Evangélicos estão cansados da fake news e violência da direita, e da estigmatização da esquerda

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11 Agosto 2026

Segundo estudo da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo quer escutar e ser ouvido; só minoria é extremista.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 10-08-2026.

O Observatório Político Eleitoral (Opel) e a Frente de Evangélicos lançaram uma pesquisa que monitorou grupos de 13 capitais do país, com a participação de aproximadamente 250 evangélicos, e desmistificou a ideia de que existe uma única visão de mundo e um voto uníssono desse grupo. Segundo um dos dados mais impactantes, apenas um em cada 10 participantes dos grupos analisados se enquadra no perfil típico de extrema direita, que é antivacina e difunde fake news, por exemplo.

Ao Conversa Bem Viver, uma das responsáveis pelo levantamento, Nilza Valéria Zacarias, coordenadora executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, pondera também que há uma sutil diferença entre intenção de voto e a concretude da escolha na urna. Sobre isso, ela destaca que seis em cada 10 participantes declararam intenção de votar em Bolsonaro, mas que é preciso também lançar um olhar qualificado para os quatro que não votariam no ex-presidente. “Isso já é uma quebra nessa hegemonia de voto”, destaca.

A pesquisadora critica a visão maniqueísta a respeito dos evangélicos e aponta que existe uma subjetividade de todo o ser humano que, muitas vezes, é deixada de lado quando se debate a intersecção entre fé e política, incorrendo na repetição de estereótipos. “A gente tem trabalhado muito para conter o que eu vou chamar de ressentimento, que é um ressentimento legítimo. Você imagina as pessoas sistematicamente ouvirem que elas só fazem o que o pastor manda, como se elas não fossem sujeitos autônomos e donos da própria história”, afirma. “É uma construção do evangélico como inimigo, e isso tem atrapalhado diálogos e processos formativos.”

Para Zacarias, a extrema direita vem sendo bem-sucedida ao capturar as pessoas pelo discurso do medo. “A gente tem que ter as ferramentas e as informações para mostrar que a ciência supera o medo, que a informação supera o medo e, no nosso caso, como evangélicos que somos, que o amor supera o medo. Então, a gente tem esse compromisso de mostrar que o medo é algo a ser superado e ele não pode ser determinante na vida de ninguém, muito menos na vida de um país”, defende.

Nilza Valéria Zacarias explica que, ao analisar o voto evangélico de 2022 e colocá-lo na realidade de hoje, é muito provável que ele possa ter se modificado, porque o mundo não é mais o mesmo. “A gente lidou com uma polarização da igreja de forma muito pesada, extrema, uma politização muito dura, fazendo com que muitas igrejas se fragmentassem, lideranças e pessoas tomassem lado”, relata.

Um dos exemplos dados pela pesquisadora é o do deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), que tem grande apelo midiático e, recentemente, reviu suas posições. “É um movimento que está acontecendo e que aposto que vai continuar acontecendo.”

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