“Super El Niño” pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda

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06 Agosto 2026

Projeções do Programa Mundial de Alimentos indicam que número de pessoas em insegurança alimentar aguda poderá aumentar 22% até 2027.

A informação é publicada por ClimaInfo, 05-08-2026.

A possibilidade cada vez mais concreta de um “Super El Niño” neste semestre deve atingir em cheio a segurança alimentar global, especialmente nos países mais pobres e vulneráveis. O alerta é do Programa Mundial da ONU para Alimentos (WFP, sigla em Inglês), que divulgou uma análise na 4ª feira (5/8).

As estimativas iniciais do WFP indicam que o El Niño pode levar mais 49 milhões de pessoas, pelo menos, para uma situação de insegurança alimentar aguda. O que aumentaria o contingente de pessoas nessa condição de 225 milhões para 274 milhões, alta de cerca de 22%.

A análise considerou o cenário em 45 países já classificados como em situação de insegurança alimentar, onde o El Niño deve influenciar os padrões de precipitação, as temperaturas e a ocorrência de inundações e secas. Prevê-se que o fenômeno atinja o seu pico entre setembro e dezembro de 2026. Mas, em muitas regiões, seus efeitos serão sentidos ao longo de 2027, devido aos impactos nos futuros ciclos de colheita.

Os maiores impactos são esperados em partes da América Central e no sul da África, com efeitos significativos também no leste africano e no sul e sudeste asiáticos.

A América Latina e o Caribe podem registrar um dos maiores aumentos na insegurança alimentar, com mais de 16 milhões de pessoas afetadas. Proporcionalmente, a América Central deve ter o maior crescimento (83,1%) entre as áreas analisadas. Já na África Oriental e Austral, mais de 18 milhões de pessoas podem ter sua segurança alimentar comprometida, o que representa um aumento de 26%.

Segundo o WFP, planos de ação preventiva já estão em andamento desde maio no Sudão do Sul, Chade, Mauritânia, Uganda, Guatemala e El Salvador, fornecendo mais de US$ 14 milhões (R$ 72 milhões) em medidas de apoio vital para meio milhão de pessoas. Outras medidas de preparação e de enfrentamento à crise devem mobilizar pelo menos US$ 80 milhões (R$ 411,3 milhões). No entanto, a ONU já alertou que as necessidades de ajuda devem superar – e muito – a capacidade atual de resposta, já que os reflexos do El Niño devem persistir ao longo de 2027.

“O El Niño representa uma enorme ameaça à segurança alimentar de milhões de pessoas que já se encontram em situação de vulnerabilidade. Quanto mais cedo ajudarmos as famílias a se prepararem para esses impactos climáticos, maior será nossa capacidade de salvar vidas e proteger os meios de subsistência”, destacou Carl Skau, diretor-executivo interino do WFP.

As projeções do WFP para os impactos do El Niño na segurança alimentar global foram noticiadas por Bloomberg, Guardian, Independent, Reuters, Agência Brasil, Exame, Forbes, g1, O Globo, SBT e UOL.

Em tempo

Os impactos do El Niño na produção global de alimentos devem intensificar pressões sobre as cadeias de suprimentos ao redor do mundo. A Bloomberg abordou alguns dos reflexos que devem agravar problemas de acesso à comida em mercados na América Latina, África e Ásia, regiões que já sofrem com a inflação causada pelos custos elevados da importação de petróleo por conta da guerra no Oriente Médio. No Brasil, o aumento dos preços dos alimentos está entre os fatores que devem elevar a inflação para até 5,03% até o final do ano, bem acima da meta de 3% do Banco Central. Entre os reflexos do El Niño, espera-se uma queda expressiva da produção nacional de trigo (-23%), com muitos produtores optando por reduzir o plantio ou até mesmo suspender a safra por completo.

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