COP 13: o desafio da maior extinção de espécies desde os dinossauros

Imagem: Wikimedia Commons

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14 Dezembro 2016

O Brasil tem a responsabilidade sobre uma megabiodiversidade espalhada por seus seis biomas principais e por centenas de outros cenários ambientais, como a costa marítima de quase 10 mil quilômetros com seus mangues e áreas oceânicas. Ignacy Sachs, economista de tripla nacionalidade, brasileiro, francês e polonês, definiu o atual período geológico da Terra como “antropoceno”, onde explica que a influência humana sobre o planeta, os biomas e sua biodiversidade é de tal maneira arrasadora que pode ser comparada a uma das extinções em massa ocorrida nas eras geológicas.

A reportagem é de Dal Marcondes, publicada por Envolverde, 12-12-2016.

Um dos impactos mais importantes da ação humana é a extinção de espécies ao redor do planeta, desde grandes animais, assim com de plantas e organismos menores. Para se ter uma ideia do desconhecimento que ainda vigora sobre o tema, os cientistas não tem nenhum consenso sobre o número de espécies existentes na Terra, que pode ser de 5 milhões ou de 30 milhões. Ou pode ser ainda muito mais do que isso.

Justamente pelo desconhecimento ainda profundo da realidade, é preciso estabelecer regras que permitam conter esse genocídio da natureza, que pode levar, em um grau maior, à extinção da própria humanidade. Esse é o foco da COP 13 – Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica, que acontece na cidade mexicana de Cancún, de 2 a 17 de dezembro. O Brasil leva a essa COP propostas que incluem, principalmente, proteção florestal, planejamento espacial marinho, ecoturismo, agricultura sustentável e segurança alimentar.

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Sarney Filho, está apresentando na reunião sua principal pauta para a proteção de biodiversidade na América do Sul, que é a consolidação de corredores do Projeto Áreas Protegidas da AmazôniaARPA, e a importância dos Corredores Ecológicos na América Latina, além da defesa da implantação do conjunto de Metas de Aichi, um conjunto de objetivos para reduzir a perda da biodiversidade a nível mundial decididos durante a COP 10, realizada em Nagoia, no Japão, e que estabelece uma Plano Estratégico de Biodiversidade com vigência de 2011 a 2020.

São basicamente cinco objetivos Estratégicos, delimitados em 20 metas, que preveem:

  • Tratar das causas fundamentais de perda de biodiversidade, através da conscientização do governo e sociedade das preocupações com a biodiversidade;
  • Reduzir as pressões diretas sobre a biodiversidade e promover o uso sustentável;
  • Melhorar a situação da biodiversidade, através da salvaguarda de ecossistemas, espécies e diversidade genética;
  • Aumentar os benefícios de biodiversidade e serviços ecossistêmicos para todos;
  • Aumentar a implantação, por meio de planejamento participativo, da gestão de conhecimento e capacitação.

“O papel do Brasil nessa COP é fundamental” explica o diretor da Fundação Amazonas Sustentável, Virgílio Viana, que está no México a convite da Associação Nacional de Autoridades Ambientais Estatais daquele país. Para ele a Amazônia é um bioma de visibilidade global e que enfrenta o desafio de proteger a biodiversidade e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento e a inclusão de uma população de deca de 25 milhões de pessoas.

Viana dirige uma entidade que tem desenvolvido inúmeras políticas de inclusão social e econômica associada à preservação e manejo da biodiversidade, entre elas o Bolsa Floresta, instituído pelo governo do Estado do Amazonas e gerenciado pela Fundação Amazonas Sustentável – FAS. Em sua participação, no último dia 9, defendeu uma ação coordenada dos países da América do Sul, em especial da Amazônia, para a implantação das Metas de Aichi. Além disso, a Fundação também foi destaque no painel “Instrumentos financeiros para o fortalecimento das capacidades das autoridades ambientais na América Latina. Federalismo, descentralização e governança”, em parceria com a organização The Nature Conservancy.

Já neste último final de semana os mais de 190 países reunidos em Cancún conseguiram estabelecer alguns consensos, entre eles que “A vida no planeta Terra e nosso futuro comum estão em jogo”. Também reconheceram que “É urgente tomar medidas contundentes de forma responsável para garantir a sobrevivência da riqueza biológica”. Essas declarações contundentes estão em linha com um comunicado da organização WWF, de que em 2020 “é possível que o mundo seja testemunha de uma diminuição de dois terços da fauna mundial em apenas 50 anos”. No entanto, o diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Pnuma, Erick Solheim, alertou que os documentos apresentados pelos países para a COP 13 demonstra que muito pouco foi feito em direção ao cumprimento das Metas de Aichi, “nesse ritmo podemos não cumprir o prazo de 2020”, disse, mas ressaltou que é apenas uma questão de decisão política, orque a natureza, com sua grande resiliência, “é capaz de cumprir sua parte”. 

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