O pároco de Taybeth, a última aldeia cristã na Palestina: "É uma limpeza étnica silenciosa"

Foto: Anadolu Ajansi

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25 Agosto 2026

Bashar Fawadleh, de 39 anos, é o pároco de Taybeh, a última aldeia completamente cristã da Palestina, o Efraim bíblico onde Jesus se refugiou antes da Paixão, e que nos últimos anos tem vivido, junto com seus fiéis, sua própria Paixão diante do assédio de colonos judeus e da indiferença da comunidade internacional.

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 21-08-2026.

"Ele foi baleado três vezes por colonos israelenses e continua a celebrar missa diariamente. Bashar Fawadleh, de 39 anos, é o pároco de Taybeh, a última aldeia totalmente cristã na Palestina, a bíblica Efraim onde Jesus se refugiou antes da Paixão. O cerco é evidente: mais de 30 caravanas de colonos a leste, meia dúzia de postos avançados a oeste e patrulhas intimidadoras entre as casas."

Assim descreve Fabian Figueiredo, em entrevista exclusiva ao 7 Margens, seu recente encontro com o padre, em meio ao assédio de colonos judeus, que circulam livremente com a conivência do governo Netanyahu e das forças de segurança que fecham os olhos para a violência constante que levou muitas famílias a decidirem deixar o local, despovoando gradualmente a terra de Jesus dos cristãos.

"A polícia sempre chega atrasada, com uma hora, uma hora e meia de atraso. Só nos últimos dois dias é que começaram a aparecer com frequência, circulando pelas mesmas áreas onde estão os colonos. Acho que estão fazendo algo por causa da pressão das missões diplomáticas, especialmente a americana, e da Igreja , por causa dos contatos dos líderes religiosos com o governo israelense. E graças ao Cardeal Pizzaballa [Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém], que está fazendo um trabalho extraordinário. A responsabilidade que recai sobre seus ombros é enorme", destaca o pároco.

"É uma limpeza étnica em câmera lenta", afirma Bashar Fawadleh, que critica alguns políticos europeus por terem medo de usar tais expressões, argumentando que elas comprometem o diálogo com Israel. Dirigindo-se diretamente a eles, ele os exorta: "Não tenham medo de usar as palavras. E não tenham medo de colocá-las em prática."

Um alerta aos políticos europeus

A este respeito, ele destaca a posição do Ministro das Relações Exteriores alemão, que descreveu os ataques como "crimes" e "terrorismo", e estende um convite: "Convido todos esses políticos europeus a fazerem o que o Ministro das Relações Exteriores alemão fez: venham, estejam aqui e fiquem. Ficar significa ouvir nossas histórias, não apenas por duas ou três horas antes de retornar a Jerusalém ou ao seu país. Significa visitar todas as atividades econômicas em Taybeh, as instituições, a prefeitura, a cervejaria, o lar de idosos e se tornar parte da nossa vida. Temos lugares para recebê-los, em nossa casa paroquial, em nossa hospedaria, e não cobrarei nada no final, porque esta é a hospitalidade árabe palestina", exclama o padre.

"Após a visita do Ministro das Relações Exteriores alemão, não vimos um único colono em Taybeh por dois meses. Eles são partes interessadas, assim como os americanos. E vou dizer-lhes sem rodeios: eles são partes interessadas e têm que fazer algo por nós. Se a nossa presença os beneficiar, que assim seja. Caso contrário, digam-nos a verdade e encontraremos uma maneira de nos proteger", afirma enfaticamente.

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