O Credo de Paulo VI. 50 anos depois

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03 Julho 2018

Hoje, 30 de junho, completa-se o 50º aniversário da proclamação do “Credo do Papa Paulo VI”, redigido em grande parte (a partir, obviamente, do texto de Niceia), pelo filósofo francês Jacques Maritain.

A reportagem é de Josep Miquel Bausset, publicada por Religión Digital, 30-06-2018. A tradução é de André Langer.

De 22 de fevereiro de 1967 a 30 de junho de 1968, a Igreja, por expressa vontade do Papa Montini, comemorou o Ano da Fé, para assim recordar os Santos Pedro e Paulo, por ocasião do 19º centenário do martírio desses apóstolos. Aquele Ano Santo terminou no dia 30 de junho de 1968, exatamente 50 anos atrás, com a proclamação do “Credo do Povo de Deus”, que desenvolvia o texto do Concílio de Niceia com uma série de complementos.

No dia 12 de janeiro de 1967, o cardeal e teólogo suíço Charles Journet escreveu uma carta a Maritain para comunicar-lhe que em breve se encontraria com o Papa Paulo VI. O filósofo francês respondeu ao cardeal revelando-lhe que tinha uma ideia que queria lhe propor: “Que o Papa redigisse uma profissão de fé completa e detalhada, na qual se explicitasse tudo o que contém o Símbolo de Niceia. Esta seria, na história da Igreja, a profissão de fé de Paulo VI”.

O cardeal Journet, sem que Maritain soubesse, repassou ao Papa uma cópia da carta que lhe havia escrito o filósofo Maritain propondo-lhe esta ideia de escrever o Credo.

No dia 14 de dezembro do mesmo ano de 1967, Paulo VI recebeu novamente o cardeal Journet, que lhe apresentou novamente a ideia de Maritain sobre a redação de um Credo. O Papa Montini comentou com o cardeal que no final do Concílio Vaticano II já o tinham aconselhado a promulgar um novo Símbolo da Fé e que o Papa tinha pedido ao teólogo francês Yves Congar para que preparasse um texto, que foi finalmente arquivado.

Foi então que Montini disse ao cardeal Journet: “Preparem-me vocês um esboço do que pensam que deveria ser feito”. Journet passou a Maritain este encargo do Papa, e o filósofo, no início de 1968, em Paris, redigiu um texto que passou para o cardeal e este, por sua vez, ao Papa.

De fato, o texto de Maritain queria ser apenas um esboço para ajudar o cardeal Journet a redigir um texto completo. Mas o cardeal enviou ao Papa o Credo de Maritain, sem mais nenhum acréscimo. É preciso lembrar que durante os anos cinquenta o filósofo Maritain estava prestes a ser condenado pelo Santo Ofício devido ao seu pensamento filosófico, suspeito de “naturalismo integral”. Se a condenação não prosperou, foi em grande parte pela defesa que Montini (naquele momento substituto da Secretaria de Estado) fez de Maritain.

Assim, em 6 de abril, chegou a Roma uma carta do teólogo Benoit Duroux, consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, elogiando o texto do Credo de Maritain. Desta maneira, no dia 30 de junho de 1968, há exatos 50 anos, o Papa Paulo VI pronunciou solenemente, na Praça São Pedro, o Credo do Povo de Deus, baseado fundamentalmente no texto que Maritain escrevera, com algumas poucas modificações.

O Credo de Paulo VI, que proclama a fé na Santíssima Trindade e desenvolve o Símbolo de Niceia, começa proclamando a fé em um único Deus, “Criador das coisas visíveis e invisíveis e também Criador, em cada homem, da alma espiritual e imortal”. Este Deus, que “é amor”, engendrou o Filho, “por quem todas as coisas foram feitas” e que “habitou entre nós cheio de graça e de verdade”. É Jesus que “anunciou e fundou o Reino de Deus” e que “nos deu o seu novo mandamento”, ensinando-nos “o caminho das bem-aventuranças do Evangelho”. Jesus, como “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, morreu por nós e ressuscitou pelo seu próprio poder no terceiro dia”. O Credo de Paulo VI também proclama a Virgem Mãe de Deus como a “nova Eva” e, portanto, “Mãe da Igreja”.

O Credo, além disso, afirma que o Espírito Santo “ilumina, vivifica, protege e rege a Igreja”. Este texto, que confessa “um só batismo instituído por Jesus Cristo para a remissão dos pecados”, proclama a fé na “Igreja edificada por Jesus Cristo sobre a rocha que é Pedro”. Uma Igreja que é “o corpo místico de Cristo, Povo de Deus que peregrina aqui na terra”. O Credo de Paulo VI, que afirma que também “fora da estrutura da Igreja encontram-se muitos elementos de santificação e de verdade”, destaca que “a missa é verdadeiramente o sacrifício do Calvário”.

O Credo de Paulo VI lembra o comentário ao Credo feito Mossèn Josep Maria Rovira Belloso, que faleceu no dia 16 de junho passado, no qual esse teólogo proclamava sua fé como uma atitude que “dá lugar à esperança cheia de vida eterna e à caridade efetiva e universal”. Além disso, este Credo de Paulo VI lembra o “Credo que deu sentido à minha vida”, do padre José María Díez-Alegría.

Este texto, do qual hoje comemoramos os 50 anos de sua solene proclamação, foi como que o símbolo do Concílio Vaticano II, que se reuniu de 1962 a 1965 em nome da Santíssima Trindade, para levar o Evangelho a todo o mundo e para abrir na Igreja o necessário aggiornamento que levasse o ar fresco da Boa Nova a toda a humanidade.

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