O medo de sermos nós mesmas. Entrevista com Cristina Comencini

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • A emergência de uma cultura livre na era da IA depende de restituir os comuns digitais que hoje vêm sendo capturados sem nenhuma contrapartida por parte das grandes plataformas digitais

    Desnaturalizar a IA é trazer à superfície sua estrutura fundada no trabalho comum. Entrevista especial com Leonardo Foletto

    LER MAIS
  • Trump bombardeia o Irã novamente e comete um erro colossal: ele não tem ideia de quem é seu inimigo

    LER MAIS
  • A Copa do Mundo que revelou o novo mapa do poder. Artigo de Carol Althaller

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Julho 2026

Se lhe perguntam quem é hoje o diabo para as mulheres, Cristina Comencini responde sem hesitar: "O medo". E medo de quê? "De sermos nós mesmas, de ousar, de nos expormos e, sobretudo, de seguir nossas aspirações, isto é, ser como nós gostaríamos, em vez de quem a sociedade prevê".

A entrevista foi conduzida por Gloria Satta, publicada por Donne Chiesa Mondo, 10-07-2026. A tradução de Luisa Rabolini.

Cineasta, escritora e dramaturga de renome internacional, Comencini nunca fez um cinema "feminista militante"; no entanto, muitos de seus filmes (Vá onde seu coração mandar, Matrimoni, Due partite, La bestia nel cuore — finalista no Oscar — e O trem italiano da felicidade) são próximos da sensibilidade feminina por narrarem histórias sob a perspectiva das mulheres, as relações familiares, a violência de gênero, a maternidade e a busca por autonomia. Em 2011, ela foi uma das principais articuladoras do movimento feminista "Se non ora, quando?" (Se não agora, quando?), o mais importante do novo milênio, que angariou amplo apoio de ativistas de todas as gerações e origens, culminando em grandes manifestações públicas.

Ela admite que o condicionamento social a questiona pessoalmente, agindo como uma limitação: "Como a maioria das mulheres, também eu, por vezes, tive — e continuo tendo — medo de expressar minhas opiniões e sentimentos; enfim, medo de causar um impacto sobre a realidade". Há uma razão histórica para isso, explica ela: "Faz apenas algumas décadas que nós, mulheres, ingressámos em uma cultura masculina, pilar de uma sociedade patriarcal concebida e construída sem a nossa presença, ou seja, sem prever a nossa participação activa e igualitária. Hoje, encontramo-nos em uma situação relativamente nova, na qual lutamos para afirmar nossa presença, nossos desejos e nossa forma de pensar. Sentirmo-nos em pé de igualdade com os homens ainda nos intimida".

Como sair disso?

Por tempo demais, a mentalidade dominante, aquela dos homens, definiu a história. Derrotaremos o diabo quando finalmente aprendermos a contar a nossa própria história, superando o medo.

Leia mais