A revolta dos teólogos postos no Índex pelo ex-Santo Ofício

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26 Abril 2016

Para alguns, eles são profetas. Para outros, ao contrário, são hereges. Eles se consideram apenas simples teólogos, reunidos, no entanto, por um destino ingrato. Isto é, pelo fato de que, nos últimos anos, a Congregação para a Doutrina da Fé, o Santo Ofício de antigamente, os "colocou no Índex", por causa das suas respectivas posições teológicas, ou seja, lhes impôs o silêncio, chegando também, às vezes, à proibição do ensino ou até à excomunhão.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 25-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas agora, fortalecidos pela chegada ao sólio pontifício de Francisco, que, em abril de 2014, lembrou as injustiças sofridas pelo "herege" Antonio Rosmini – "Hoje a Igreja, graças a Deus, sabe se arrepender", disse –, tomaram coragem e escreveram ao cardeal Gerhard Ludwig Müller – depois de Levada, sucessor de Ratzinger na Congregação – pedindo que tudo mude.

Ou seja, que os processos, muitas vezes conduzidos pelo ex-Santo Ofício em segredo, sem chamar as pessoas diretamente interessadas para testemunhar e com sentenças que caem do céu "como se estivéssemos na época do absolutismo do século XVI e XVII", tornem-se públicos, "com prazos rigorosos", com conversas "face a face", nas quais os acusados possam expôr as suas razões e chegar a uma "justa justiça".

Os teólogos, ao todo, são 15. Alguns são bispos. Outros, simples professores. Entre eles, também mulheres. Eles chegaram à notoriedade, especialmente nos países anglo-saxões, apesar da sua vontade, precisamente pelas censuras vaticanas. Sentenças que chegaram quase do nada e, acima de tudo – e esta é a acusação mais grave movida pelos 15 –, depois que, contra eles, foram produzidos dossiês anônimos ou dos quais era difícil compreender a paternidade.

Antes dos 15, quem também sabe alguma coisa a respeito disso são os muitos teólogos da libertação postos no Índex pela Cúria dos dois últimos pontificados. Muitas vezes, partes de aulas universitárias, excertos de artigos publicados em revistas teológicas, grandes trechos de discursos públicos foram extrapolados, editados de forma proposital e, por fim, enviados ao Vaticano, para que, Catecismo e magistério dos papas à mão, teólogos às vezes inimigos dos próprios autores dos dossiês fossem censurados. E, como resultado, as suas carreiras acadêmicas fossem detidas.

A carta dos 15 teólogos, enviada há algumas semanas e tornada pública nos últimos dias pelo National Catholic Reporter, pede que o cardeal Müller mude as regras, porque não é com denúncias anônimas que o seu dicastério poderá se elevar, ao mesmo tempo, como "investigador, acusador, juiz e júri".

Diz o padre Tony Flannery, padre irlandês vítima do ex-Santo Ofício pelas suas iniciativas em favor de uma reforma da Igreja em matéria de moral sexual, afirma: "Eu acredito que o modo pelo qual a Congregação se comporta é um escândalo na Igreja. Farei tudo o que eu puder para tornar isso conhecido. O sigilo sobre o qual ela se baseia é a arma do opressor. Por esse motivo, eu me recuso a permanecer em silêncio".

Entre os outros teólogos, destacam-se os nomes do historiador australiano Paul Collins, da Ir. Jeannine Gramick, já sob investigação pelo seu ministério feito junto às pessoas homossexuais, da teóloga Elizabeth A. Johnson, da beneditina espanhola Ir. Teresa Forcades e do bispo australiano Bill Morris, culpado, como escreveu a agência Adista, "por ter hipotetizado o sacerdócio feminino".

E ainda o padre Roy Bourgeois, excomungado por ter participado de uma ordenação feminina, e o padre Charles Curran, forçado a abandonar o ensino na Universidade Católica da América, em 1986, depois de ter sido considerado não idôneo para lecionar teologia por causa das suas opiniões sobre as questões sexuais.

Francisco conhece bem um certo modo totalmente curial de frear, ao som de dossiês, as carreiras de teólogos e bispos. Como arcebispo de Buenos Aires e presidente da Conferência Episcopal Argentina, muitas vezes ele via serem rejeitados pelo Vaticano os seus candidatos para as nomeações episcopais.

Mas a história não é apenas recente. Ainda nos tempos da Humanae vitae, muitos teólogos morais ilustres, como Häring, Mongillo, Chiavacci, Valsecchi e outros, foram reduzidos ao silêncio, enquanto carreiras eclesiásticas eram construídas apenas com a defesa de uma interpretação restrita daquela encíclica.

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