Buscar a Deus. Comentário de José Antonio Pagola

Foto: Aron Visuals/Unsplash

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22 Julho 2026

Os estudos sociológicos dizem que a crise religiosa vem deslizando, na Europa, rumo a uma "indiferença" cada vez maior. Uma indiferença tranquila, alheia a qualquer questionamento sobre Deus.

O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 20-07-2026.

Eis o comentário. 

Não basta buscar a Deus por fora: nos livros, nas discussões ou no debate. Uma coisa é "discutir sobre religião" e outra muito diferente é buscar a Deus com sincero coração.

Os estudos sociológicos dizem que a crise religiosa vem deslizando, na Europa, rumo a uma "indiferença" cada vez maior. Uma indiferença tranquila, alheia a qualquer questionamento sobre Deus. No entanto, são cada vez mais numerosos os que, movidos por uma certa "nostalgia de Deus", sentem a necessidade de buscar "algo diferente", uma nova maneira de crer nele. Como buscar a Deus?

Sem dúvida, cada um deve partir de sua própria experiência. Não se devem copiar os outros. Não se deve fazer nada forçado nem postiço. Cada um conhece seus próprios desejos e misérias, seus vazios e seus medos. Cada um sabe de sua "necessidade" de Deus. Sua voz nunca se cala. Não grita com os lábios, mas sussurra ao coração.

Por isso mesmo não basta buscar a Deus por fora: nos livros, nas discussões ou no debate. Uma coisa é "discutir sobre religião" e outra muito diferente é buscar a Deus com sincero coração. A própria pessoa percebe quando está fugindo de Deus e quando está realmente buscando-o. Santo Agostinho dizia assim: "Não te disperses. Concentra-te em tua intimidade. A verdade reside no homem interior".

Esforço

Buscar a Deus exige esforço, mas encontrá-lo nunca é resultado de um voluntarismo fanático nem de uma ascese crispada. Deus é um presente, e o importante é acolhê-lo com "simplicidade de alma". Recordemos a reflexão da velha priora no Diálogo das Carmelitas, de Georges Bernanos: "Uma vez saídos da infância, é preciso sofrer muito para voltar a ela, como só depois de uma longa noite volta a surgir a aurora. Voltei eu a ser criança de novo?"

Não é o mais acertado buscar a Deus apoiando-se apenas nas próprias intuições. Há muitas formas de se enganar ou de ficar dando voltas em torno de si mesmo, em torno de nossos sentimentos e ideias. Por isso é melhor compartilhar e confrontar a própria experiência com alguém que possa nos guiar a partir de sua própria vivência de Deus. Esse compartilhar mútuo pode ser o melhor estímulo para continuar buscando-o.

Em sua parábola do "tesouro escondido no campo", Jesus fala do homem que, "cheio de alegria", vende tudo o que tem para conseguir o tesouro. Buscar a Deus não produz tristeza nem amargura; ao contrário, gera alegria e paz, porque a pessoa começa a descobrir onde está a verdadeira felicidade. Recordemos Santo Agostinho: "Só o que torna o homem bom pode torná-lo feliz".

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