Estudo propõe protocolo unificado para rastreamento de carne e soja livres de desmatamento

Foto: Paulo Diniz/Ibama

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29 Julho 2026

Análise sugere articulação entre iniciativas existentes de controle das cadeias da pecuária e da soja para aumentar a confiança dos importadores, especialmente da China.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 28-07-2026.

O agronegócio brasileiro vive uma encruzilhada internacional. Enquanto mercados importantes e estratégicos, como a União Europeia e a China, passam a exigir garantias sobre a integridade ambiental das cadeias produtivas de carne e soja, o setor segue atuando de forma reativa, mais preocupado em enfraquecer essas exigências do que em atendê-las. Nesse sentido, o país pode estar perdendo uma oportunidade única para se colocar no debate sobre padrões ambientais em uma condição proativa e de liderança.

Esse é o principal recado do estudo “Rastreando a responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”, publicado nesta semana pelo WRI Brasil. De acordo com a análise, o país já possui ferramentas suficientes para monitorar o desmatamento e a rastreabilidade, mas elas estão pulverizadas e utilizam critérios distintos. Um primeiro passo para o mercado brasileiro assumir o protagonismo seria integrar essas iniciativas em um único referencial.

“O desafio não é criar novos instrumentos, mas tornar essa base mais integrada, acessível e aplicável às decisões de produção, compra, financiamento e investimento, transformando a legalidade, a rastreabilidade e a transparência em confiança e vantagem competitiva”, destacou o WRI Brasil.

O estudo propõe um marco de referência unificado, baseado tanto na legislação brasileira quanto em padrões internacionais livres de desmatamento e conversão (ou DCF, na sigla em Inglês), com metas mais ambiciosas de sustentabilidade. Essa referência técnica comum pode facilitar uma maior convergência entre as iniciativas já existentes de monitoramento e rastreabilidade, oferecendo uma base sólida para o diálogo e a cooperação com parceiros comerciais estratégicos, como a China.

Por falar nos chineses, a integração pode ser estratégica para consolidar a posição dos produtores brasileiros em seu principal mercado externo de consumo. Para o WRI Brasil, uma referência técnica comum pode embasar acordos bilaterais, aumentar a previsibilidade das relações comerciais e facilitar a demonstração de conformidade pelos exportadores brasileiros no mercado chinês e junto a outros compradores internacionais.

Como O Globo assinalou, apesar desse potencial, o estudo também reconhece que o Brasil ainda precisa superar alguns desafios para alcançar essa integração. Na pecuária, o problema central está nos fornecedores indiretos, que vendem seu gado a outras fazendas antes de ser comercializado aos frigoríficos. Entre as recomendações do estudo, estão ampliar o uso das Guias de Trânsito Animal e avançar com programas de identificação individual dos animais, como o uso de equipamentos de geolocalização.

Já na cadeia da soja, o problema é o monitoramento incompleto de algumas iniciativas, que observam apenas a área onde o grão é cultivado, e não toda a propriedade inscrita no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Entre os mecanismos de controle mais completos, o estudo destaca plataformas estaduais, como a do Pará, e os protocolos de monitoramento de fornecedores da Amazônia e do Cerrado, que utilizam ferramentas digitais para cruzar dados do CAR com alertas de desmatamento e listas de embargos ambientais.

“Mais do que responder a exigências externas, é uma oportunidade para o Brasil transformar a transparência e a confiabilidade em pilares da estratégia de desenvolvimento”, destacou Mariana Oliveira, diretora do programa de florestas e uso da terra do WRI Brasil, à Bloomberg Línea. “O Brasil tem condição de participar e fazer essa transformação, não apenas para seguir fornecendo commodity, mas para ser protagonista nessa construção de cadeias de produção e comércio mais resilientes, competitivas e sustentáveis”.

AGFeed, BeefPoint, Exame, Globo Rural e Projeto Colabora também abordaram os principais pontos do estudo.

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