Arnaud Beltrame, um militar nas pegadas de São Maximiliano Kolbe

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26 Março 2018

O gesto do tenente coronel que tomou o lugar de um refém no supermercado de Trebes lembra aquele do franciscano que se sacrificou em Auschwitz. Na véspera do Domingo de Ramos, seu sacrifício tem um eco muito especial.

A reportagem é de Alexia Vidot, publicada por La Vie, 23-03-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ele arriscou a sua vida para salvar outra. O gesto do tenente-coronel Arnaud Beltrame, que voluntariamente substituiu um refém no supermercado de Trebes e ficou gravemente ferido* lembra outro igualmente heroico. Como não voltar em pensamento para São Maximiliano Kolbe (1894-1941)? Para salvar um pai de família, o franciscano polonês aceitou livremente enfrentar um trágico fim no campo de extermínio de Auschwitz. A cena, encarnação viva do Evangelho da Paixão, que será lido neste Domingo de Ramos, ficou gravada na nossa memória.

Em 31 de julho de 1941, por volta das 15h, as sirenes soaram ao máximo no campo de concentração. Um homem escapou. Dez inocentes serão condenados. Um terror silencioso abate-se sobre os prisioneiros alinhados.

De repente, um dos designados à morte irrompe em soluços: "Minha esposa! Meus filhos!". O desespero de Francisco Gajowniczek não atinge o coração da pedra dos SS. Mas chega ao coração do franciscano Padre Kolbe, que sai da fila e dá alguns passos à frente. Ele pára em frente do Kapó abismado.

"Herr Kommandant, eu gostaria de fazer um pedido", declara com seu boné na mão. "O que você quer?". "Eu gostaria de morrer no lugar deste prisioneiro", ele responde indicando o pai de família em lágrimas. O torturador dá um passo para trás, em silêncio, então grita, "Quem é você?". "Um padre católico".

Depois de alguns segundos de um silêncio fúnebre, a resposta é como o estalo de um chicote: "Pedido aceito"

Com um pontapé, Francisco Gajowniczek é mandado de volta entre os prisioneiros alinhados. Ele não consegue entender o que aconteceu e que vai além do que poderíamos ter imaginado: ele, o condenado, vai viver, porque um homem ofereceu sua vida por ele. Uma vez que os prisioneiros haviam recebido a ordem de se dispersar, o "sobrevivente" só pode agradecer com seu olhar o salvador. E com aqueles olhos estarrecidos, seguir o grupo de condenados levados para o bloco 11, às masmorras onde seriam enterrados vivos.

"Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez", afirma São Paulo (Rm 5,7). Mas para um estranho? Assim como o tenente-coronel Arnaud Beltrame no supermercado de Trebes sacrificou-se para uma pessoa inocente, o Padre Kolbe não conhecia aquele Francisco Gajowniczek a não ser através de Jesus. Através de Deus é que nós somos todos irmãos.

" Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. " (Jo 15:13), Cristo disse na véspera da sua paixão. E João insiste: " Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. " (1 Jo 3:16).

Esse mandamento do amor da redenção - desinteressado, gratuito, perfeito - Maximiliano Kolbe o vivenciou sangue por sangue. Em outubro de 1982, decidindo canonizar seu compatriota como um mártir, João Paulo II questionou: "Aquela morte enfrentada espontaneamente pelo amor ao homem, não representa uma realização específica das palavras de Cristo? Não torna Maximiliano extremamente semelhante a Cristo, modelo de todos os mártires que dá sua vida na cruz pelos seus irmãos?".

O Ministro do interior Gérard Collomb definiu o comportamento do policial como "um ato heróico".

Para os cristãos, na véspera do Domingo de Ramos, assume uma dimensão maior.

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