Evangélicos esperam se beneficiar de nova lei eleitoral

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Agosto 2016

Potenciais beneficiárias da nova legislação eleitoral, igrejas evangélicas articulam candidaturas próprias para ampliar a bancada na Câmara Municipal de São Paulo.

As denominações pretendem usar a influência de líderes religiosos e a presença de candidatos em atividades internas para eleger ao menos cinco vereadores, além dos dez que tentam renovar o mandato.

A reportagem é de Thais Bilenky, publicada por Folha de S. Paulo, 05-08-2016.

Na disputa pela prefeitura, a possibilidade de Celso Russomanno (PRB) ter a candidatura barrada pela Justiça favoreceu João Doria (PSDB), que obteve gestos de simpatia de lideranças como o bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, e o pastor Silas Malafaia.

A redução da campanha para 45 dias, a restrição de plataformas de propaganda e a proibição de doações de empresas tendem a favorecer segmentos com base eleitoral formada, como igrejas.

De olho nisso, denominações lançam candidaturas próprias como as de João Jorge (PSDB) e Gilberto Nascimento Jr. (PSC) pela Assembleia de Deus - Ministério Madureira, que se empenha também na reeleição das vereadoras Noemi Nonato (PR) e Sandra Tadeu (DEM).

A Assembleia de Deus do Belém, sem vereador na atual legislatura, lançará Rute Costa (PSD). Filha de seu presidente, José Wellington Bezerra da Costa, sua eleição é dada como certa no setor.

A igreja do Evangelho Quadrangular lançou o pastor Rinaldi Digiglio (PRB) e a Plenitude do Trono de Deus, a irmã Anita (PRB).

Algumas campanhas devem esbarrar, contudo, no veto à presença de candidatos no púlpito. A prática é comum e pouco fiscalizada, embora vetada desde 1997, observou o advogado especializado em eleição Ricardo Penteado, que atuará na campanha de Marta Suplicy (PMDB).

Para ele, a minirreforma eleitoral trará "desequilíbrios" e "algumas forças podem ser utilizadas indevidamente como os cultos".

O pastor Wilton Acosta, articulador político do PRB para igrejas evangélicas, afirmou que "a falta de conhecimento da legislação pode fazer com que a gente cometa uma série de equívocos".

"A participação de candidatos nas atividades internas, sua presença com a turma da igreja em uma reunião de bairro, isso pode ser caracterizado como trabalho eleitoral e, para nós, é voluntário. Traz bastante temor", disse.

Expansão

Malafaia, pastor no Rio de Janeiro, disse que vai ajudar de "50 a 60 candidatos" pelo país – em São Paulo, será Gilberto Nascimento Jr.

"As bancadas vão aumentar, porque, quando você tem uma demanda ideológica, cresce o voto nos representantes", disse o pastor.

Ele citou o que evangélicos chamam de "ideologia do gênero" –a concepção combatida pelo programa da Escola sem Partido segundo a qual crianças desenvolvem a orientação sexual no decorrer de sua formação.

"Querem botar na goela da sociedade o que foi rejeitado pela Câmara e o Senado. Isso provoca a necessidade de manifestar a nossa cidadania."

Segundo Malafaia, a mobilização de fiéis se dará por meio de santinhos distribuídos em portas de igrejas e, especialmente, pelas redes sociais. "Nós temos uma vantagem: está provado que ninguém usa rede social mais que as igrejas evangélicas, porque somos comunidades. Isso é muito poderoso".

Malafaia disse que Doria "faria bonito" se eleito, assim como Russomanno, "se não for cassado".

O tucano "é simpático e preparado para esse tempo de crise e dificuldade", disse.

Bispo Rodovalho, da Sara Nossa Terra, disse que com os dois há "mais abertura de diálogo" e "reciprocidade rápida". Ele afirmou que Russomanno, "ao nosso ver, "tem muito pouca chance de manter candidatura".

O deputado Missionário José Olimpo (DEM-SP), da Igreja Mundial do Poder de Deus, disse crer que a bancada evangélica passará a representar 30% dos vereadores paulistanos. "A tendência é sempre aumentar, porque o crescimento do povo evangélico é grande no país."

Olimpo lembrou o crescimento de 15% da bancada evangélica na Câmara dos Deputados em 2014.