Ecumenismo e a busca da paz podem levar Francisco ao Sudão do Sul

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01 Março 2017

No domingo, o Papa Francisco confirmou que quer ir ao Sudão do Sul, país devastado pela guerra, junto com o arcebispo anglicano Justin Welby. Se a viagem se confirmar, ela será mais uma excursão que o pontífice fará na tentativa de tornar realidade a mensagem de paz, misericórdia e de construção de pontes nessa região do mundo onde ela é extremamente necessária.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 27-02-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Já nos primeiros dias de seu pontificado, o Papa Francisco prometeu um número reduzido de viagens ao exterior se comparado com os números de seus antecessores. No entanto, em menos de quatro anos ele já fez 17 viagens para fora da Itália, visitando 26 países.

Algumas destas viagens já estavam decididas antes que seu pontificado começasse. Outras, todavia, refletem as prioridades de Francisco e, por vezes, equivalem a tentativas desesperadas de um homem que tenta, de todas as formas, tornar realidade uma mensagem de paz, misericórdia e de construção de pontes.

É por isso que visitou a República Cento-Africana em 2015, e este é o mesmo motivo pelo qual ele deseja ir ao Sudão do Sul em 2017. Uma guerra em curso não o deteve antes e, pelo que tudo indica, uma outra situação belicosa não será mais forte do que ele também dessa vez.

Há meses fala-se sobre uma possível visita papal ao mais jovem país do mundo, possibilidade que ganhou força com a visita, no fim do ano passado, de uma delegação ecumênica do Sudão do Sul ao Vaticano.

Em outubro, o arcebispo católico Paulino Lukudu Loro (de Juba), o Reverendo Daniel Deng Bul Yak (arcebispo da Província da Igreja Episcopal do Sudão do Sul e do Sudão) e o Reverendo Peter Gai Lual Marrow (moderador da Igreja Presbiteriana do Sudão do Sul) viajaram a Roma a convite do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, hoje parte do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.

Como esperado, os três fizeram um convite para que Francisco visite o país africano. No entanto, propuseram-lhe que faça a visita juntamente com Justin Welby, arcebispo anglicano de Canterbury.

Já é um marco das viagens de Francisco a combinação de um ecumenismo com o trabalho social nas periferias. Lembremos a visita feita à ilha grega de Lesbos onde falou a favor dos refugiados na companhia do Patriarca Bartolomeu de Constantinopla em abril passado, por exemplo, ou as visitas à Armênia e ao Azerbaijão, onde esteve constantemente cercado por outros dignitários religiosos.

O papa está claramente comprometido com a causa ecumênica, como mostrou a sua visita à Suécia para o 500º aniversário da Reforma Protestante, e para uma visita que também lhe colocaria em um país periférico em extrema necessidade de cura, fica fácil imaginar que ele fará de tudo para conseguir agendar a viagem.

No domingo, quando visitava a Paróquia da Igreja Anglicana de Todos os Santos em Roma, o papa confirmou este desejo ao falar que a delegação ecumênica do Sudão do Sul lhe havia pedido: “Por favor, venha ao Sudão do Sul, pelo menos por um dia, mas não venha sozinho, venha com Justin Welby”.

“Estamos vendo se é possível, ou se a situação lá está muito perigosa”, disse Francisco. “Mas temos de fazer essa viagem, porque elas – as três comunidades cristãs – querem paz e estão trabalhando juntos pela paz”.

Segundo o sítio ReliefWeb, do departamento das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, estima-se que 7.5 milhões de pessoas em todo o país necessitam de assistência humanitária e proteção.

Desde que começou o conflito étnico em dezembro de 2013, cerca de 3.4 milhões de pessoas foram forçadas a sair de suas casas, incluindo aproximadamente 1.9 milhão de pessoas que foram deslocadas internamente e 1.5 milhão que fugiram para países vizinhos como refugiados.

Atrocidades horrendas vêm sendo relatadas por várias agências humanitárias, incluindo violência sexual, com civis fugindo de ataques comandado pelo governo e por tropas rebeldes.

A insegurança alimentar e a desnutrição dispararam, problemas que, segundo os bispos dos país, se juntaram aos problemas do desemprego, da inflação alta e de chuvas escassas, o que quer dizer que está, neste momento, num momento crítico.

Em 20 de fevereiro, a ONU declarou escassez de alimentos em algumas regiões do país, dizendo que 100 mil pessoas estão à beira da fome, com um milhão de pessoas dirigindo-se para o mesmo destino.

“Os nossos piores temores se realizaram”, diz em nota Serge Tissot, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura no Sudão do Sul. “Muitas famílias esgotaram todos os meios de sobrevivência que tinham”.

Citando dados governamentais, as estimativas dos bispos sudaneses são ainda piores: 4.9 milhões de pessoas estarão passando fome em abril e cerca de 5.5 milhões em julho.

A ONU descreve a situação como “uma escassez de alimentos provocada pelo homem” – causada pela guerra civil que dividiu o exército juntamente com as fronteiras étnicas.

Uma disputa política entre o presidente Salva Kiir e o líder rebelde Riek Machar, que fugiu do país, levou a assassinatos na capital e a combates que se espalharam por todo o território.

A BBC informa que Machar está na África do Sul, para onde foi em julho passado, depois que um frágil acordo de pez se rompeu.

O plano original era que Kiir e seu ex-vice-presidente, e não os líderes cristãos, se encontrassem com o Papa Francisco no Vaticano, mas Machar não pôde ser encontrado para receber o convite.

De acordo com Erkolano Ludu Tombe, bispo de Yei, “todo mundo, inclusive nãos cristãos, ficaram felizes ao ouvir que o papa talvez venha ao Sudão do Sul”.

Em entrevista à Rádio Vaticano, Ludu Tombe falou que, desde que o papa manifestou sua esperança de vir ao país, os sul-sudaneses estão rezando para que a visita se torne possível.

Ele também declarou que a Igreja Católica está assumindo um papel ativo no processo de mediação e diálogo, pois “faz parte da missão da Igreja contribuir para a construção da paz e do diálogo”.

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