IA. "Temo o uso sem consciência. Sempre podemos desligar da tomada". Entrevista com Paolo Benanti

Foto: Zulfugar Karimov/Unplash

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16 Setembro 2026

O foco crescente nos riscos associados aos sistemas autônomos é uma boa notícia, segundo Paolo Benanti, de 53 anos, frade franciscano, especialista em ética da tecnologia e consultor do Vaticano e do governo italiano: "O maior risco é usar a IA sem entendê-la".

A entrevista é de Francesco Rigatelli, publicada por La Stampa, 14-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Por que empreendedores como Dario Amodei, Sam Altman e Elon Musk estão soando o alarme sobre o rápido avanço dos chamados "modelos de fronteira"?

Fazem isso por interesse próprio. Sempre que ficam tecnologicamente para trás, soltam esses avisos intencionalmente. A OpenAI lançou recentemente um modelo de fronteira mais poderoso do que os outros.

Que batalha existe por trás?

Eles propõem a autorregulação porque, se o governo dos EUA decidir regular os sistemas, isso limita a sua comercialização. A verdadeira questão é como conciliar o poder dessas ferramentas com um ambiente cada vez mais dependente do digital e até o momento regulado por instrumentos jurídicos.

Trump não parece inclinado a colocar limites...

Em palavras, talvez, mas na realidade existe uma ordem executiva que concede ao Departamento de Guerra o poder de intervir. É um jogo de faz de conta. Trump afirma que não quer vincular o desenvolvimento da IA, mas o utiliza contra a China. Aqueles que não se alinharem podem enfrentar restrições comerciais. O governo dos EUA busca a supremacia tecnológica; as empresas buscam o lucro.

Quem está à frente, os EUA ou a China?

Sabemos dos avanços dos EUA, enquanto a China é opaca, o que gera preocupação. No entanto, não parece haver uma grande diferença.

O que está em jogo nessa corrida?

Desde que a Anthropic lançou sua última atualização, ficou claro que existem modelos tão poderosos que conseguem invadir e controlar qualquer sistema informático. Isso significa, por exemplo, interromper todas as transações bancárias de um país.

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Haverá a guerra das IAs?

Não acredito em cenários apocalípticos, mas certamente transferimos o mundo para a esfera digital sem saber e pagar o suficiente para nos proteger. Precisamos tratar disso.

Devemos voltar atrás ou simplesmente tornar o mundo digital mais seguro?

No meu livro Il caso Guillou, trato exatamente sobre isso, a partir do magistrado francês que foi excluído do mundo digital após emitir mandados de prisão contra altos funcionários do governo israelense.

Il caso Guillou, livro de Paolo Benanti. (Silvio Berlusconi Editore, 2026)

Retornar a um mundo analógico é impensável, exceto a um custo enorme, até mesmo de vidas humanas, mas precisamos discutir o fato de que a IA pode determinar a vida, não é neutra, mas sim um potencial instrumento de um poder que precisa tornar-se democrático.

O Regulamento de IA da UE entrou em vigor em agosto, é suficiente?

Sim, e percebemos isso pelo quanto incomoda os estadunidenses, mas precisa ser tornado efetivo por meio de decretos de implementação. Devemos salvaguardar a dignidade humana no espaço digital e gerir a soberania de uma forma desvinculada da territorialidade.

O senhor concorda com Geoffrey Hinton, que compara a IA a um filhote de tigre que poderia escapar do controle?

O problema não é a IA, mas a estupidez natural. Não é certo que vá superar a inteligência humana, pelo menos não em todos os âmbitos.

É bom manter à mão o botão de "desligar"?

Sempre haverá a possibilidade de cortar a energia ou a conexão.

Para Sam Altman, o maior perigo é nos tornarmos dependentes da IA...

Se ela nos ajudar, será uma dependência útil, como a gasolina. Se virar uma função de dominação, então bem menos.

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