Primeiro data center na Amazônia ameaça desregular clima na região

Foto: Secom/Via Fotos Publicas

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12 Agosto 2026

A instalação do primeiro data center da Amazônia está sendo questionada pelo Ministério Público do Pará (MP-PA). O órgão alega falta de estudos técnicos sobre os impactos ambientais do empreendimento, bem como de consulta pública à população local.

A informação é publicada por ClimaInfo, 11-08-2026.

O BEL1, da Elea Data Centers, está previsto para ser construído na área portuária de Miramar, no bairro de Barreiro, em Belém, com capacidade inicial de 7,5 MW e expansão prevista para até 100 MW. A empresa apresenta o projeto como o primeiro data center para inteligência artificial na Região Norte, e diz que seu objetivo é ampliar o acesso à computação em nuvem e serviços digitais e reduzir a dependência de servidores de outras regiões do país e do exterior.

No entanto, o MP-PA abriu um inquérito civil para apurar a legalidade do empreendimento e os riscos de danos climáticos. A principal preocupação é a possibilidade de surgimento de “ilhas de calor” no entorno do data center.

Fonte: g1 | reprodução ClimaInfo

O promotor Márcio Maués, da 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, cita estudos de pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido) que indicam o aumento da temperatura média nas proximidades desse tipo de empreendimento de cerca de 2oC, com picos extremos que chegariam a 9,1oC, abrangendo um raio de até 10 km. Em uma cidade já quente como Belém, tal aumento de temperatura pode ser trágico para as pessoas, sobretudo para crianças e idosos, que costumam ser os mais afetados pelo calor.

“Não basta afirmar que não trará consequências, que será bom. Tem que ser demonstrado tecnicamente”, disse Maués ao g1. “O efeito depende da tecnologia utilizada, mas é algo a que precisamos estar atentos. É preciso demonstrar se haverá aumento da temperatura ou não, e em qual proporção.”

Além do potencial de alterar o microclima regional, outra reclamação do MP-PA em relação ao BEL1 é a ausência de consulta pública aos moradores do entorno do empreendimento, o que contraria o disposto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. “Ninguém veio aqui explicar nada”, contou Sidney Costa, liderança comunitária de Miramar Chalon, uma ocupação urbana no Barreiro, ao Tapajós de Fato.

O projeto aproveita a falta de regulação nacional sobre os data centers. Desde fevereiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), está segurando o Projeto de Lei nº 278/2026, proposto pelo governo federal, que estabelece a política brasileira de incentivos ao setor, o Redata. Sem regras federais, Ceará e Rio Grande do Sul decidiram avançar com propostas estaduais para facilitar a instalação desses empreendimentos.

No caso do BEL1, o processo formal de licenciamento sequer começou. Segundo o Pará Terra Boa, a prefeitura de Belém e o governo estadual confirmaram que não há processo aberto relacionado ao data center da Elea. Ou seja, não existem estudos de impacto de vizinhança nem relatório de impacto ambiental.

A empresa contesta as críticas e afirma que as licenças “estão sendo solicitadas dentro dos prazos e trâmites legais e em linha com os investimentos anunciados”. O CEO da Elea, o italiano Alessandro Lombardi, justifica que só faz sentido aprofundar os estudos de impacto térmico quando e se o empreendimento avançar para a fase de 100 MW. Da mesma forma, ele defende que a consulta à sociedade também só faria sentido nessa etapa posterior, “mas não nesta fase atual, que eu posso garantir que não tem nenhum impacto”.

Em sua página no LinkedIn, Lombardi informa que tem formação em administração de negócios, história intelectual e filosofia e história da arte. Não consta nada relacionado à análise ambiental ou climática, o que poderia referendar sua “garantia” de ausência de impacto do data center da Elea.

Click Petróleo e Gás e Olhar Digital também repercutiram o questionamento do MP-PA ao projeto da Elea em Belém.

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