16 Setembro 2026
Pela primeira vez na Espanha, há um número maior de pessoas que se declaram ateias do que as que se confessam católicas praticantes, segundo o barômetro de setembro do instituto de pesquisa.
A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 15-09-2026.
O Centro de Investigações Sociológicas (CIS), em seu barômetro de setembro, registra que, pela primeira vez na Espanha, há um número maior de pessoas que se declaram ateias do que as que se confessam católicas praticantes.
Assim, à pergunta "Como você se define em matéria religiosa: católico(a) praticante, católico(a) não praticante, crente de outra religião, agnóstico(a), indiferente ou não crente, ou ateu(a)?", feita pelo instituto de pesquisa a um total de 4.042 pessoas, 17,1% afirmam ser ateus, enquanto 15,9% se declaram católicos praticantes.
Desde que essa série histórica começou, em 2019, é a primeira vez que o número de ateus se coloca à frente. No primeiro barômetro em que essa questão foi medida, 23% se declaravam católicos praticantes frente a 11% de ateus. Agora, como apontam os especialistas, e embora marque uma tendência de estreitamento da diferença, é preciso esperar por próximas pesquisas do CIS para saber se a tendência se consolida, pois já em 2023 "em setembro de 2023 já havia ocorrido um empate entre os que se definem como ateus e como católicos não praticantes, 16,8% em ambos os casos, mas nos meses seguintes os católicos praticantes retomaram a liderança", como registra o jornal Público.
Segundo informações levantadas pelo jornal, para o sociólogo Rafael Ruiz, professor na Universidade Complutense, autor de diversos estudos sobre secularização, "é um pouco precipitado fazer uma manchete [dizendo] que os ateus superam o número de católicos praticantes, porque é por muito pouco, e a amostra pode influenciar: ou seja, não é descartável que, no mês que vem, o número de católicos praticantes volte a ser superior ao de ateus. Por serem amostras distintas, pode haver oscilações estatísticas, sobretudo quando há tão pouca margem".
"Mas, sem dúvida, vai mostrando uma tendência de que o catolicismo praticante é o que, em sociologia, chamamos de uma minoria cognitiva na sociedade espanhola, mas uma minoria cognitiva particular, porque conta com um pano de fundo cultural católico muito mais amplo, como comprova o número de católicos não praticantes", acrescenta o sociólogo ao Público.
De todo modo, também se aponta na mesma informação que "a soma dos católicos, se somados os que se declaram não praticantes, continua sendo, de fato, majoritária na Espanha. 38,5% dos entrevistados afirmam ser católicos não praticantes, o que, somado a esses 15,9%, dá 54,3%, segundo o CIS".
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