Data centers aceleram o aquecimento global. Artigo de Vivaldo José Breternitz

Foto: Taylor Vick/Unsplash

Mais Lidos

  • "Um leigo pode liderar a paróquia", propõe Jordi Bertomeu, representante do Dicastério para a Doutrina da Fé

    LER MAIS
  • Intervalos bíblicos, militares e conselhos tutelares: o avanço da teologia do domínio no Brasil. Artigo de Lucas Vinicius Oliveira dos Santos

    LER MAIS
  • Eleições no Brasil estão na órbita dos interesses geopolíticos dos EUA para tentar consolidar sua influência no continente sul-americano em favor das próprias investidas contra a soberania brasileira e regional

    Brasil na mira do intervencionismo trumpista. Entrevista especial com Patricia Mechi

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

27 Mai 2026

Pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dos data centers.

O artigo é de Vivaldo José Breternitz, doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.

Eis o artigo.

À medida que data centers se multiplicam, cientistas buscam medir seus impactos nas comunidades vizinhas. Estudos já mostraram que essas instalações impactam os sistemas locais de energia e água, elevam os custos de serviços públicos e liberam poluentes nocivos. Agora, nova pesquisa indica que o calor gerado por esses complexos pode aumentar a temperatura na vizinhança.

A pesquisa, publicada em 18 de maio no Journal of Engineering for Sustainable Buildings and Cities, analisou a poluição térmica gerada por um data center de 36 megawatts em Mesa, Arizona, e por outro de 169 megawatts na cidade vizinha de Chandler. Os pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dessas instalações.

As conclusões sugerem que os data centers podem intensificar o fenômeno da "ilha de calor urbana", em que cidades apresentam temperaturas significativamente mais elevadas do que áreas rurais próximas. "Mesmo que esses data centers contribuam apenas com 1 ou 2 graus adicionais, isso pode ter um impacto muito significativo em nossas vidas", afirmou David Sailor, principal autor do estudo e diretor da Escola de Ciências Geográficas e Planejamento Urbano da Universidade Estadual do Arizona.

Segundo Sailor, um único data center pode gerar mais calor do que 40 mil residências. Muitas dessas instalações utilizam condensadores resfriados a ar para dissipar o calor produzido por seus servidores, criando "plumas de ar" entre 8 e 14°C mais quentes que o ambiente. O vento, então, espalha esse ar além dos limites da instalação, ampliando o impacto.

Embora esse aumento possa parecer pequeno, é suficiente para elevar o uso de ar-condicionado em bairros inteiros, gerando ainda mais calor e criando um ciclo de retroalimentação.

Sailor ressalta que os resultados obtidos até agora podem ser conservadores: "À medida que realizarmos mais medições em diferentes condições atmosféricas, acredito que veremos impactos ainda mais significativos." Pesquisas paralelas, ainda não publicadas, sugerem que data centers podem criar ilhas de calor com alcance de até 10 quilômetros.

Com a construção de novos data centers próximos a cidades vulneráveis ao calor extremo, compreender e mitigar seus efeitos sobre as temperaturas locais será muito importante, lembrando que problemas similares devem ocorrer no Brasil: na grande São Paulo está se instalando um dos dez maiores data centers do mundo.

Leia mais