Candidaturas de pessoas negras crescem no Brasil, mas caem no Rio Grande do Sul

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27 Agosto 2026

Um levantamento feito a partir do total de candidaturas para as eleições 2026 identificou uma ligeira mudança nos perfis raciais dos candidatos. O número de participantes negros (pretos e pardos) chegou a 49,8% do total. Nos dados populacionais do País, este grupo representa 55,5% dos brasileiros.

A reportagem é publicada por Agência Brasil, 26-08-2026.

A pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da consultoria CommonData usou a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O mapeamento identificou que, entre os 20.448 nomes válidos identificados até 16 de agosto, 10.191 autodeclararam-se pretos ou pardos.

Do total de candidatos este ano, 2.789 são pessoas pretas (13,6% do total) e 7.402 pardas (36,2%). Em 2022, quando ocorreu a primeira edição da pesquisa, as candidaturas de pessoas negras correspondiam a 35,5%.

No Rio Grande do Sul, dos quase 11 milhões de habitantes registrados no censo de 2022 do IBGE, 2,3 milhões se declaram negros. Portanto, 21% da população do Estado. Porém, a proporção não se mantém nas eleições.

As candidaturas negras correspondem a 17% do total no Rio Grande do Sul. Das 1.051 candidaturas, 185 são de pessoas negras (99 pretas e 86 pardas) e 852 de pessoas brancas (81%).

Em comparação com 2022, os números mostram uma queda na diversidade racial. No pleito passado, das 1.433 candidaturas registradas no TSE, 19,4% eram negras.

A enorme maioria das candidaturas negras gaúchas são para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados, com 87 e 89 candidatos para cada Casa, respectivamente. Ambos os totais representam uma subrepresentação da população negra nas urnas. Apenas 16% dos candidatos ao parlamento gaúcho são negros e, para a Câmara, são 19,4%.

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O único cargo em disputa deste ano com representatividade negra acima dos percentuais populacionais é, surpreendentemente, para governador ou governadora. Auxiliado, também, pelas poucas candidaturas, o dado indica que 28,5% das candidaturas são de pessoas negras. São os candidatos Rejane de Oliveira (PSTU) e César Pontes (PCO). Rejane se autodeclara uma mulher preta e Pontes, um homem pardo.

Na corrida pelas duas cadeiras do Rio Grande do Sul no Senado Federal, nenhum candidato se autodeclarou preto ou pardo. Dos 13 concorrentes, o perfil mais comum é de um homem branco, cisgênero e com idade acima dos 55 anos.

Mas, para a suplência desses candidatos, a diversidade aparece. Ao menos nas candidaturas para 2º Suplente. Para 1º Suplente, apenas duas pessoas pardas se registraram (15%). Na segunda suplência, são duas pessoas pretas (15,4%), uma parda e uma indígena (7,7% cada).

Candidaturas femininas

Na pesquisa da Inesc, os resultados integrais serão divulgados no final de setembro. Contudo, os dados parciais indicam que o avanço na questão de gênero não seguiu proporção equivalente. A diferença ainda é significativa.

São 34,2% de candidaturas femininas no Brasil. Considerando recortes de raça, os homens brancos continuam sendo o maior grupo, com 6.688 candidaturas, ou 32,7% do total. Em seguida aparecem:

  • homens pardos, com 4.917 (24,1%);
  • mulheres brancas, com 3.271 (16%);
  • mulheres pardas, com 2.485 (12,2%);
  • homens pretos, com 1.555 (7,6%).
  • e mulheres pretas, com 1.234 (6%).

A participação de mulheres cresceu apenas 1%. A de mulheres negras avançou menos, somente 0,5%. Entre as mais de sete mil mulheres candidatas, 52,2%, são negras. Elas representam 18,2% de todas as candidaturas, ante aos seus 17,3% de 2022. Já a participação dos homens negros recuou de 32,3% para 31,7%.

No Rio Grande do Sul, apesar das mulheres serem a maioria da população, elas estão subrepresentadas nas urnas. São apenas 361 candidatas, ou 34% do total, próximo dos patamares nacionais e acima dos 33% de 2022.

Cruzando as informações de autoidentificação racial do IBGE, os dados mostram que 20% das mulheres gaúchas são negras. E a representatividade desse grupo nas eleições deste ano até supera a proporção populacional. São 81 candidatas negras (51 pretas e 30 pardas), representando 22,4% das mulheres no pleito.

Entretanto, este número representa uma queda. Nas últimas eleições, das 480 candidatas gaúchas, 24,5% eram negras. Eram 82 candidatas pretas e 36 pardas.

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