.

Confiada ao abade pe. Guillermo Leon Arboleda Tamayo, ao pe. Amedeo Cencini e à abadessa Anne-Emmanuelle Devêche, poucos anos após uma visita anterior, a visita ocorreu entre 6 de dezembro de 2019 e 6 de janeiro de 2020. As visitas canônicas seguem um específico padrão: ouvir cada coirmão e coirmã, ter encontros com a comunidade e uma relação compartilhada entre os visitantes que depois são transmitidos à autoridade competente para as decisões sobre o assunto.

Normalmente, os visitantes dão amplo espaço ao diálogo pessoal do qual indiciam as principais passagens. O resultado expressa a opinião amplamente compartilhada, embora não unânime, da comunidade. As decisões da autoridade superior muitas vezes refletem as expectativas prevalecentes. O caso de Bose é complicado pelo fato que a comunidade não é reconhecida na Ordo monasticum, portanto, não possui as formas jurídicas e administrativas clássicas das abadias, nem o sistema de pesos e contrapesos comuns aos mosteiros.

Nem Bianchi nem os outros monges interessados nas disposições fazem parte do clero e a comunidade não se reporta ao dicastério dos religiosos. As orientações jurídicas são menos precisas, mesmo que, por ser um decreto com a autoridade papal, não permita ulteriores recursos. No comunicado da comunidade se lembra o exercício do máximo respeito pelos direitos de privacidade das partes interessadas. "A partir da notificação do decreto, a anunciada recusa das providências por alguns destinatários resultou em uma situação de confusão e desconforto" e aconselhou tornar públicos os nomes.

Se a maioria destaca as dificuldades relacionadas ao exercício da autoridade do fundador e seu condicionamento do governo, a minoria pede a oportunidade de salvar a identidade específica de Bose do perigo de "normalização": uma tensão que atravessa tanto os irmãos como as irmãs.

Perturbação

A perturbação de uma parte significativa do catolicismo italiano está ligada não tanto a um ofuscamento da imagem de Bose, mas ao risco de que ela possa se direcionar a um ocaso, se não mesmo a uma implosão, com base em motivações que não envolvem motivos graves, como abusos nem aspectos relevantes da fé.

A coerência entre o magistério papal de Francisco e o testemunho monástico de Bose desaconselha uma leitura da oposição institucional e orienta para uma tensão predominantemente interna. No aguardo de novos desenvolvimentos e da evolução das decisões pessoais, o convite é acompanhar sua jornada com o apoio da oração.

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