Fim da escala 6×1 vai ao plenário do Senado sob pressão das urnas

Foto: Agência Brasil

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06 Outubro 2026

Avanço da bancada de extrema direita no Senado e resultado de Flávio (PL) no 1º turno para o Planalto alteram correlação de forças para aprovar a pauta; fim da 6x1 é desejado por 70% da população.

A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por ExtraClasse, 05-10-2026.

O plenário do Senado Federal deve iniciar nesta terça-feira, 6 de outubro, os cinco dias de debates da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 no país. Será a primeira sessão deliberativa após o primeiro turno das eleições, que confirmou Senado mais à direita em 2027. Para aprovar a matéria, é preciso 49 votos favoráveis no Senado em dois turnos de votação.

A mudança na correlação de forças frustrou a estratégia do governo Lula (PT) de pautar a matéria após o 1º turno das eleições. Dos 54 senadores eleitos no domingo, 4 de outubro, 33 são alinhados a direita e a extrema direita. No ano que vem, só a bancada do PL terá 28 senadores, considerando os senadores eleitos em 2022. No total, a partir de 2027, a direita e a extrema direita terão pelo menos 50 das 81 cadeiras do Senado.

Nos bastidores, é também cogitado que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) pise no freio em relação à proposta, levando em consideração o avanço da bancada de extrema direita no Senado e o resultado de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno para o Planalto. Ainda, caso queira tentar se manter na presidência da Casa, deve buscar evitar atritos com a bancada e Flávio.

Rito

Os debates desta semana já estão marcados para 6, 7 e 8 de outubro. Caso mais duas sessões sejam marcadas para a próxima semana, a proposta pode ser votada antes do segundo turno das eleições, agendado para o dia 25.

A princípio, a PEC 221/2019 deve ser analisada pelo rito tradicional (cinco discussões antes da votação). Mas o intervalo pode ser encurtado se os senadores assim concordarem, decidindo pela quebra de interstício. A votação ainda não está agendada e depende de acordo.

O fim da jornada 6×1 é desejado por pelo menos 70% da população, segundo pesquisa Datafolha, e uma das principais bandeiras do governo e da campanha à reeleição de Lula.

Relembre

A matéria do fim da 6×1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Aprovada desde maio na Câmara dos Deputados, só em agosto foi despachada para comissão por Alcolumbre. A relação entre Lula e Alcolumbre estava estremecida após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A pauta foi destrava após reaproximação dos dois e articulação da base governista.

Parlamentares alinhados a direita e extrema direita na Câmara e no Senado buscaram modificar o texto, articularam pedidos de vista para atrasar a discussão sobre a redução da escala de trabalho de 44 para 40 horas semanais, pelo menos para depois das eleições gerais, além de terem feito coro às avaliações de danos à economia do país.

Na CCJ, os senadores de oposição chegaram a apresentar 12 emendas para alterar, adiar ou flexibilizar o fim da escala 6×1. As emendas foram rejeitadas pelo senador Omar Aziz (PSD-AM). Seis delas eram de autoria do PL, partido de Flávio, e outras seis do PSDB.

As emendas focavam em manter as 44 horas semanais de trabalho, esvaziando a matéria que prevê a redução da jornada de trabalho no país já aprovada na Câmara; pediam ampliação do período de transição; e defendiam as escalas definidas nos acordos coletivos de cada categoria.

Empresariado também atuou

Entidades empresariais atuaram para brecar o andamento da pauta. Ainda em maio, lobistas e representantes de 30 setores do mercado nacional se reuniram com Alcolumbre, sob liderança de Paulo Skaf, presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para frear a matéria no Senado.

Já em junho, o lançamento do manifesto Uma carta para o Brasil que acorda cedo criticou a “rigidez” da proposta que prevê duas folgas remuneradas semanais, sem redução de salários. Os empresários pediram aos senadores que aprovassem a PEC da oposição, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. Mais de três mil entidades patronais, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), da Indústria (CNI) e da Agricultura e Pecuária (CNA), assinaram o manifesto.

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Nova movimentação pública aconteceu em agosto. Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, grandes empresários afirmaram que a atualização da jornada de trabalho significaria repassar aos consumidores o aumento de preços em forma de inflação, aumento de informalidade e prejuízos aos lucros.

Horas trabalhadas

A alternativa da oposição, a PEC 12/2026, cria um regime baseado em horas trabalhadas, aposta na negociação entre empregador e trabalhador e pretende calcular salários e benefícios como FGTS, férias e 13º salário de forma proporcional à carga horária cumprida. A proposta amplia o modelo de acordos individuais entre trabalhador e patrão, e enfraquece os acordos coletivos negociados por sindicatos. Mas, principalmente, mantém a possibilidade de jornadas de até 44 horas por semana, o que a levou a ser apelidada nas redes sociais de “PEC da escala 7×0”. O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ do Senado e aliado do governo Lula, não colocou o tema em pauta.

Na pressão

A CUT disponibilizou uma ferramenta com o objetivo de pressionar os senadores pela aprovação da PEC. A plataforma Na Pressão permite enviar mensagens pelo celular, tablet ou computador direto para e-mail, WhatsApp e outras redes sociais dos senadores pedindo que votem favoravelmente à proposta.

Segundo a plataforma, os senadores pelo Rio Grande do Sul Hamilton Mourão (Republicanos) e Luis Carlos Heinze (PP) são contrários à matéria, enquanto o senador Paulo Paim (PT) é favorável.

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