"Como o núncio foi hipócrita ao obstruir a nomeação do embaixador homossexual"

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18 Fevereiro 2019

Frédéric Martel, jornalista e sociólogo, é o autor de "Sodoma", livro que está sendo publicado simultaneamente em vinte países, em que o Vaticano é descrito como uma das “maiores comunidades homossexuais do mundo".

A entrevista é de Anais Ginori, publicada por La Repubblica, 16-02-2019.  A tradução é de Luisa Rabolini

O sociólogo comenta a atuação do núncio apostólico em Paris, D. Luigi Ventura, acusado de molestar sexualmente um jovem funcionário público francês.

Eis a entrevista.

Na entrevista que conduziu em todo o mundo, tratou do núncio Luigi Ventura?

Seu nome aparece várias vezes, a primeira vez na época que era um dos colaboradores do Secretário de Estado Agostino Casaroli, sobre quem no livro, com base em muitos testemunhos, levanto a hipótese que tenha se movimentado no universo homossexual do Vaticano.

O que outros sinais biográficos você encontrou?

Quando Ventura se tornou fiel a Angelo Sodano, foi nomeado para várias funções até o cargo de núncio no Chile, no momento em que estava em andamento o escândalo dos abusos sexuais da Igreja. Para muitos advogados das vítimas com que falei, Ventura é um dos vários prelados que teria acobertado o escândalo ligado a Fernando Karadima, o padre chileno condenado por abusos sexuais.

Você considera que Ventura estava ciente dos abusos?"

É difícil imaginar que não estivesse ciente. Mas qual fosse a sua posição e quais as suas comunicações com a Santa Sé, não estou apto a dizer.

Existem outras zonas de sombra que foi possível reconstruir?"

Em 2009, Ventura foi nomeado núncio apostólico em Paris. É claro que Ventura não é próximo do Papa Francisco, pois nenhum dos vários nomes propostos pelo núncio para a nomeação do novo arcebispo de Paris acabou sendo escolhido. Ele é uma figura marginalizada porque pertence à oposição ao Pontífice. Mas o fato mais grave não é esse.

Qual seria?

De acordo com minha reconstrução, é Ventura que participou em 2015 da campanha contra a nomeação de Laurent Stefanini como embaixador da França junto à Santa Sé. Foi ele quem contribuiu para que chegassem até o Papa rumores sobre a homossexualidade de Stefanini que circulavam nos ambientes franceses.

Uma campanha eficaz, visto que Stefanini não foi nomeado embaixador.

Tudo começou com uma batalha interna no Quai d'Orsay porque outro embaixador queria aquele posto em Roma. É risível ter lançado uma campanha desse tipo, porque nos ambientes diplomáticos franceses os homossexuais são muitos.

Por que, então, funcionou?

No passado, houve outros embaixadores homossexuais junto à Santa Sé, mas isso não era um fato público. No final acabou prevalecendo o código não escrito que vigora no Vaticano, o ‘código do esqueleto no armário’, ou seja, tolerar a homossexualidade dos sacerdotes e bispos, se necessário beneficiando, mas sempre mantendo o segredo. A tolerância anda de mãos dadas com a discrição. Agora que Ventura, embaixador em Paris da Santa Sé, é acusado de assédio sexual, todo o episódio da não nomeação de Stefanini mostra uma esquizofrenia e uma hipocrisia abismais.

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