Espanha. Mais da metade dos jovens católicos não se sente compreendida pela Igreja

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13 Dezembro 2017

Os jovens católicos sentem-se em sua maioria ouvidos (60%) pela Igreja, mas não compreendidos (54,03%). É o que se depreende de uma pesquisa da qual participaram mais de cinco mil jovens católicos espanhóis e cujos resultados serão enviados ao Sínodo dos Bispos, que será realizado no Vaticano em outubro do próximo ano, e cujo tema central será “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

A reportagem é de Laura Daniele, publicada por ABC, 12-12-2017. A tradução é de André Langer.

A pesquisa foi elaborada pelo próprio Vaticano e adaptada pelo Departamento de Juventude da Conferência Episcopal Espanhola antes de ser enviada para as dioceses e as congregações religiosas para a coleta das informações. Entre as principais conclusões, a pesquisa destaca que os jovens pedem “mais abertura da Igreja” e que “os acolha sem julgamento”. Eles também pedem que ela “seja mais moderna”, que utilize “uma linguagem de hoje e que não seja excessivamente moralista”. Dos pastores, reclamam mais proximidade, e das celebrações litúrgicas que “sejam mais vivas”.

“Estes dados nos colocam na atitude de perguntar o que estamos fazendo e como o estamos fazendo. Fazemos esforços, mas talvez não sejam os mais apropriados. Nossas propostas podem não chegar aos jovens como pensávamos”, disse Raul Tinajero, diretor do Departamento de Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal, durante a apresentação da síntese desta pesquisa, que foi elaborada com as respostas recebidas de 47 dioceses, 12 movimentos, 12 congregações religiosas e dois institutos seculares.

Longe do pessimismo, Tinajero disse que esta análise qualitativa da relação dos jovens com a Igreja destaca a importância de promover “uma pastoral da juventude centrada no acompanhamento pessoal”, já que a maioria “pede mais tempo e pessoas para ouvi-los”. Entre os desafios pendentes, os jovens também enfatizam que a Igreja deve estar mais presente “na rua e nas redes sociais”, porque são “espaços de encontro com os jovens que não frequentam os ambientes eclesiais”.

Durante a apresentação, Tinajero destacou a importância de que a Igreja “tenha centrado sua preocupação nos jovens”. “É nosso momento e temos que aproveitá-lo cem por cento para tentar dar respostas às preocupações dos jovens para o bem da Igreja em geral”.

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