"A catástrofe de Gaza desapareceu da mídia, mas ainda está presente aqui", constata o pároco de Gaza

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25 Agosto 2026

O pároco da Igreja da Sagrada Família na Cidade de Gaza discursou no Encontro de Rimini. O encontro, intitulado "Amando a Terra Santa", contou também com a participação do Padre Francesco Ielpo, Custódio da Terra Santa. "Gaza está devastada. A catástrofe está longe de terminar."

A reportagem é publicada por Religión Digital, 24-08-2026.

“A realidade nesta parte da Terra Santa, a Faixa de Gaza, é terrível. Nem sequer podemos falar de uma situação pós-catástrofe, porque a catástrofe desapareceu dos meios de comunicação, mas continua muito presente aqui.” O padre Gabriel Romanelli, pároco da Cidade de Gaza, descreve a situação por videoconferência com o Encontro de Rimini.

“A situação”, explica ele, “continua terrível. Os bombardeios já não são tão generalizados como antes, mas ainda ocorrem, mesmo no centro da cidade. E a maioria dos cidadãos, todos os 2,3 milhões de pessoas, precisa desesperadamente de tudo. Gaza está devastada. É como um tsunami que destrói tudo, e depois ninguém vem em auxílio das populações afetadas. Em Gaza, a ajuda não chegou e a situação de emergência piora a cada dia. Numa emergência, é necessária uma resposta imediata. A cada dia que essa resposta atrasa, a emergência se intensifica. É isso que estamos vivenciando.”

A luta diária pela água potável

“A maior parte da população”, continua o padre Gabriel, “vive em tendas ou nas ruas. O solo é arenoso e misturado com esgoto. A maioria nem sequer tem uma pequena fonte de eletricidade. E, além disso, temos de lutar pela água; é uma luta diária. Continuamos a fazer tudo o que podemos. Distribuímos água potável a mais de 400 famílias. A nossa igreja foi construída sobre uma nascente ou reservatório de água; bombeamos a água a um preço elevado, porque cada litro de gasóleo para o gerador custa 10 euros. E este não é um problema do Estreito de Ormuz, é um problema da guerra.”

A última palavra não é a cruz

O padre Gabriel conta que, apesar de tudo, eles também brincam com água não potável, "e todos riem, até os adultos, até as freiras, e eu aproveito para tomar um banho. Parece loucura, mas a tristeza é vencida pela alegria, e a alegria do Evangelho nos é dada por Jesus. A Cruz não é a palavra final. A Cruz é uma palavra necessária, mas a palavra definitiva é a Ressurreição. E devemos viver este Mistério Pascal em nosso dia a dia." 

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Vamos ficar aqui, não vamos abandonar nosso povo

Sobre a decisão de permanecer em Gaza apesar da guerra, o pároco disse: “Ficar lá foi a resposta natural, tanto espiritual quanto humanamente. Não se trata de um desafio político. O pastor deve estar com o seu rebanho. Então eu, como pároco, como sacerdote e como missionário, juntamente com os outros sacerdotes e religiosos, vimos que a resposta era permanecer perto das pessoas. Não podíamos abandonar os deficientes, as crianças, as famílias e os muitos que continuam a depender da nossa presença. E estamos aqui por Jesus Cristo, para preservar a presença eucarística — Jesus Cristo fisicamente presente na Eucaristia e espiritualmente presente em cada fiel. Entregar-se às lágrimas é um dever para aqueles que amam; essa é a vida neste vale de lágrimas.”

Parem as guerras! A paz é possível

O Padre Gabriel oferece palavras de esperança, apesar de tudo. Diante da crescente polarização e da espiral de violência — não apenas em atos, mas também em palavras e princípios — que assola a região, ele enfatiza que “a presença cristã, que é a presença de Cristo, deve ser diferente. Estamos convencidos de que a paz é possível e que uma paz justa é necessária. Portanto, uma maneira de ajudar as comunidades palestina e israelense é semear as sementes da paz, falar de justiça e convencer o mundo de que ‘Basta!’, porque é terrível ver vítimas inocentes em ambos os lados. E tudo isso na Terra Santa, onde Deus encarnado viveu.”

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