SEEG lança caderno de soluções para reduzir emissão de metano do Brasil

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19 Agosto 2026

Redução deste gás de efeito estufa é uma das estratégias mais rápidas, baratas e eficazes para desacelerar o aquecimento global no curto prazo.

A informação é publicada por Observatório do Clima, 18-08-2026.

O SEEG – Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima – lança nesta terça-feira (18) um caderno com 37 soluções concretas para reduzir as emissões de metano no Brasil nos principais setores poluidores. O metano (CH4) é 28 vezes mais potente que o CO2 num período de 100 anos e causa uma parcela importante das mudanças climáticas.

As emissões brasileiras de metano estão entre as maiores do planeta – só em 2024, foram 21 milhões de toneladas lançadas na atmosfera pelo país, segundo cálculos do SEEG. A agropecuária responde por cerca de três quartos desse total. Há cinco anos, durante a COP26, em Glasgow, o Brasil aderiu ao Compromisso Global de Metano, mas não tem cumprido a meta de reduzir essas emissões – ao contrário, o volume cresce década após década.

As soluções apresentadas pelo SEEG abrangem quatro setores: Agropecuária, Resíduos, Mudança de Uso da Terra e Florestas e Energia. As respostas mapeadas incluem ações de planejamento, financiamento, governança, operação, monitoramento, entre outras. O documento também atende a um chamado da ONU, de junho passado, para que os países se empenhem em reduzir a emissão de metano, uma das oportunidades mais rápidas, baratas e eficazes para desacelerar o aquecimento global a curto prazo. “Embora o metano seja responsável por quase um terço do aquecimento global até o momento, ele continua sendo significativamente negligenciado nas ações climáticas e na tomada de decisões políticas”, diz o documento das Nações Unidas.

“Já estamos ultrapassando o limite de aquecimento global estabelecido no Acordo de Paris e sentimos as consequências pelo planeta. Reduzir o metano é uma ação crítica para retornar à normalidade climática. Temos à disposição um amplo conjunto de soluções para fazer isso, mas o Brasil precisa transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”, afirma David Tsai, coordenador do SEEG.

Gado é vilão

Em 2024, o setor da agropecuária liberou 15,7 milhões de toneladas de metano, o que corresponde a 75,8% do total das emissões brasileiras. Mais de 90% disso deriva da criação de gado. Para fazer frente a esse desafio, o caderno do SEEG lista 15 propostas. Elas abrangem desde planejamento territorial, assistência técnica, acesso ao crédito até mudanças no manejo dos sistemas produtivos e dos resíduos da produção animal.

Elaboradas pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), as saídas indicam que é preciso envolver as cadeias de produção e consumo, passando por governos, academia e instituições financeiras. “Mitigar metano na agropecuária é uma grande oportunidade para o setor, por incluir produtividade e eficiência na produção de alimentos. Essa edição do SEEG Soluções expande as estratégias já existentes, trazendo opções que podem ser implementadas por produtores, municípios e regiões do país”, ressalta Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do Imaflora.

O setor de Resíduos é o segundo mais impactante, com 16% do total de metano emitido pelo país (3,3 milhões de toneladas em 2024). Aterros e lixões liberam 68% desse total. As 12 soluções desse setor foram elaboradas pelo ICLEI América do Sul. Elas consideram redução na geração e no desperdício, encerramento de lixões, ampliação de coleta seletiva e aproveitamento energético, entre outras. “A partir de 2010, o arcabouço legal brasileiro evoluiu, com a estruturação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas ainda temos muito o que avançar. Do ponto de vista prático, as cidades brasileiras podem se inspirar nas medidas que sinalizamos no caderno do SEEG, como a valorização dos resíduos orgânicos com foco em reduzir as emissões de metano”, diz Iris Coluna, assessora de Medição, Reporte e Verificação do ICLEI América do Sul.

Governança do fogo

O setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas ficou em terceiro lugar, com 5,5% do total de metano do país (1,14 milhões de toneladas em 2024). O fogo é o único processo causador de emissões na contabilidade oficial do setor. Por isso, as cinco soluções elaboradas pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) são focadas no monitoramento, prevenção e combate a incêndios na vegetação nativa. “É preciso fortalecer a governança do fogo”, explica Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam. “À medida que as mudanças climáticas tornam os períodos de seca mais longos e intensos e ampliam o risco de incêndios, investir em prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo passa a ser uma estratégia de adaptação climática”, complementa.

O setor de Energia responde por 2,6% das emissões (0,53 milhões de toneladas), sendo que a maior parte vem da cocção em residência (53%), seguidas pela produção de combustíveis (27%). O Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente) indica cinco soluções para essa frente, sendo quatro delas sobre vazamento e desperdício na cadeia de petróleo, gás e carvão. “Cada emissão de metano requer uma resposta específica. Quem cozinha com lenha porque não tem acesso a outra fonte de energia precisa de política pública. Já as emissões da cadeia de combustíveis fósseis vêm de operação industrial, e ali cabe responsabilizar quem lucra com a atividade”, diz Ingrid Graces, pesquisadora do setor de Energia do Iema.

No site do SEEG, é possível checar as emissões de metano no Brasil por bioma, estado, região e município. Acesse aqui o ranking das 30 cidades que mais emitiram metano no país em 2024.

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