O inimigo invisível dentro de si mesmos. Entrevista com Dacia Maraini

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11 Julho 2026

"Apenas a cultura, a educação, a responsabilidade, a ética e a empatia podem desfazer condicionamentos tão antigos e profundamente enraizados para restaurar a autoconfiança das mulheres, permitindo-lhes, assim, libertar-se do Diabo que ainda as mantém prisioneiras"

A entrevista com Dacia Maraini é de Gloria Satta, publicada por Donne Chiesa Mondo, 09-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Quem é o diabo para as mulheres hoje?

"Historicamente, o mundo divide-se em dois períodos distintos: o tempo em que o diabo estava fora de nós, assumindo formas concretas transmitidas pela cultura popular, como o anjo caído ou o bode de cascos fendidos, e o período em que se descobriu que o mal, na verdade, está dentro de nós", responde Dacia Maraini, a ilustre decana das escritoras italianas e uma das vozes mais respeitadas do feminismo desde a década de 1970.

A condição feminina, os direitos das mulheres, a memória histórica, as injustiças sociais e a igualdade de gênero são temas constantemente abordados pela autora de romances como “A Longa Vida de Marianna Ucrìa”, “Bagheria” e “Chiara di Assisi: Elogio della disobbedienza”.

O que significa dizer que o mal está dentro de nós?

"Após séculos de subjugação cultural, jurídica e social, as mulheres internalizaram a falta de autoconfiança. Devido a uma educação patriarcal e misógina, convenceram-se de que não valiam o bastante, de que não possuíam a capacidade de julgamento e, ainda pior, de que suas palavras tinham menos peso ou credibilidade do que as dos homens."

No entanto, segundo a escritora, existe uma maneira de romper esse círculo vicioso. "Apenas a cultura, a educação, a responsabilidade, a ética e a empatia podem desfazer condicionamentos tão antigos e profundamente enraizados para restaurar a autoconfiança das mulheres, permitindo-lhes, assim, libertar-se do Diabo que ainda as mantém prisioneiras."

Houve progressos, acrescenta ela, mas não podemos nos acomodar; é essencial continuar avançando.

"A emancipação já deu passos significativos e hoje acredito firmemente na conscientização das gerações mais jovens", afirma Maraini, "mas há uma condição: elas não devem permitir serem manipuladas pelas redes sociais, que com demasiada frequência propagam uma cultura tradicional e sexista."

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