O Papa na Bulgária: não fechem o coração a quem bate nas fronteiras

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06 Mai 2019

Trinta anos depois do fim “do regime totalitário que aprisionava liberdades e iniciativas”, o país búlgaro “tem que enfrentar as consequências da emigração”. Pois, "a vocês, que conhecem" esse "drama, permito-me sugerir que não fechem os olhos, o coração e a mão - como é próprio de vossa tradição – a quem bate às suas portas". O Papa Francisco falou isso em seu discurso às autoridades e à sociedade civil búlgaras, em Sófia, na presença do Presidente da República Rumen Radev. Foi a primeira intervenção do Pontífice em sua 29ª viagem apostólica internacional, durante a qual também visitará a Macedônia do Norte, na terça-feira. Assim, o Papa, três semanas antes das eleições europeias, se encontra em um estado da UE que ele define de “ponte entre a Europa do leste e aquela do sul".

A reportagem é de Domenico Agasso Jr, publicada por Vatican Insider, 05-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

A bordo do voo papal para Sofia, Francisco expressou seu agradecimento pelo título "Salvar a Europa" do livro escrito por Enzo Romeo, correspondente do Tg2, e presenteado pelo próprio autor a Bergoglio. "Eu gosto deste título", comentou Francisco. Ele também falou brevemente com o jornalista sobre o fato de que o símbolo da UE - a coroa de estrelas - se origina na imagem da Imaculada Conceição. "Não quiseram mencionar as raízes cristãs, mas Deus se vingou assim", comentou com ironia o Papa.

A visita à Bulgária, país que ele definiu de "um ponto de encontro entre múltiplas culturas e civilizações, porta aberta para o Oriente próximo", para o papa Francisco "idealmente pretende vincular-se àquela realizada por São João Paulo II em maio de 2002 e realiza-se em grata memória da presença em Sofia, por cerca de uma década, do então Delegado Apostólico D. Angelo Giuseppe Roncalli”, explicou.

O futuro Papa São João XXIII "sempre levou em seu coração sentimentos de gratidão e de profunda estima por vossa nação, a ponto de afirmar que, onde quer que fosse, sua casa estaria sempre aberta a vocês, sem necessidade de dizer se católico ou ortodoxo, mas apenas: irmão da Bulgária”.

O Papa Roncalli "trabalhou incansavelmente para promover a colaboração fraterna entre todos os cristãos e com o Concílio Vaticano II, por ele convocado e presidido em sua primeira fase, deu grande ímpeto e incisividade ao desenvolvimento das relações ecumênicas".

Francisco, falando na Piazza Atanas Burro, fez votos nessa ocasião para que "toda religião, chamada a promover harmonia e concórdia, ajude o crescimento de uma cultura e de um ambiente permeados pelo pleno respeito à pessoa humana e à sua dignidade, estabelecendo conexões vitais entre diferentes civilizações, sensibilidades e tradições e rejeitando toda violência e coerção. De tal modo, vamos derrotar aqueles que tentam por todos os meios manipulá-la e explorá-la”.

Refletindo sobre a atualidade do país balcânico, Francisco afirmou: "Agora, neste momento histórico, trinta anos após o fim do regime totalitário que aprisionava liberdade e iniciativas, a Bulgária precisa enfrentar as consequências da emigração, que ocorreu nas últimas décadas, de mais de dois milhões de seus concidadãos em busca de novas oportunidades de trabalho". Ao mesmo tempo, "como muitos outros países do velho continente", precisa acertar as contas "com o que pode ser considerado um novo inverno: aquele demográfico, que caiu como uma cortina de gelo em grande parte da Europa, consequência de uma diminuição da confiança no futuro".

Segundo o Pontífice, "o declínio dos nascimentos, portanto, combinado com o intenso fluxo migratório, levou ao despovoamento e ao abandono de muitas aldeias e cidades". Além disso, a Bulgária "se vê confrontada com o fenômeno daqueles que tentam entrar em suas fronteiras, para escapar de guerras e conflitos ou da pobreza, e tentam alcançar de qualquer maneira as áreas mais ricas do continente europeu, para encontrar novas oportunidades de existência ou simplesmente um refúgio seguro".

Dirigindo-se ao Presidente Radev, o Papa acrescentou: "Conheço o empenho com o qual os governantes deste país, há anos, têm se esforçado para criar as condições para que, especialmente os jovens, não sejam obrigados a emigrar. Eu gostaria de encorajá-lo a continuar neste caminho, a realizar todos os esforços para promover condições favoráveis ​​para que os jovens possam investir suas novas energias e planejar seu futuro pessoal e familiar, encontrando na pátria condições que permitam uma vida digna”.

E para "vocês, que conhecem o drama da emigração, permito-me sugerir que não fechem os olhos, não fechem o coração e não fechem a mão - como é próprio de sua tradição - para quem bate às suas portas".

O Papa Francisco depois se dirigiu de carro ao "Palácio do Sínodo", em Sófia, onde encontrou o patriarca da Igreja Ortodoxa da Bulgária, Neofit e o Santo Sínodo. Ao chegar, foi recebido pelo metropolita da Europa Ocidental e Central, Antonio.

O primeiro ministro búlgaro, Bojko Borisov, doou a Bergoglio um grande frasco de iogurte búlgaro muito apreciado na Argentina. Francisco comentou que a primeira vez que ouviu falar da Bulgária foi quando sua avó Rosa lhe serviu precisamente o iogurte búlgaro.

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