A Companhia de Jesus apela a uma solução humanitária para a crise migratória de Ceuta: "Políticas regressivas em matéria de direitos humanos não são adequadas"

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03 Agosto 2026

"Defendemos o mais escrupuloso respeito pelas pessoas, pelos direitos humanos e pelos princípios humanitários na resposta a esta situação extraordinária, que está a causar uma emergência humanitária."

A informação é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 02-08-2026.

O Serviço Jesuíta aos Migrantes (SJM) e as organizações do setor social da Companhia de Jesus na Espanha expressaram publicamente sua preocupação com a situação em Ceuta, após o grande fluxo migratório e o número de mortos, que já chega a pelo menos 90. Os jesuítas estão focados não apenas na emergência imediata, mas também nas bases políticas e sociais de uma crise que, alertam, “vai muito além dos fluxos migratórios”.

A declaração começa com um gesto de luto e solidariedade: “Nossos primeiros pensamentos estão com as vítimas”, enfatiza o Serviço Jesuíta aos Migrantes (JMS), que pede uma resposta com “o mais escrupuloso respeito pelas pessoas, pelos direitos humanos e pelos princípios humanitários” diante de uma situação que descrevem como “extraordinária” e uma “emergência humanitária”.

Contra o ódio e a desumanização

Uma das mensagens mais contundentes da declaração é a rejeição categórica do discurso de ódio. O SJM alerta que é “essencial acabar com o discurso de ódio e com qualquer narrativa que desumanize os migrantes”, num apelo que busca impedir que a crise se torne terreno fértil para a estigmatização e o confronto.

Os jesuítas insistem que, embora o ocorrido “vá além do fenômeno da migração”, a resposta não pode perder de vista cada indivíduo. Por isso, defendem uma análise das causas do ocorrido, mas também que a resposta institucional sempre garanta “o tratamento individualizado das situações” daqueles que entraram no país, bem como a possibilidade de solicitar proteção internacional e salvaguardas reforçadas para menores.

Colocar as pessoas no centro

A Companhia de Jesus também está usando esta crise para questionar a direção das políticas migratórias restritivas. Apenas alguns dias antes da entrada em vigor do Pacto Europeu e do seu Regulamento de Gestão de Crises, o Serviço Jesuíta aos Migrantes (SJM) afirma que este episódio demonstra que “políticas restritivas e regressivas em matéria de garantias e direitos não são adequadas” para lidar com os desafios da migração.

Em resposta, os jesuítas defendem uma solução “baseada no reconhecimento da dignidade de todas as pessoas” e na necessidade de “vias legais, seguras, eficazes e acessíveis para a migração”. Sua mensagem é clara: a crise de Ceuta não pode ser resolvida apenas por meio do controle e da contenção, mas sim por meio da humanidade, dos direitos e da responsabilidade compartilhada.

Declaração completa

Considerando a situação em Ceuta

O Serviço Jesuíta aos Migrantes (SJM) e as organizações do setor social da Companhia de Jesus na Espanha estão acompanhando de perto a situação em Ceuta. Nossos pensamentos estão com as vítimas (34 mortes confirmadas até o momento). Reconhecemos também o desafio que esta crise representa para a sociedade e todas as administrações públicas. Em todo caso, defendemos o mais rigoroso respeito às pessoas, aos direitos humanos e aos princípios humanitários na resposta a esta situação extraordinária, que gerou uma emergência humanitária. Esta é uma crise política e social que vai muito além dos fluxos migratórios.

Nesse contexto, é essencial combater o discurso de ódio e qualquer narrativa que desumanize os migrantes.

Embora o que está acontecendo hoje vá além do fenômeno migratório, e embora seja necessário investigar as causas do ocorrido, defendemos que a resposta a esta crise deve garantir atenção individualizada às situações daqueles que entraram no país, daqueles que precisam solicitar proteção internacional ou daqueles que necessitam de outras formas de proteção, incluindo salvaguardas reforçadas para menores. A resposta política nacional e internacional deve colocar as pessoas no centro e garantir o respeito aos direitos humanos.

A poucos dias da entrada em vigor do Pacto Europeu e do seu Regulamento de Gestão de Crises, tornou-se evidente que políticas restritivas e regressivas que corroem garantias e direitos são insuficientes para enfrentar os desafios da migração. Este momento sublinha a necessidade de políticas baseadas no reconhecimento da dignidade de todas as pessoas e de vias migratórias legais, seguras, eficazes e acessíveis.

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