Bulgária: uma viagem ao martírio

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06 Mai 2019

João XXIII de 1925 a 1935 foi visitante apostólico e depois delegado apostólico na Bulgária. Ele escreveu no L'Eco di Bergamo, em 1928: “Este povo amado merece admiração. Eu o conheço há três anos e posso dizer que se trata de um povo corajoso, sério e trabalhador, inteiramente dedicado ao desejo de viver em paz, desejoso de curar as feridas da última guerra e seguir o caminho do progresso”. Antes de deixar a Bulgária, confidenciou ao jornal Utro: “Deixo o país como vosso amigo. Eu vi que o povo búlgaro é um dos mais laboriosos e honestos. Levo comigo lembranças maravilhosas da Bulgária”.

A reportagem é de Francesco Strazzari, publicada por Settimana News, 03-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Tendo tomado o poder, de 1948 a 1952, o partido comunista desencadeou uma feroz e implacável perseguição contra os católicos tanto do rito latino como oriental, que também envolveu um bom número de ortodoxos. Dos 2.440 sacerdotes ortodoxos, 316 foram presos e trancados no campo de concentração da ilha de Belene. Nenhum deles traiu a fé e se rendeu ao regime, embora este tenha recorrido à tortura e lavagem cerebral.

Dom Evgenij Bosilkov, bispo de Nicópolis, passionista, foi condenado à morte e teve todos os bens apreendidos. Ele foi beatificado em Roma em 1998 por João Paulo II. Em 26 de maio de 2002, três religiosos assuncionistas foram beatificados por João Paulo II na Bulgária: Kamen Vicev, Josif Siskov, Pavel Dzidzov.

Uma fresta para os católicos búlgaros abriu-se quando Todor Zivkov, secretário-geral e presidente do Conselho de Estado da República popular Búlgara, visitou o Vaticano para ter acesso aos arquivos em vista das celebrações do 13º centenário da conversão dos búlgaros ao cristianismo (681 d.C.). Zivkov permitiu que a Santa Sé nomeasse dois bispos para as dioceses vagas.

Os diplomatas do Vaticano, com Mons. Agostino Casaroli à frente, foram várias vezes para a Bulgária para buscar junto às autoridades comunistas a permissão de ensinar educação religiosa aos jovens, a autorização para a formação de aspirantes ao sacerdócio, a permissão para que algumas congregações religiosas pudessem desempenhar sua missão e que centros de culto fossem abertos.

Com a eleição de João Paulo II, em outubro de 1978, tudo pareceu piorar. O regime estava envolvido em uma intensa luta contra o papa polonês. O próprio card. Casaroli, que amava intensamente o país, tendo permanecido lá de 3 a 10 de novembro de 1976, foi ferozmente atacado. Até mesmo alguns sacerdotes foram usados para criar divisões dentro da comunidade católica. Mas as igrejas estavam lotadas e somente dentro delas podiam ser feitas procissões, às quais os fiéis participavam com muita devoção.

Somente em 1988, após exaustivas negociações, o núncio itinerante Mons. Francisco Colasuonno conseguiu consagrar bispo de Plovdiv um sacerdote de 38 anos, Gheorghi Jovcec.

As perseguições em massa contra católicos búlgaros começaram com dois processos farsa em 1950 contra os padres Damjan Gjulov, Robert Prustov e Stefan Cokov, condenados a muitos anos de prisão em regime rígido e à confisca dos seus bens.

Em 1952, o padre Josif Toncev foi condenado e executado em 1953. No final de junho e julho de 1952, algumas dezenas de religiosos católicos e vários fiéis, a estimada elite da Igreja Católica na Bulgária, foram presos por atividades subversivas contra o Estado. Em outubro de 1952, o tribunal búlgaro pronunciou 40 sentenças de condenação.

Em novembro do mesmo ano, realizou-se um segundo processo contra seis padres católicos e três leigos católicos. Além dessas condenações, muitos sacerdotes, frades e freiras do rito latino e bizantino-eslavo foram presos nas famigeradas "casas de trabalho e educação" e obrigados aos trabalhos forçados.

Em 12 de março de 1953, foi promulgado o decreto secreto n. 88, em virtude do qual todos os bens, as escolas e as instituições sociais da Igreja Católica na Bulgária eram confiscados.

A queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, também arrastou o regime comunista búlgaro. A comunidade católica contou os mártires.

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