Bispo introduz linguagem neutra de gênero em certificados batismais

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08 Janeiro 2020

"Metz-Noblat pede aos seus companheiros de episcopado que adotem uma prática neutra de gênero nos certificados de batismo nas respectivas dioceses já que isso parece 'o mais apropriado para os nossos tempos'", escreve Robert Shine, em artigo publicado por New Ways Ministry, 06-01-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

O bispo encarregado de lidar com questões de direito canônico na França está encorajando os seus colegas de episcopado a usarem uma linguagem neutra quanto ao gênero em seus certificados batismais em uma iniciativa para que sejam mais acolhedores a pais LGBTQs.

Dom Joseph de Metz-Noblat, da Diocese de Langres, fez esta recomendação em carta de 13-12-2019 aos bispos franceses na qualidade de presidente do Conselho para Questões Canônicas, ligado à conferência episcopal nacional. Nela, Metz-Noblat escreve que a “situação cada vez mais complexa das famílias na França” tem feito surgir desafios para a prática pastoral, especialmente em relação ao batismo. E continua:

“Sabendo que, segundo o cânon 843, ‘os ministros sagrados não podem negar os sacramentos àqueles que oportunamente os pedirem’ e que os filhos não podem ser responsabilizados pela situação dos pais, muitas chancelarias estão sendo confrontadas com problemas de vocabulário nas expressões a serem usadas.

Um trabalho conjunto foi feito pela Comissão para a Reforma de Atos Administrativos da Igreja da França, pela Comissão para o Trabalho Pastoral, Litúrgico e Sacramental e pelo Conselho para Questões Canônicas. Aprovado pelo Conselho Permanente, o formulário anexado volta-se principalmente para os batizados, fazendo uma declaração simples da situação familiar, sem realizar um julgamento moral sobre a situação”.

Modelo para o novo certificado batismal com linguagem neutra de gênero. (Leia aqui)

Metz-Noblat conclui a carta pedindo aos seus companheiros de episcopado que adotem uma prática neutra de gênero nos certificados de batismo nas respectivas dioceses já que isso parece “o mais apropriado para os nossos tempos”.

A carta do religioso inclui ainda um modelo de certificado. Em vez de se ler “filho/filha de ______ e ______”, como vinha sendo feito, o certificado proposto diz “Nomes e sobrenomes dos pais ou detentores de autoridade parental” com espaços abaixo e uma área para observar o estado civil dos pais. No entanto, as linhas para as assinaturas dos padrinhos assinarem ainda mostram “Padrinho” e “Madrinha”.

Batizar filhos de pais LGBTQs é uma forma de abertura para um acompanhamento pastoral mais acolhedor, iniciativa apoiada por um número crescente de líderes eclesiásticos, incluindo o Papa Francisco. Mudanças parecidas a esta proposta por Metz-Noblat poderiam facilmente ser expandidas em nível mundial dentro dos parâmetros do direito canônico e doutrinais existentes, como aconteceu na Colômbia e na Espanha. Além de ajudar os pais em relações homoafetivas, tornar neutros quanto ao gênero os registros católicos e adaptá-los às necessidades LGBTQs pode grandemente ajudar os fiéis transgêneros e intersexos também (como ocorreu recentemente nas Filipinas).

Embora muitos ministros pastorais disponibilizem batismos assim há algum tempo, reformas estruturais como a de adaptar os certificados de batismo fazem-se necessárias para que haja uma inclusão plena. Os bispos franceses agirão com sabedoria se adotarem a linguagem neutra proposta e se abrirem as portas ainda mais para que todos os que desejam ser batizados se sintam acolhidos.

 

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