O crime de ser médico em Gaza. Artigo de Michele Serra

Hussam Abu Safieh | Foto: Reprodução das redes sociais/Instagram

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11 Julho 2026

"Trump está ocupado demais manipulando a Copa do mundo de futebol. Mas a Europa, os governos europeus e sua teórica soma, que é a União Europeia, não poderia ao menos tentar salvar a vida de um médico que está sendo tratado como terrorista?", escreve Michele Serra,  jornalista, escritor e roteirista italiano, em artigo publicado por La Repubblica, 07-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Por mais inútil que possa ser, acrescento algumas linhas às palavras já ditas por algumas ONGs, algumas organizações de direitos humanos e por seus familiares que não se rendem, em defesa do médico palestino Hussam Abu Safieh, preso pelos israelenses em Gaza, em dezembro de 2024, por se recusar a abandonar seu hospital e as crianças sob seus cuidados.

Detido em Israel sem acusação formal, espancado e torturado, segundo seu advogado corre risco iminente de morte.

É verdade que, em meio à carnificina que soterrou, juntamente com dezenas de milhares de vidas humanas, também qualquer vestígio de direito, torna-se quase impossível estabelecer uma classificação de gravidade e de desumanidade. Certamente deve haver uma maneira de deixar claro ao governo de Israel, mesmo com hospitais já destruídos, com médicos já mortos e o abuso já abundantemente aceito como regra, que a prisão e a tortura infligidas ao Dr. Safieh constituem uma atrocidade horrível, inaceitável, independentemente de ser apenas mais um caso entre tantos outros? Será possível que nenhum governo europeu convoque o embaixador de Israel ou chame de volta o seu próprio embaixador em sinal de protesto, não por causa de "Gaza" em sentido amplo (a atrocidade já foi cometida, a violência triunfou de forma absoluta), mas simplesmente porque um médico que exerce sua profissão de médico não pode ser imputado por nada e deve ser libertado imediatamente? E se transformássemos Safieh em um símbolo, para tentar afirmar que, apesar de nossa dessensibilização diante da violência dos fortes contra os fracos, existem limites que não podem ser ultrapassados? Para tentar, de fato, acreditar que existem limites que não podem ser ultrapassados? Trump está ocupado demais manipulando a Copa do mundo de futebol. Mas a Europa, os governos europeus e sua teórica soma, que é a União Europeia, não poderia ao menos tentar salvar a vida de um médico que está sendo tratado como terrorista?

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