17 Agosto 2026
O comandante do Exército iraniano anunciou recompensa de 30 mil dólares, segundo a agência estatal IRNA. A declaração ocorre em meio à escalada das tensões entre Teerã e Washington.
A reportagem é publicada por DW, 17-08-2026.
O Exército do Irã anunciou uma recompensa equivalente a 30 mil dólares (cerca de R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares dos Estados Unidos e entregá-los às autoridades iranianas. Segundo relatos da imprensa iraniana, o valor será dobrado no caso de mulheres que participem da ação.
A oferta foi atribuída ao comandante do Exército iraniano, Amir Hatami. De acordo com a agência estatal IRNA, a medida foi elaborada após um "grande número de pedidos" de pessoas interessadas em participar.
"Qualquer pessoa que matar ou capturar e entregar um integrante das forças militares invasoras americanas receberá uma recompensa equivalente a 30 mil dólares ou 5 bilhões de tomans", afirmou Hatami. O toman é uma unidade informal amplamente utilizada no país.
O comandante acrescentou que "mulheres iranianas corajosas" receberão o dobro da recompensa caso realizem a captura ou a morte de militares americanos.
Hatami também reiterou o apelo de Teerã para que os Estados Unidos deixem o Oriente Médio e afirmou que forças americanas "não têm mais permissão para entrar no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã ou no Estreito de Ormuz".
Tensões com EUA crescem
O anúncio ocorre em meio à continuidade das tensões militares entre Irã e Estados Unidos. Nas últimas semanas, os dois lados voltaram a trocar ataques e, segundo relatos, violaram repetidamente o acordo-quadro firmado em 17 de junho, que previa o encerramento permanente da guerra em todas as frentes.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. Embora não haja registro conhecido de tropas terrestres americanas atuando de forma permanente em território iraniano, Washington realizou em abril uma ampla operação para resgatar um piloto abatido durante os combates.
Na ocasião, cerca de 200 militares e mais de 170 aeronaves foram mobilizados para recuperar o oficial de sistemas de armas de um caça F-15 antes que ele fosse localizado por forças iranianas. Durante a operação, tropas do Irã danificaram uma aeronave de ataque A-10, que acabou abandonada em área controlada por aliados dos EUA. Relatos também indicam que os americanos destruíram parte dos equipamentos empregados na missão, incluindo um avião de transporte C-130.
Após quase 40 dias de guerra, os combates foram interrompidos temporariamente por um cessar-fogo firmado em abril. Em junho, as partes concordaram com uma estrutura para negociações de paz, mas as conversas acabaram fracassando.
Desde então, Irã e Estados Unidos mantêm confrontos esporádicos, principalmente no sul do território iraniano e na região do Estreito de Ormuz. Contatos indiretos por meio de mediadores continuam, mas sem avanços significativos.
Segundo informações divulgadas até o momento, 17 militares americanos morreram desde o início do conflito. Todas as mortes ocorreram fora do Irã, em países como Jordânia e Iraque.
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