O difícil desafio de uma escola estimulante. Artigo de Chiara Saraceno

Foto: 1ndex/Unsplash

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15 Setembro 2026

"A questão de como tornar a escola e a aprendizagem experiências estimulantes, em vez de uma obrigação a ser suportada, parece-me tão importante quanto a definição dos currículos escolares", escreve Chiara Saraceno, publicada por La Stampa, 12-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Chiara Saraceno é membra honorária do Collegio Carlo Alberto, de Turim, e professora emérita do Wissenschaftszentrum für Sozialforschung, de Berlim, e da Universidade de Turim.

Eis o artigo.

Os resultados da pesquisa Pisa sobre as competências de jovens de 15 anos em 91 países são preocupantes, especialmente para os países ocidentais desenvolvidos. Eles documentam um declínio contínuo, iniciado em 2018, muito antes do impacto da Covid, nas duas competências que alicerçam não apenas todo outro aprendizado, mas também o exercício de uma cidadania informada: a compreensão de um texto escrito e a matemática. Esse declínio acumulado equivale a aproximadamente um ano de aprendizado. O desempenho em ciências manteve-se mais estável. Além disso, o declínio foi mais acentuado em países que partiam de níveis mais elevados, como a Finlândia. Diante desse cenário internacional pouco reconfortante, a Itália apresentou um desempenho melhor, registrando uma queda mais reduzida, sobretudo nos últimos três anos. Consequentemente, pela primeira vez desde o início da pesquisa, a Itália figura entre os países onde os jovens de 15 anos alcançam resultados bem acima da média da OCDE em leitura e ligeiramente acima da média em matemática. Em suma, como também observou o Ministro Valditara, um sinal da capacidade do sistema escolar italiano e de seus professores de enfrentar as causas - que ainda requerem investigação mais aprofundada - que, na Itália como em outros lugares, têm dificultado, há pelo menos uma década, a aquisição de competências básicas no uso da língua e no raciocínio lógico-matemático por sucessivas gerações de jovens de 15 anos. No entanto, trata-se de uma contenção de perdas, e não uma recuperação do que foi perdido.

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Um sinal claro de melhoria para a Itália é a redução das disparidades regionais; embora ainda significativas, e particularmente vistosas quando se comparam os percentuais de alunos que demonstram os níveis mais altos e mais baixos de proficiência. Por exemplo, em matemática, a proporção de alunos com níveis de proficiência muito baixos varia de 21,9% no Noroeste a 44,4% no Sul. Por outro lado, os índices de alunos com níveis de proficiência muito altos são de 10,2% e 3,2%, respectivamente. O tipo de escola frequentada continua sendo um fator relevante, assim como, embora não em grau superior à média da OCDE, as condições socioeconômicas familiares. Essas disparidades sugerem que a acentuada diferenciação entre os currículos do ensino médio, escolas de modelo acadêmico tradicional (liceu), institutos técnicos e institutos profissionalizantes, longe de compensar as desigualdades na aquisição de competências básicas decorrentes das condições socioeconômicas, na verdade as agravam. O impacto

persistente do declínio em certas competências básicas em todos os países, inclusive na Itália, tanto antes quanto depois do Covid-19, leva-nos a questionar a eficácia com que os sistemas educacionais conseguem sustentar as aprendizagens e a construção das competências essenciais para transitar em sociedades complexas em tempos de fortes mudanças, tanto passadas quanto em curso, nos contextos onde crianças e jovens crescem e aprendem hoje: multiplicidade das fontes de informação, pluralismo cultural, crescente incerteza quanto as condições do mundo e ao futuro, o uso e a dependência das redes sociais e, mais recentemente, o recurso generalizada da inteligência artificial para buscar informações, estudar, fazer tarefas escolares e até mesmo receber conselhos. Nessa perspectiva, uma nova área de competências explorada pela pesquisa é particularmente interessante: a resolução computacional de problemas, que mede a capacidade de construir conhecimentos e enfrentar problemas utilizando ferramentas digitais. Nesse âmbito, os estudantes das escolas italianas apresentam resultados abaixo da média internacional. Trata-se de uma questão educacional significativa, ainda mais considerando meu receio de que muitos adultos também carecem do nível necessário de competência nesse campo.

Como escreve o presidente do Invalsi, Ricci, na introdução do Relatório: "o desafio não reside apenas em elevar os resultados médios, mas em garantir competências básicas sólidas para todos os estudantes, reduzir as disparidades e, ao mesmo tempo, criar condições para que um número maior de jovens alcance altos níveis de competência". Esse é um desafio difícil, visto que, na Itália, cerca de um em cada quatro estudantes sente-se um estranho em sua própria escola (apenas na Lituânia os alunos relatam um sentimento maior de estranhamento) e, para um em cada cinco, a escola é vista como perda de tempo, e as faltas tornam-se a norma. A questão de como tornar a escola e a aprendizagem experiências estimulantes, em vez de uma obrigação a ser suportada, parece-me tão importante quanto a definição dos currículos escolares.

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