06 Outubro 2026
“O risco de ataques contra alvos na Alemanha é real. Moscou está apostando em nossa fragilidade. Precisamos confrontá-la”, enfatizou Martin Jäger durante uma audiência no Parlamento alemão.
A reportagem é de Rodrigo Ponce de León, publicada por El Diario, 05-10-2026.
“O confronto que enfrentamos com a Rússia assumiu uma nova e mais perigosa dimensão.” Com essas palavras, o chefe do serviço de inteligência alemão, Martin Jäger, explicou ao Parlamento alemão, na segunda-feira, a situação que seu país e a Europa enfrentam diante do aumento dos ataques híbridos e da pressão que Moscou exerce sobre a Europa. “A Alemanha corre o risco de se envolver em um conflito violento com a Rússia; a tentativa de ataque em Leipzig é apenas um exemplo”, enfatizou Jäger em seu discurso, segundo a Reuters.
O ataque com drones ao aeroporto de Leipzig, atribuído pela Comissão Europeia e pela OTAN à Rússia, representou um ponto de virada na escalada de ataques híbridos contra a Europa. Somando-se a essa escalada de ameaças, na última quinta-feira a OTAN confirmou que o Kremlin ameaçou usar armas nucleares caso a Aliança Atlântica bloqueasse Kaliningrado. Posteriormente, o presidente russo, Vladimir Putin, confirmou as advertências, estendendo-as a todo o território da Federação Russa.
“A Rússia está travando uma guerra secreta contra nós. Essa guerra não declarada não pode ser categorizada dentro das estruturas militares ou jurídicas usuais. A Rússia está nos testando e observando atentamente como lidamos com essa situação. Da perspectiva do Kremlin, qualquer sinal de hesitação os convida a aumentar ainda mais a pressão sobre a Alemanha”, declarou o chefe do serviço de inteligência alemão.
Os alertas de Jäger coincidem com a visita do chanceler alemão Friedrich Merz a Kiev, onde chegou no domingo para apoiar o governo ucraniano. Merz declarou: “A Ucrânia enfrenta semanas cruciais pela frente. É por isso que viajei hoje a Kiev com a mensagem: vocês podem contar conosco. A segurança da Alemanha depende do resultado desta guerra. É por isso que também estamos ajudando, para nosso próprio benefício. Se a Rússia não for detida, sua máquina de guerra, mais cedo ou mais tarde, se voltará contra nós.”
“O risco de ataques contra alvos na Alemanha é real. Moscou está apostando em nossa fragilidade. Precisamos confrontá-la”, enfatizou Jäger. O chefe da inteligência alemã acrescentou que outros países da OTAN, especialmente os Estados Bálticos, seriam alvos de “ações russas seletivas e de baixo impacto”.
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A Rússia solicitou que o pessoal diplomático em Kiev deixe a capital ucraniana, enquanto se prepara para intensificar sua campanha de bombardeios. O chefe do serviço de inteligência alemão alertou que "a Rússia está determinada a colocar a Ucrânia de joelhos neste próximo inverno. Devemos esperar ataques russos de uma severidade e brutalidade sem precedentes."
A Alemanha é o principal doador de armas e apoio financeiro da Ucrânia. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou no último sábado que "fábricas de armas em países europeus que produzem armamentos para a Ucrânia são potenciais alvos militares da Rússia".
Assim como Merz, Jager comentou que apoiar a Ucrânia é “essencial” para a Alemanha, porque, caso contrário, a Europa “teria que enfrentar sérias consequências. Não podemos cair na ilusão de que, se a guerra na Ucrânia terminar, o conflito com a Rússia também terminará”.
Russia's missiles and drone violations of Moldova’s airspace over recent days are unacceptable. The Kremlin is putting lives at risk across the continent. The European Peace Facility remains the backbone of Moldova's defence modernisation. Our support through the Facility now stands at €317 million euro, making Moldova the second-largest recipient worldwide. My press conference with Prime Minister @Vasile_Tofan and @MartaKosEU following the EU-Moldova Association Council ↓
— Kaja Kallas (@kajakallas) October 5, 2026
Entretanto, o chefe da diplomacia da UE, Kakha Kallas, condenou na segunda-feira o alegado ataque russo com mísseis e drones contra a Moldávia. A presidente moldava, Maia Sandu, informou no sábado que vários mísseis Banderol e drones atingiram o seu país durante um ataque russo direcionado à Ucrânia.
“As violações do espaço aéreo da Moldávia por mísseis e drones russos nos últimos dias são inaceitáveis. O Kremlin está colocando vidas em risco em todo o continente”, disse Kallas.
Sandu observou que drones russos violaram o espaço aéreo moldavo mais de 45 vezes este ano. Neste caso, o exército moldavo registrou explosões em cidades no sudeste do país, perto da região ucraniana de Odessa.
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