11 Julho 2026
"A fragilidade do argumento romano apresenta uma oportunidade. Não para tentar forçar a questão novamente, mas para aprimorar o raciocínio: se Roma deve ser convencida dos méritos da pregação leiga, então argumentos coerentes e convincentes são necessários".
O artigo é de Felix Neumann, publicado por Katholisch.de, 09-07-2026.
Felix Neumann é editor do katholisch.de e vice-presidente da Sociedade de Jornalistas Católicos (GKP).
Eis o artigo.
A rejeição de Roma em relação à pregação leiga era esperada: especialistas como o canonista de Würzburg, Heribert Hallermann, já haviam apontado que o Vaticano não aceitaria argumentos baseados na justiça e na diversidade na pregação. O argumento da escassez de sacerdotes também não convence, pois onde há uma homilia, ou seja, um sermão durante uma celebração com a Eucaristia, há inevitavelmente um sacerdote.
Aqui, Roma e a Igreja na Alemanha falam línguas diferentes. Os argumentos alemães baseados na justiça são percebidos em Roma como irrelevantes. A resposta romana é correspondentemente breve e essencialmente reitera a posição legal da Igreja universal. Uma estratégia um tanto peculiar, visto que uma exceção à lei era precisamente o que se solicitava. O argumento sobre a ligação indissociável entre proclamar o Evangelho, pregar e presidir a Eucaristia também parece pouco convincente. Se aplicado de forma consistente, isso significaria proibir todos os diáconos de pregar, bem como todos os sacerdotes que não presidem a respectiva Missa.
A fragilidade do argumento romano apresenta uma oportunidade. Não para tentar forçar a questão novamente, mas para aprimorar o raciocínio: se Roma deve ser convencida dos méritos da pregação leiga, então argumentos coerentes e convincentes são necessários. Esses argumentos não devem explorar a Missa como ferramenta para gerar participação e representatividade. Devem enfatizar o valor intrínseco da pregação feita por leigos.
O argumento deve ser teológico e, em particular, eclesiológico: a Missa não é uma celebração do sacerdote, mas uma celebração da comunidade, sobre a qual o sacerdote preside. Os argumentos a favor da pregação leiga devem ser desenvolvidos a partir da compreensão da Igreja sobre a comunhão, sobre a fraternidade. A participação dos leigos não deve ser apresentada como uma questão de justiça, possivelmente até motivada por sensibilidades democráticas, mas sim em referência ao ministério da proclamação, fundamentado no batismo, de todos os membros do Povo de Deus.
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