Cápsulas de café, isopor e garrafas PET são os maiores inimigos da reciclagem

Lixão de garrafas PET | Foto: Reprodução / Internet

Mais Lidos

  • Índia. Medo da repressão: igrejas alertam não cristãos para que não frequentem celebrações religiosas

    LER MAIS
  • Lições de humanidade: o papa excomunga todos os partidos de extrema-direita. Artigo de Mario Giro

    LER MAIS
  • Vivemos num momento em que ou a esquerda se torna capaz de fazer as pessoas sonharem com outro mundo, ou elas vão ser engolidas, afirma o pesquisador

    Eleições 2026: a violência que atinge as periferias e a necessidade de imaginar outros mundos possíveis. Entrevista especial com Orlando Calheiros

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

25 Julho 2017

São aterrorizantes os impactos causados por três gêneros de produtos que se popularizaram rapidamente mundo afora sem que a humanidade tenha conseguido assegurar a destinação inteligente deles no momento em que são descartados como resíduos. Todos são recicláveis, mas isso não é suficiente para que tenham valor na cadeia produtiva que coleta e reinsere esses produtos no mercado.

O artigo é de André Trigueiro, jornalista, publicado por Folha de S. Paulo, 23-07-2017.

A maior parte das cápsulas de café, por exemplo, não é reciclada. Algumas estimativas dão conta de que, se essas cápsulas fossem enfileiradas lado a lado, seria possível dar, no mínimo, dez voltas e meia em torno do planeta.

No início do ano passado, Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha, resolveu banir as cápsulas de café das repartições públicas para não agravar a situação. Será que George Clooney – um dos atores mais politicamente corretos do cinemão americano – já se arrependeu de ter emprestado seu charme às cápsulas?

Enquanto isso, o isopor se multiplica assustadoramente no varejo, sendo cada vez mais utilizado para a fabricação de copos, pratos, bandejas e caixas que levam, no mínimo, 150 anos para se decompor.

O preço baixo explica a popularidade do isopor, que, embora seja reciclável, é leve demais para despertar o interesse dos catadores que ganham seu sustento a partir do peso dos materiais. Em vários lugares do mundo, o volume crescente de isopor se tornou um pesadelo. Nos Estados Unidos, pelo menos 70 cidades (entre as quais Washington, São Francisco e Seattle) decidiram banir as embalagens de isopor.

O tempo que você levou para chegar até essa parte do texto foi suficiente para que a humanidade descartasse mais 900 mil garrafas PET por aí. A cada segundo, 20 mil garrafas PET são jogadas fora no mundo.

O descarte de materiais plásticos assombra a comunidade científica. Em 65 anos, a produção foi multiplicada por 183 (4,8 milhões de toneladas por ano em 2015), sendo que apenas 5% disso chegam a ser reciclados.

Boa parte desses materiais vai parar nos oceanos e, ao ser confundida com alimentos, provoca a morte de aproximadamente 100 mil espécies marinhas por dia. Esse lixo vai se degradando lenta e progressivamente até virar microplástico (do tamanho de bactérias), entrar na cadeia ecológica e parar dentro de nós quando ingerimos frutos do mar.

A humanidade dispõe de tecnologia para virar esse jogo, promover uma ampla reengenharia de processos inspirada no ecodesign e não emporcalhar dessa forma a nossa "casa comum". Enquanto isso não acontece, faça a sua parte: discrimine – ou descarte adequadamente – esses e outros produtos reconhecidamente ameaçadores aos nosso equilíbrio e bem-estar.

Leia mais