"Não atingimos nenhuma de nossas metas de emissão zero e agora só resta nos adaptar". Entrevista com Robert Pindick, economista do MIT

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04 Setembro 2026

O economista do MIT que estuda o aquecimento global há anos: "É evidente que sofreremos mais com o calor e vivenciaremos eventos climáticos mais violentos. Mas existem medidas para nos protegermos, da construção civil à agricultura."

"Sejamos realistas: não há chance de impedirmos as mudanças climáticas hoje, nem de cumprirmos a meta de emissões zero até 2050. Quanto à redução das temperaturas de verão, isso está fora de questão. A única coisa urgente é pensar em alguma forma de adaptação."

Para Robert Pindick, economista do MIT nascido em 1945 e que há anos dedica suas pesquisas ao aquecimento global, o risco de uma catástrofe climática é comparável, inclusive em termos de custo-benefício, ao de outra pandemia ou de um ataque terrorista biológico ou nuclear. Ele publicou "Climate Future: Averting and Adapting to Climate Change" (Futuro Climático: Evitando e Adaptando-se às Mudanças Climáticas) pela Universidade de Oxford.

A entrevista é de Eugenio Occorsio, publicada por La Repubblica, 04-09-2026.

Eis a entrevista.

Então, você descarta a possibilidade de que algo possa mudar até 2050?

Sim, de maneira absoluta. Assim como é impossível manter o aumento de temperatura abaixo de 1,5 grau, recentemente elevado para 2 graus. O CO2 permanece na atmosfera por 100 a 200 anos, e, portanto, o processo continuará praticamente indefinidamente, visto que continuamos a liberá-lo em quantidades alarmantes. Se realmente quisermos definir uma data, digamos 30 a 40 anos ou mais. Isso também porque a recuperação climática deixou de ser prioridade em quase todos os países. Somente na Europa algo está sendo feito, o que ainda será insuficiente para dobrar a meta de 2050.

No resto do mundo, a emergência parece desaparecer, da Índia ao Paquistão, da China à Rússia, até países asiáticos recém-industrializados como Tailândia e Vietnã, que aumentarão as emissões de CO2 por pelo menos dez anos. Nos Estados Unidos, o negacionismo da classe dominante está levando à proibição de parques eólicos, à autorização de novas rodovias e à perfuração ilimitada de poços de petróleo. Em 2025, Trump revogou o relatório da Agência de Energia que classificava o CO2 como um risco à saúde.

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Só nos resta a adaptação.

Devemos nos resignar ao sofrimento: cada verão será mais quente que o anterior, durante anos. E então, fazer tudo o que pudermos para nos proteger de desastres climáticos: não construir em áreas com risco de inundações, incêndios ou terremotos parece a medida mais lógica. O mesmo vale para o uso de materiais adequados. Mas também para outras medidas de emergência aparentemente menores, como aprender a cultivar novas plantas híbridas que resistam ao calor extremo.

E quanto aos mares?

Com o aumento das temperaturas, é razoável esperar furacões e inundações mais fortes e violentos. Existem bons exemplos, como a Holanda, que está em grande parte abaixo do nível do mar, mas criou um sistema eficiente de diques e canais de defesa, ou mesmo o projeto MOSE (Mose) em Veneza. Há também um caso altamente controverso de geoengenharia climática que os ambientalistas não apreciam, mas que apresentou resultados experimentais positivos: a injeção de enxofre ou dióxido de enxofre na alta atmosfera, que se combina com a água para criar uma espécie de névoa de ácido sulfúrico que parece mitigar o efeito mais letal do aquecimento global. Todos esses são experimentos, mas algo precisa ser feito, sabendo que o aquecimento global é uma realidade que estará conosco por muito tempo. 

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