Planeta está entrando em águas desconhecidas, diz secretário da ONU sobre El Niño

Foto: Timo Volz/Pexels

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04 Setembro 2026

Novo boletim da Organização Meteorológica Mundial alerta para intensificação do fenômeno e para o elevado risco de eventos extremos nos próximos meses.

A reportagem é de Priscila Pacheco, publicada por Observatório do Clima, 03-09-2026.

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) publicou nesta quinta-feira (3) um novo alerta sobre o agravamento do El Niño em todo mundo e conclamou as nações para que se preparem para os impactos associados ao fenômeno. Ondas de calor extremo, secas e chuvas intensas são esperadas em diferentes partes do globo nos próximos meses, em consequência de um El Niño “muito forte”.

“O El Niño está adquirindo enormes proporções debaixo de nossos olhos. A ciência não deixa lugar para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, águas que estão esquentando”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU.

Apesar de ser um fenômeno natural cíclico, o El Niño tem se intensificado ao longo das últimas décadas em decorrência das mudanças climáticas. Estudo publicado na revista Science na última semana revelou que os eventos de El Niño dos últimos 40 anos foram 36% mais intensos do que os registrados durante o milênio pré-industrial, entre 1000 e 1850.

“Não encontramos, no passado, um período em que os El Niños tenham sido tão intensos quanto são hoje, e mostramos que a intensidade do fenômeno varia em paralelo ao aquecimento da temperatura global”, disse a autora principal do trabalho, Julia Cole, professora e chefe do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de Michigan.

Segundo a WMO, a probabilidade de persistência do El Niño entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027 é de praticamente 100%. A anomalia da temperatura do Pacífico equatorial, região do oceano onde ocorre o El Niño, alcançou, em média, 1,5°C entre maio e o início de julho e 2°C ao longo de julho. Entre 29 de julho e 19 de agosto, o aumento oscilou entre 2,2°C e 2,6°C, confirmando a intensificação contínua do fenômeno.

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Abaixo da superfície, o oceano também acumula uma quantidade excepcional de calor. Em algumas áreas do Pacífico equatorial, as temperaturas subsuperficiais ficaram mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto. Segundo a OMM, as condições favorecem a intensificação do El Niño nos próximos meses.

Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, afirma que este episódio de El Niño exige medidas excepcionais de preparação e resposta. “Apesar de seu nome inofensivo, o El Niño tem o potencial de dar um duro golpe em comunidades e economias de todo o mundo. Somos testemunhas das perturbações e da devastação que causam secas e inundações e, segundo as previsões, esses efeitos se agravarão à medida que o El Niño se intensifique”, comenta.

El Niño no Brasil

Em parceria com diversas entidades do governo federal, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou nesta terça-feira (1º) as previsões dos impactos que o El Niño pode causar no Brasil ainda em 2026.

Na Região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, e em parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul, as chuvas devem registrar volumes acima da média histórica. Já as regiões Norte e Nordeste, partes do Brasil Central e do Sudeste, principalmente Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, podem enfrentar um trimestre mais seco.

O El Niño intenso também deve atrasar a transição da estação seca para a chuvosa na Amazônia Legal e no Pantanal, que normalmente ocorre entre setembro e novembro.

As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, apesar da possibilidade de dias frios em setembro. A combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões Central e Norte aumenta o potencial de queimadas

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