11 Agosto 2026
Trump assina ordem executiva para reduzir as vacinas infantis em meio a aumento de casos de sarampo nos EUA.
A reportagem é de Juan Gabriel García, publicada por elDiario.es, 11-08-2026.
O decreto reduz de 17 para seis as injeções recomendadas e divide as doses contra sarampo, caxumba e rubéola.
Em meio ao crescimento acelerado dos contágios de sarampo nos Estados Unidos, Donald Trump assinou nesta segunda-feira um novo decreto para reduzir as vacinas previstas para as crianças e dividir a injeção contra sarampo, caxumba e rubéola. A ordem executiva é a mais recente tentativa do governo republicano de impor seu critério ao calendário de vacinação estipulado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do país. São os CDC, e não a Casa Branca, que têm autoridade para isso.
A medida busca apoiar a agenda antivacina do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que no início do ano já havia tentado modificar as vacinas recomendadas para crianças. Naquele momento, Kennedy quis reduzir de 17 para 11 as injeções estipuladas, mas um juiz bloqueou a decisão depois que a Academia Americana de Pediatria e outros grupos de saúde levaram o caso aos tribunais.
O decreto chega justamente em um momento em que o sarampo volta a infectar regularmente as pessoas nos Estados Unidos. O vírus, um dos mais contagiosos que existem, já afetou mais de 2.300 pessoas e fez de 2026 o pior ano de contágios desde 2000, quando a doença foi dada como erradicada no país. Segundo os CDC, entre 93% e 94% dos indivíduos que contraíram sarampo não estavam vacinados ou não havia registro sobre se haviam recebido a injeção no passado.
Agora, a ordem executiva assinada por Trump é ainda mais agressiva, já que reduz de 17 para seis as vacinas com recomendações completas para as crianças: sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Hib, doença pneumocócica, HPV e catapora. Nos Estados Unidos, as vacinas contra sarampo, rubéola e caxumba são administradas em uma mesma injeção, conhecida como MMR (tríplice viral), aplicada em duas doses: a primeira entre os 12 e 15 meses de vida, e a segunda entre os 4 e 6 anos, antes do jardim de infância.
A separação das injeções torna a vacinação mais trabalhosa e cara para as famílias. O que antes era uma injeção administrada em duas doses passaria a ser três doses separadas, algo que, por ora, não é possível nos Estados Unidos, porque nem sequer existem vacinas autorizadas separadamente para essas doenças. O processo de autorização para esse tipo de produto pode levar anos.
Além disso, ao dividir a vacina em três, também se torna mais complicado logisticamente para as famílias, já que elas precisariam fazer mais visitas ao médico. Como se não bastasse, a ordem também estabelece que, "na medida do possível, todas as vacinas infantis devem ser administradas em consultas médicas separadas".
O presidente estadunidense afirmou que a divisão serve para minimizar os supostos riscos que a MMR acarreta. "Juntas, existe a possibilidade de que sejam bastante letais", disse Trump ao assinar o texto. Numerosos estudos científicos respaldam a segurança da MMR e desmentem as afirmações do magnata, assim como as acusações de que esse tipo de vacina possa estar vinculado ao autismo.
Tanto Trump quanto Kennedy, que também estava presente durante a assinatura do documento, insistiram na falsa relação entre autismo e essas vacinas. Dezenas de estudos científicos demonstram que não existe nenhum vínculo entre os dois. "Hoje temos o orgulho de anunciar oficialmente as recomendações de vacinação infantil de referência nos Estados Unidos. Isso abrange muitos temas, incluindo o autismo em particular", disse Trump antes de assinar. Ao seu lado, o secretário de Saúde insistia que "algo aconteceu em meados dos anos 1990 que mudou nossas crianças, e tem que ser por causa da exposição a fatores ambientais".
Anteriormente, Trump também pediu que gestantes deixassem de tomar paracetamol — comumente conhecido nos EUA pela marca Tylenol — durante a gravidez, porque supostamente poderia provocar autismo no bebê. Outra afirmação que também não é comprovada por estudos científicos.
Além de alimentar as teorias antivacina, a medida também inclui outras mudanças. Por exemplo, há seis vacinas que passariam a ser inteiramente objeto de tomada de decisão clínica compartilhada. Trata-se das vacinas contra hepatite A, hepatite B, rotavírus, doença meningocócica, gripe e Covid-19. Ao colocá-las nessa categoria, há a probabilidade de que essas vacinas, por se tornarem opcionais, fiquem fora da cobertura do seguro de saúde.
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